Há dias em que as coisas não estão mesmo viradas para ali, Portugal teve um desses dias frente à Macedónia do Norte. Olhemos apenas para o último minuto: posse de bola para a Seleção, entrada de Martim Costa a partir da primeira linha para defesa de Martin Tomovski, novo ataque nacional com o risco do 7×6, bola na ponta para Leonel Fernandes com nova intervenção do guarda-redes macedónio, última posse de bola com 15 segundos para jogar que não chegou a ter remate. Só aí, num momento decisivo, Portugal teve três ocasiões para desfazer o empate mas não conseguiu inverter a perda de um ponto com uma igualdade a 29 que iria deixar a qualificação para a main round adiada para a última ronda. Mesmo dependendo apenas de si, sem necessidade de máquinas calculadoras, as ambições nacionais sofreram um pequeno “abanão”.
“O que correu menos bem foi estar a ganhar por cinco golos de diferença e perdermos o controlo do jogo. Continuámos a jogar com o mesmo ritmo, precipitando algum passe, precipitando algum contra-ataque. Depois, quando eles se aproximaram, sentimos alguma debilidade no controlo do jogo. Sabíamos que íamos ter uma Macedónia do Norte muito forte, com um sistema defensivo que pensei que ia correr melhor, em termos do que é a nossa adaptação ao sistema defensivo 5:1, e acabámos por não conseguir fazer bem as coisas em alguns momentos”, assumiu Paulo Jorge Pereira, recuperando o momento no arranque da segunda parte em que Portugal liderou por 19-14 e as paragens técnicas que foi fazendo sem impacto no encontro.
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Em condições normais, Portugal iria jogar pela Dinamarca para entrar com pontos na main round e poder também deixar outra imagem depois da derrota desnivelada nas meias-finais do último Mundial (40-27). O cenário passava a ser outro, com um olhar atento ao que fazia a Macedónia do Norte diante da Roménia na partida que abria a terceira e última jornada do grupo B a pensar também na margem que o triunfo frente aos romenos poderia ter e não teve (o que daria outro conforto) para depois saber os mínimos indispensáveis para assegurar essa passagem à fase seguinte mesmo com uma derrota diante dos escandinavos. O que podia mudar toda a realidade? Um “desafio” à lógica que conseguisse contrariar a Dinamarca, seleção tetracampeã mundial e vice-campeã europeia que partia de novo como favorita a mais uma vitória na prova.
“Temos alguma margem, mas dependemos daquilo que for o resultado entre Roménia e Macedónia do Norte antes do nosso jogo, com a ambição de querer ganhar o jogo contra a Dinamarca. O facto dos pontos contarem para o próxima fase faz com que Dinamarca queira ganhar o jogo e mostrar o seu poderio. Temos de admitir todos os cenários porque a eliminação está em cima da mesa. A verdade é essa. Não é algo que estamos contar, temos muita vontade de passar e acreditamos muito que vamos passar”, apontara o capitão Rui Silva à agência Lusa antes do jogo. “O bom desta competição é termos jogo já a seguir e podermos limpar aquilo que fizemos, aprender com o que fizemos para podermos melhorar para o próximo jogo. Acho que eles não vão mudar, jogam sempre a mil. É uma potência neste momento e está com uma hegemonia enorme naquilo que é o panorama do andebol mundial. Vamos mostrar que somos uma Seleção com muita ambição, muito caráter e acreditamos nas nossas possibilidades de vencer o jogo”, acrescentara o ponta António Areia.
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Os dados estavam lançados, com esse histórico desfavorável sobretudo nos últimos duelos oficiais entre duas equipas que também discutiram o título mundial de Sub-21 em junho, com triunfo da Dinamarca por 29-26: 28-34 nos Jogos Olímpicos de Tóquio, 27-37 no último Europeu de 2024, 27-40 no último Mundial do ano passado. Ponto comum? A questão defensiva e a melhor forma de contrariar o verdadeiro rolo compressor que é o ataque dinamarquês, como se tinha visto antes com Macedónia do Norte (36-24) e Roménia (39-24), algo que seria a chave para avançar para uma main round onde já estavam os favoritos Alemanha, França (ambos com dois pontos vindos da fase inicial), Espanha e Noruega. E foi isso que imperou, com Portugal a ter uma primeira parte de sonho para confirmar o apuramento e a equilibrar bem mais do que se poderia pensar na teoria o encontro frente a uma tetracampeã mundial apoiada por quase 15.000 adeptos.
Frames para colocar nos manuais de história! ????
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Antes, na mesma Jyske Bank Boxen, em Herning, que começava a encher-se de adeptos dinamarqueses os olhos nacionais estavam focados na partida entre a Macedónia do Norte e a Roménia. Que, na perspetiva das aspirações nacionais, não começou da melhor forma: os macedónios abriram com um parcial de 4-0, tiveram cinco golos de vantagem, chegaram ao intervalo a vencer por quatro (13-9), foram tentando aumentar a profundidade da defesa e acelerando as reposições com ataques rápidos mas os romenos nunca deram o jogo por perdido, contando com um Mihai Popescu inspirado na baliza para ir reduzindo a distância de forma gradual até entrarem no derradeiro minuto com um empate a 22, desfeito apenas por um ataque rápido de Nenad Kosteski… no último segundo (24-23). Apesar desse resultado, e contas feitas, Portugal tinha uma margem de 17 golos, partindo com seis golos positivos contra 11 golos negativos dos macedónios.
