O terceiro lugar no Mundial da Guatemala de 2000, naquela que foi a expressão inicial numa competição internacional da primeira grande geração nacional no futsal. A meia-final perdida no desempate por grandes penalidades no Europeu de 2007 a que se seguiu, em 2010, a primeira presença numa decisão perdida com a Espanha. Os quartos lugares no Europeu de 2014 e no Mundial de 2016. Portugal estava consolidado na alta roda da modalidade mas continuava com aquela sensação de “promessa adiada” pela falta de títulos. Qual teoria do ketchup tantas vezes falada no futebol, era só uma questão de aparecer o primeiro. Hoje, oito anos depois e com um único deslize pelo meio, a Seleção continua a ser olhada dessa mesma forma.
Se as palavras de Jorge Braz, que comanda este processo há mais de 15 anos, ajudam a explicar muito do sucesso do conjunto nacional, os números são um teste de algodão que não falha. Porquê? A partir de mais uma frustrante derrota com a Argentina na meia-final do Campeonato do Mundo de 2016 (a que se seguiu outro desaire no desempate por grandes penalidades com o Irão na luta pelo terceiro lugar), Portugal entrou numa série que envolveu largos meses sem qualquer derrota oficial entre a conquista de dois Campeonatos da Europa (2018 e 2022), um Mundial (2021) e uma Finalíssima (2022). O que falhou? O Mundial de 2024, com uma inesperada derrota com o Cazaquistão nos oitavos por 2-1 a apenas 14 segundos do final.
Esse remate de Tursagulov travou uma série de vitórias consecutivas em grandes competições mas deixou também o mote para recomeçar tudo de novo. Em termos de jogadores, e olhando para essa convocatória, não estão presentes João Matos, Fábio Cecilio, André Corrreia e o lesionado Zicky Té para a entrada de caras novas como Bernardo Paçó, Diogo Santos ou Rúben Góis além do regressado Pauleta mas, mais relevante do que isso, houve uma tentativa de mudança de chip para evoluir na continuidade e regressar às grandes decisões. Para já, em termos oficiais, Portugal chegava com quatro triunfos na qualificação. Na mentalidade, era como se atletas com centenas de internacionalizações e dezenas de títulos começassem do “zero”.
“Tem de ser sempre como se fosse a primeira vez. Começaremos sempre na base da montanha. Não começamos com vantagem por sermos bicampeões europeus mas não começamos desfavorecidos porque a última correu mal. Continuamos a ter as nossas valências e competências. Teremos de ir trepando e preocupar-nos connosco, para sermos esse Portugal que adora jogar futsal, ter comportamentos positivos e ambiciosos, e saber que todos os jogos serão para ganhar”, comentara Jorge Braz, neste caso à agência Lusa, antes da estreia de Portugal na competição frente à Itália, no final da primeira jornadas dos quatro grupos.
É mais difícil mas queremos manter-nos no topo. Temos a capacidade para estar presente nas finais e a oportunidade de ganhar títulos. O futsal tem um potencial de crescimento enorme e, se nos distrairmos, pode haver surpresas com facilidade. Teremos de saber gerir e equilibrar os jogos. O nível de distração tem de ser muito menor do que há uns anos”, frisara o selecionador.
Já sobre as mudanças nos convocados, à exceção do caso de Zicky Té que seria sempre chamado por ser um dos melhores pivôs do mundo mas que se encontra lesionado, Jorge Braz falou de “um indicador muito positivo do desenvolvimento do futsal português”. “É normal que haja vários jogadores que não estão cá, mas, se estivessem aqui, os objetivos estariam inalterados e a minha confiança seria exatamente igual. Agora, só podem ir 14. Tenho um respeito muito grande por todos os que se esforçaram imenso, que têm levado o futsal português a um patamar muito interessante e que podiam ser uma opção”, destacou.
“O [Rúben] Góis foi tendo as suas oportunidades, pelo trabalho que tem feito nos clubes e pelo patamar que atingiu. O Bernardo [Paçó] e o Diogo [Santos] já tinham feito praticamente toda a qualificação connosco, num nível e patamar elevadíssimos. São estreantes mas já com um alto nível de experiência. Não olho muito por esse ‘rótulo’, olho mais pela irreverência e o que acrescenta em variabilidade, complementado com gente experiente, que sabe gerir momentos e aglutinar todas as competências. Se o João [Matos] estivesse cá, seria uma pessoa de inteira confiança? Claramente, até a outros níveis, como capitão. Difícil humanamente mas profissionalmente são as decisões que temos de tomar. O Zicky está com problemas físicos e não está em condições neste momento. Claro que também custa, mais por ele, mas estará aí no futuro. Neste momento, não está no seu melhor e, aqui, tem de estar quem está no auge. Foi essa a opção”, acrescentou.
