Era um daqueles encontros que sublinhava a competitividade que o novo formato da Liga dos Campeões oferece. Sporting e PSG encontravam-se na penúltima jornada da fase de liga separados por apenas três pontos, por uma vitória, mas os leões estavam no 14.º lugar e os franceses ocupavam a terceira posição. Pontuar contra os campeões europeus, portanto, era um objetivo plausível e que podia deixar a equipa de Rui Borges numa situação muito simpática na principal competição europeia.

Com 10 pontos e três vitórias na Liga dos Campeões, o Sporting recebia o PSG depois do regresso aos triunfos contra o Casa Pia, na sequência de dois jogos seguidos sem ganhar incluindo a eliminação na Taça da Liga, e ainda engolido por uma vaga de lesões e castigos. Mais do que um regresso aos triunfos, o resultado contra os lisboetas em Alvalade no fim da semana passada foi um autêntico bálsamo para os leões, que viram Daniel Bragança voltar de lesão para marcar, Geny Catamo voltar da CAN para bisar e uma equipa inteira voltar de uma derrota para vencer.

Ficha de jogo

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Sporting-PSG, 2-1

Fase de liga da Liga dos Campeões

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra)

Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda, Gonçalo Inácio, Matheus Reis, Ricardo Mangas (Vagiannidis, 63′), João Simões (Daniel Bragança, 87′), Morita, Geny Catamo (Alisson, 87′), Trincão (Kochorashvili, 90+6′), Maxi Araújo, Luis Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia, Diego Callai, David Moreira, Flávio Gonçalves, Eduardo Felicíssimo, Mauro Couto, Rafael Nel, Debast

Treinador: Rui Borges

PSG: Lucas Chevalier, Zaïre-Emery, Marquinhos, Willian Pacho, Nuno Mendes, Senny Mayulu (Kvaratskhelia, 66′), Vitinha, Fabián Ruiz (Zabarnyi, 80′), Désiré Doué, Dembélé, Bradley Barcola (Gonçalo Ramos, 71′)

Suplentes não utilizados: Martin James, Renato Marin, Lucas Beraldo, Noah Nsoki

Treinador: Luis Enrique

Golos: Luis Suárez (74′ e 90′), Kvaratskhelia (79′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Ricardo Mangas (59′), a Luis Suárez (90+4′), a Kvaratskhelia (90+5′)

“O que mais me desafiou foi o primeiro dia em que entrei nesta casa. Qualquer dia que passo no Sporting é o dia mais feliz da minha vida porque estou num grande clube, todos os dias tenho de tentar ser melhor para ganhar, ganhar mais e continuar a acrescentar história ao Sporting. Claro que defrontar os melhores da Europa neste momento, não só para mim mas também para os jogadores, tem de ser uma motivação boa, para demonstrarmos que somos capazes de estar e de nos batermos com os melhores. Têm os melhores do mundo nas suas posições, acima de tudo é um desafio para todos”, atirou Rui Borges na antevisão da partida desta terça-feira.

Assim e também sem Hjulmand, que estava castigado e juntava-se ao alargado lote de lesões nos leões, Rui Borges lançava Maxi Araújo na esquerda do ataque e apostava em Ricardo Mangas na esquerda da defesa, mantendo o eixo defensivo entregue a Matheus Reis e Gonçalo Inácio e a dupla formada por João Simões e Morita no meio-campo. Do outro lado, num PSG que vinha de uma vitória contra o Lille mas também da eliminação na Taça de França, Luis Enrique não contava com o lesionado João Neves, mas tinha Nuno Mendes e Vitinha no onze e deixava Gonçalo Ramos no banco.

Os cinco minutos iniciais da partida foram um bom cartão de visita para toda a primeira parte: o Sporting não tocou na bola, o PSG instalou-se por inteiro no meio-campo contrário e Désiré Doué até teve desde logo o primeiro remate, que passou ao lado (4′). Os franceses acumularam pontapés e ocasiões de perigo durante o primeiro quarto de hora, com Fabián Ruiz a atirar para Rui Silva encaixar (6′), Mayulu a rematar por cima (8′), Vitinha a pôr o guarda-redes à prova (9′) e Nuno Mendes a obrigá-lo também a uma intervenção atenta (13′).