???????? North Macedonia secure the win an intense fight vs Romania ????????
Great performance from ???????? Mihai Popescu! He's the @grundfos Player of the Match ✨#ehfeuro2026 #puregreatness #handball pic.twitter.com/0xvpOTVrHR
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Com Salvador Salvador a começar como lateral esquerdo em vez de Martim Costa e Luís Frade como pivô titular por troca com Victor Iturriza, Portugal começou bem a partida e a “desafiar” aquilo que era um claro favoritismo teórico da Dinamarca: não permitiu tantos ataques diretos como é normal dos escandinavos, não cometeu tantas falhas técnicas ofensivas, soube explorar bem a variação de ataques entre a procura do pivô e os remates de primeira linha de Francisco Costa e até mesmo quando o gigante Emil Nielsen apareceu na baliza foi em situações criadas para um 1×0. Com isso, os 13 minutos iniciais foram esgotados com o empate a seis depois da vantagem de dois golos logo a abrir (3-1), com Gustavo Capdeville a ter uma eficácia na baliza de 33,3% e com Francisco Costa a levar metade dos golos nacionais (três em seis), antes da primeira vez em que a Dinamarca passou para a frente quando Iturriza foi excluído por dois minutos (7-6, 15′).
It's Gidsel Day ????????????#ehfeuro2026 #puregreatness #handball pic.twitter.com/yv8Sskl23j
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Kevin Møller shone against Romania. Now it's Nielsen's time ????????????#ehfeuro2026 #puregreatness #handball pic.twitter.com/vHQhsfZrn2
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A primeira paragem técnica acabou por chegar de forma surpreendente por parte de Nikolaj Jacobsen, que via a equipa da casa falhar bem mais do que é normal contra uma eficácia de 100% da dupla Francisco Costa-Luís Frade que levava sete golos para nova vantagem portuguesa por 8-7 (17′), algo quebrado com a entrada de Kevin Möller para a baliza para travar um sete metros de Kiko (António Areia não perdoou de seguida). Emil Nielsen também apareceu, Gustavo Capdeville não ficou em nada atrás e Portugal voltou aos dois golos de avanço (10-8), com os adeptos da casa a perceberem que só mesmo a melhor versão dos tetracampeões mundiais poderia travar os Heróis do Mar. O intervalo chegou com Portugal na frente por 12-11.
Kiko Costa is leading Portugal's attack ????????????@AndebolPortugal #ehfeuro2026 #puregreatness #handball pic.twitter.com/b8RZDfcfBw
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????????????????-???????????????? ⚡️ ???????? 11:12 ????????
Portugal have the lead at the break ????#ehfeuro2026 #puregreatness #handball pic.twitter.com/dPDrJ69Rjy— EHF EURO (@EHFEURO) January 20, 2026
Durante 30 minutos, a Seleção fez história. Pela vantagem contra uma das melhores equipas do mundo, pelo facto de ter sofrido apenas 11 golos contra a Dinamarca (com 35% de eficácia), por colocar Gidsel com o parco registo de três golos. No entanto, faltava o “resto”. E Nikolaj Jacobsen não tinha gostado nada do que vira, mexendo com as dinâmicas ofensivas a restabelecendo a natural predominância dos escandinavos no jogo para chegar aos 38′ pela primeira vez com dois golos de avanço (17-15), depois de novo empate, novo parcial de 2-0 quando Iturriza cumpria dois minutos de exclusão (19-17) e a resposta com um 3-0 que recolocou a equipa nacional na frente com Jacobsen a parar de imediato a partida perante o 20-19 no marcador.
A rocket from Martim Costa ????????????????#ehfeuro2026 #puregreatness #handball @AndebolPortugal pic.twitter.com/UjvIhxaiYv
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Já com Pedro Tonicher na baliza, com uma defesa fulcral para essa “resposta” dos Heróis do Mar, aquilo que se “pensava” não se confirmou. A Dinamarca melhorou mas Portugal teve o condão de nunca deixar de estar “ligado” ao jogo, com combinações ofensivas como as entradas a segundo pivô de Areia que conseguiam criar dificuldades na defesa escandinava além de uma agressividade que condicionava e muito a primeira linha da formação da casa. Com isso, os últimos dez minutos chegavam com a Seleção na frente por 23-21 e mais uma defesa enorme de Tonicher a remate de Gidsel aos seis metros, antes do 26-25 com Iturriza expulso com desqualificação direta (num critério que não foi igual uns minutos antes contra a Dinamarca num toque de Simon Hald na cara de Martim Costa) que aumentou a esperança da equipa da casa. Era a hora dos irmãos Costa aparecerem, com mais capítulos do festival de Martim e Francisco (nove golos cada) até ao triunfo por 31-29, com dois golos de Areia e uma defesa fantástica de Capdeville a fecharem de vez as contas da partida.
Pedro Tonicher comes in and starts saving against Denmark ???????????????? MADNESS ????#ehfeuro2026 #puregreatness #handball @AndebolPortugal pic.twitter.com/WgVl3sujUa
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António Areia, what kind of magic is that? ????????#ehfeuro2026 #puregreatness #handball @AndebolPortugal pic.twitter.com/bnDZuOg1Oz
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Em família, ???????????????? ????̀???? ???????????????? ????????????????????! ????????
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