Se excluirmos a surpresa da Taça da Liga, onde nem sequer chegou à final four, a verdade é que a Liga Europa tem sido uma espécie de calcanhar de Aquiles da temporada do FC Porto. Com 17 vitórias em 18 jornadas do Campeonato e triunfos em todas as eliminatórias já disputadas da Taça de Portugal, os dragões chegavam a esta quinta-feira com um empate e uma derrota na competição europeia. Algo que, não sendo preocupante, causava sempre algum desconforto.

Ainda assim, a verdade é que o FC Porto chegava à penúltima jornada da Liga Europa com a possibilidade de garantir desde já o playoff de acesso aos oitavos de final, precisando apenas de um ponto na República Checa contra o Viktoria Plzen, e até a hipótese de assegurar o apuramento direto no último jogo. Algo que Francesco Farioli, vindo de nove vitórias consecutivas e sem conhecer outro resultado que não o triunfo há quase dois meses, não esquecia.

Ficha de jogo

↓ Mostrar ↑ Esconder

Viktoria Plzen-FC Porto, 1-1

Fase de liga da Liga Europa

Doosan Arena, em Plzen (República Checa)

Árbitro: Andris Treimanis (Letónia)

Viktoria Plzen: Florian Wiegele, Merchas Doski, Karel Spácil, Cheick Souaré, Amar Memic, Matej Valenta, Lukás Cerv, Denis Visinsky (Milan Havel, 60′), Christopher Kabongo (Prince Adu, 35′), Tomás Ladra (Adrian Zeljkovic, 83′), Matej Vydra

Suplentes não utilizados: Marian Tvrdon, Matyás Silhavy, Jakub Chalupa, Daniel Suchy, Jiri Panos, Adam Novak, Petr Kubín

Treinador: Martin Hyský

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa (Francisco Moura, 56′), Bednarek, Kiwior, Martim Fernandes (Alan Varela, 71′), Victor Froholdt, Pablo Rosario, Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 56′), William Gomes (Deniz Gül, 71′), Samu, Borja Sainz (Pepê, 45′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa, Stephen Eustáquio, Zaidu, Prpic, André Miranda, Gabriel Brás

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Lukás Cerv (6′), Deniz Gül (90′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Merchas Doski (14′), a Bednarek (70′), a Prince Adu (72′), a Pablo Rosario (74′), a Kiwior (85′); cartão vermelho direto a Matej Vydra (45+4′)

“É uma jornada muito longa, ainda não nos qualificámos para a próxima fase. Ainda estamos muito longe de Istambul. A nossa jornada baseia-se no trabalho. O que a ‘famiglia portista’ nos tem dado tem sido a prova da união que existe entre todos, especialmente no Dragão. Todos mostram que estão presentes. Estamos no meio de muitas corridas, tanto no Campeonato como na Liga Europa, e vamos tentar avançar em todas as competições. Sabemos que a jornada será cheia de desafios, mas se estivermos todos juntos estaremos também mais perto de atingir todos esses objetivos”, disse o treinador italiano.

Ora, neste contexto e com muito frio à mistura, Francesco Farioli lançava Rodrigo Mora, William Gomes e Pablo Rosario no onze inicial, deixando Gabri Veiga, Pepê e Alan Varela no banco e recuperando a dupla de centrais formada por Bednarek e Kiwior, já que Thiago Silva não está inscrito na Liga Europa. Do outro lado, num Viktoria Plzen que ainda não tinha perdido na competição, que realizava o primeiro jogo oficial de 2026 depois da pausa de inverno e que também corre atrás dos oitavos de final, Martin Hyský tinha Christopher Kabongo e Matej Vydra no ataque.