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Os 14 convocados de Portugal para o Campeonato da Europa de 2016
- Guarda-redes (2): Edu (El Pozo Múrcia) e Bernardo Paçó (Sporting)
- Fixos (2): André Coelho (Benfica) e Tomás Paçó (Sporting)
- Fixo/Ala (1): Afonso (Benfica)
- Universal (1): Erick (Barcelona)
- Alas (7): Tiago Brito (Sp. Braga), Diogo Santos (Sporting), Pauleta (Sporting), Lúcio Rocha (Benfica), Pany (Benfica), Kutchy (Benfica) e Bruno Coelho (Riga Futsal)
- Pivô (1): Rúben Góis (Rio Ave)
Rúben Góis passou três anos lesionado, foi operado duas vezes, ultrapassou um calvário de fisioterapias e agora foi convocado por Portugal para o Europeu de Futsal.pic.twitter.com/aafcFj4qO4
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Contas feitas, e olhando para todos os encontros oficiais desde o início de 2017 (no pós-Mundial realizado na Colômbia), Portugal somou 47 vitórias (incluindo desempates por penáltis), quatro empates e apenas duas derrotas, com o Cazaquistão no Mundial de 2024 e, antes, com a Geórgia na fase de qualificação para a mesma prova. Ou seja, e nesse período de nove anos, conseguiu alcançar uma eficácia de vitórias a rondar os 89%. No entanto, a evolução dos tempos trouxe também um outro nível de competitividade na modalidade, com o aparecimento de novos valores em busca de um espaço como “potência” e o aumento de qualidade de equipas de nível “médio”. Por isso, Jorge Braz via com cautelas a primeira fase no grupo D, com a estreia frente à Itália este sábado antes dos jogos com Hungria (terça-feira) e Polónia (quinta-feira).
Primeiro treino em Liubliana ????️#FazHistória | #FutsalEURO pic.twitter.com/UhIfyVzSgw
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“São três seleções muito organizadas, muito competitivas. A Itália com jogadores de um nível muito bom, a Polónia é extremamente competitiva e tem crescido muito, e a Hungria sabe gerir, está muito organizada e tem evoluído. É o grupo que temos. O mais importante neste momento é perceber como nos vamos preparar para vencer o grupo. Não há aqui outra forma de olhar para isto. Nós queremos vencer o grupo e queremos olhar para nós. A seleção mais importante do nosso grupo somos nós. Mas somos do grupo D, o que pode trazer uma ligeira vantagem. Logisticamente, estar sempre no mesmo país também é uma vantagem. Portanto, desse lado logístico, de organização, de preparação, esse é sempre o lado de que gosto mais. Nesse sentido, foi um bom sorteio”, comentara o selecionador nacional depois do sorteio do Europeu.
A nossa mentalidade ????????????
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“É um grupo interessante. A Itália tem uma equipa extremamente experiente. Está mais competitiva e qualificou-se de forma sensacional no playoff contra o Cazaquistão, o nosso último carrasco. Será o primeiro jogo e um adversário interessante para iniciarmos a competição de pestana aberta. A Hungria é uma seleção extremamente organizada, com um selecionador espanhol muito competente e uma dinâmica muito interessante. Sabe muito bem o que fazer em todos os momentos do jogo. E a Polónia é uma das seleções europeias que mais tem crescido: a liga polaca tem crescido muito e tem vários jogadores portugueses, que vou acompanhando. São extremamente físicos, diretos e pacientes. Este é o perfil global de três seleções que nos vão criar imensos problemas”, apontou Jorge Braz antes da estreia frente a uma equipa transalpina que ainda conta com o veterano Alex Merlim, do Sporting, além de Gabriel Motta, do Cartagena.
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O calendário do Campeonato da Europa de 2016
- 21 de janeiro: Croácia-França (A, 2-2) e Letónia-Geórgia (A, 4-0)
- 22 de janeiro: Arménia-Ucrânia (B, 2-1) e Lituânia-Rep. Checa (B, 3-3)
- 23 de janeiro: Bielorrúsia-Bélgica (C, 0-4) e Eslovénia-Espanha (C, 1-4)
- 24 de janeiro: Itália-Portugal (D, 13h30) e Hungria-Polónia (D, 16h30)
- 25 de janeiro: Croácia-Geórgia (A, 13h), Arménia-Rep. Checa (B, 13h), França-Letónia (A, 16h) e Ucrânia-Letónia (B, 16h)
- 26 de janeiro: Bielorrússia-Espanha (C, 17h30) e Bélgica-Eslovénia (C, 19h30)
- 27 de janeiro: Hungria-Portugal (D, 16h30) e Polónia-Itália (D, 19h30)
- 28 de janeiro: Letónia-Croácia (A, 16h30), Geórgia-França (A, 16h30), Lituânia-Arménia (B, 19h30) e Rep. Checa-Ucrânia (B, 19h30)
- 29 de janeiro: Eslovénia-Bielorrússia (C, 16h30), Espanha-Bélgica (C, 16h30), Portugal-Polónia (D, 19h30) e Itália-Hungria (D, 19h30)
- 31 de janeiro: 1.º grupo A-2.º grupo B (jogo 1) e 1.º grupo B-2.º grupo A (jogo 3)
- 1 de fevereiro: 1.º grupo D-2.º grupo C (jogo 4) e 1.º grupo C-2.º grupo D (jogo 2)
- 4 de fevereiro: vencedor jogo 1-vencedor jogo 2 e vencedor jogo 3-vencedor jogo 4
- 7 de fevereiro: jogo de 3.º/4.º lugares e final