Os leões tinham muita dificuldade para responder à pressão avassaladora dos franceses, mas a verdade é que bastou terem espaço uma vez para quase inaugurarem o marcador, com Geny Catamo a rematar em jeito e ligeiramente ao lado a partir da direita (14′). Ainda assim, e mesmo com esse vislumbre de futebol ofensivo, o PSG ia dominando o jogo por inteiro e a equipa de Rui Borges não conseguia sair com a bola controlada, acumulando perdas de posse ainda no próprio meio-campo e incapacidade de ligar setores — características onde Trincão, na direita, e Mangas, na esquerda, eram os principais protagonistas.

À passagem da meia-hora, já depois de Doué obrigar Rui Silva a mais uma defesa (15′) e Vitinha rematar ao lado (21′), a bola entrou mesmo: Barcola recebeu na esquerda, Fabián Ruiz cruzou para a área e Zaïre-Emery quase nem saltou para cabecear e marcar (30′). Ainda assim, não contou. Anthony Taylor foi chamado ao VAR e assinalou falta de Mayulu sobre Geny Catamo no início da jogada, mantendo o nulo e provocando um respirar de alívio coletivo em Alvalade.

Os franceses mantiveram a superioridade até ao fim da primeira parte, ainda que mais inconsequente e sem nenhuma oportunidade propriamente dita, e os leões preocuparam-se essencialmente em regressar aos balneários com a baliza inviolada. Nos descontos, aliás, a equipa de Rui Borges poderia mesmo ter marcado, com Morita a atirar por cima na sequência de um livre na direita (45+3′). Ao intervalo, Sporting e PSG estavam ainda empatados sem golos.

Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e, apesar de o PSG manter o ascendente, também ficava claro que o Sporting queria mudar a atitude e subir as linhas, apresentando uma pressão mais elevada e expondo-se menos a períodos de asfixia no último terço. Suárez falhou a finalização por muito pouco depois de um cruzamento de Trincão na direita (52′) e o mesmo Trincão rematou ao lado logo a seguir (53′), em instantes que entusiasmaram as bancadas de Alvalade.

Dembélé colocou a bola no fundo da baliza ainda antes da hora de jogo, de cabeça e depois de um cruzamento de Doué na direita, mas o lance foi prontamente anulado por fora de jogo do avançado francês (57′), que pouco depois voltou a testar Rui Silva com um remate cruzado na área (61′). Rui Borges foi o primeiro a mexer e tirou Ricardo Mangas, que entretanto tinha visto o cartão amarelo, para colocar Vagiannidis, com Maxi Araújo a descer para a esquerda da defesa para formar uma linha de cinco.

Luis Enrique respondeu com Kvaratskhelia e Gonçalo Ramos, mas o atrevimento que os leões iam demonstrando sempre que tinham algum espaço para correr acabou por compensar — muito graças a uma exibição individual brutal de Geny Catamo, que era o grande e principal inconformado da equipa. Na sequência de um canto cobrado na direita, a bola sobrou para o moçambicano e este rematou contra a muralha, com Luis Suárez a aproveitar o ressalto para atirar cruzado e certeiro na cara de Lucas Chevalier (74′).

Cinco minutos depois, porém, a qualidade individual imperou. Kvaratskhelia recebeu na esquerda, puxou para dentro e tirou um remate brutal para empatar, sem qualquer hipótese para Rui Silva (79′). Rui Borges lançou Daniel Bragança e Alisson já nos últimos minutos e o avançado brasileiro entrou decidido a causar estragos. À terceira aceleração na esquerda, deixou em Trincão à entrada da grande área e o português rematou para Lucas Chevalier defender, com Luis Suárez a aparecer no sítio certo para cabecear na recarga, bisar e recuperar a vantagem (90′).

No fim, o Sporting venceu o PSG em Alvalade, chegou aos 13 pontos na Liga dos Campeões e subiu à condição ao sexto lugar, ou seja, entrou na zona de apuramento direto para os oitavos de final e garantiu que, na pior das hipóteses, vai ao playoff. Numa noite onde sempre soube que tinha de sofrer, a equipa de Rui Borges derrotou o campeão europeu e valeu-se de Luis Suárez, um verdadeiro herói digno dos clubes grandes, tão grandes como os maiores da Europa — como um dia sonhou José Alvalade.