O FC Porto até teve o primeiro remate do jogo, com Borja Sainz a atirar de longe para Florian Wiegele defender (3′), mas a verdade é que não foi preciso esperar muito para perceber que o Viktoria Plzen não tinha entrado em campo para sobreviver. Ainda dentro dos dez minutos iniciais, na sequência de um mau atraso de Kiwior para Diogo Costa, Lukás Cerv apareceu à entrada da grande área e tirou um pontapé perfeito que não deu qualquer hipótese ao guarda-redes e abriu o marcador (6′).

Os checos poderiam ter aumentado a vantagem logo a seguir, num lance em que Christopher Kabongo falhou o alvo por muito pouco (12′), e os dragões só conseguiram efetivamente assentar a partir do quarto de hora. O FC Porto tinha mais bola, é certo, mas não conseguia transformar essa posse em praticamente nada e sofria com a pressão individualizada do Viktoria Plzen, que asfixiava Kiwior e impedia a saída a jogar da equipa de Francesco Farioli.

Os dragões ficaram perto de empatar por intermédio de Borja Sainz, que atirou para as mãos de Florian Wiegele na cara do guarda-redes (18′), mas os checos causavam perigo sempre que encontravam espaço para lá do meio-campo e Amar Memic, com mais um grande remate de longe, viu a bola passar a centímetros da trave (24′). Martin Hyský foi forçado a fazer a primeira substituição já depois da meia-hora, trocando o lesionado Kabongo por Prince Adu, e o ganês ainda quase marcou com um pontapé em jeito que passou ao lado (41′).

À beira dos descontos, porém, o jogo sofreu um solavanco. Na sequência de um canto na esquerda, Kiwior cabeceou e Matej Vydra evitou o golo junto ao poste (45′), mas o árbitro da partida assinalou grande penalidade por mão na bola depois de analisar as imagens do VAR e expulsou o capitão dos checos com cartão vermelho direto. Samu, porém, repetiu o que tinha feito no fim de semana contra o V. Guimarães e falhou o penálti, já que nem sequer acertou na baliza (45+4′). Ao intervalo, o FC Porto estava a perder com o Viktoria Plzen na República Checa.

Francesco Farioli mexeu logo no início da segunda parte, para trocar Borja Sainz por Pepê, e os primeiros minutos mostraram desde logo que o Viktoria Plzen ia mudar de atitude, resguardar a vantagem e defender a inferioridade numérica, abdicando de pressionar tão alto e juntando setores para recuar no terreno. Ou seja, ficava claro que o FC Porto estava obrigado a cumprir 45 minutos de enorme paciência.

Sem qualquer oportunidade ou situação de perigo nos primeiros dez minutos da segunda parte, apesar da superioridade absoluta, Farioli decidiu fazer mais duas substituições e lançou Francisco Moura e Gabri Veiga para as saídas de Alberto Costa e Rodrigo Mora, com Martim Fernandes a passar para a direita da defesa. Junto da baliza dos checos, porém, nada de significativo acontecia.

Pablo Rosario deu um autêntico pontapé no marasmo com um remate forte de fora de área que passou perto da baliza de Florian Wiegele (67′) e o treinador dos dragões forçou ainda mais com a entrada de Deniz Gül e Alan Varela para os lugares de Martim Fernandes e William Gomes, obrigando Pablo Rosario a adaptar-se a lateral-direito. Gül teve uma boa oportunidade para empatar com um remate cruzado que o guarda-redes defendeu com o pé (79′), Moura teve um golo anulado por mão na bola de Samu (85′), mas a definição só apareceu já à beira dos descontos.

Kiwior cruzou na esquerda, Gül recebeu na área e rodou da melhor maneira para rematar e empatar (90′). No fim, o FC Porto empatou com o Viktoria Plzen na República Checa e somou mais um ponto na Liga Europa, tendo agora 14, garantindo matematicamente o playoff de acesso aos oitavos de final — e podendo ainda assegurar a qualificação direta consoante os resultados da última jornada. E valeu o golo do eterno suplente para salvar uma famiglia portista que continua a tremer sempre que cruza a fronteira.