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Chuva continua imparável até ao fim do mês. A culpa é de um “rio atmosférico” que vai manter o “comboio de tempestades” a chegar a Portugal

Este artigo tem mais de 6 meses

A tempestade Ingrid está a terminar mas o mau tempo continua até fevereiro. Jato polar traz consigo tempestades e frentes atlânticas que vão atingir Portugal continental em cheio na segunda-feira.

Aviso laranja devido à chuva
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ESTELA SILVA/LUSA

ESTELA SILVA/LUSA

A chuva vai continuar a cair em força em Portugal continental até 31 de janeiro, devido a um “comboio de tempestades” que vai atingir a costa portuguesa ao longo dos próximos dias. Em certas regiões, a precipitação pode chegar aos 300 milímetros.

Esta sucessão de tempestades justifica-se pela passagem da jetstream, um tipo de corrente de ar polar que circula a alta velocidade e traz consigo massas de ar frio, pelo nosso país. Por norma, nesta altura do ano, ela passa mais a norte na Europa, mas a presença de anticiclones entre a Gronelândia e a Escandinávia obriga-a a mover-se mais a sul que o habitual, atingindo então o nosso território.

É por isso que, depois da Ingrid, vem ainda mais mau tempo, já que, segundo o meteorologista Alfredo Graça, a corrente vai trazer consigo um “rio de humidade” proveniente das Caraíbas e que “atingirá a nossa geografia em cheio nos próximos dias.”

Até domingo, o estado do tempo vai melhorar ligeiramente, com chuva ligeira nas suas primeiras horas e um período de acalmia até ao final deste dia. No entanto, será ainda este fim de semana em que este “rio” chegará ao centro-sul do país, alastrando-se pelo restante território na segunda-feira.

“Isto reforçará as sucessivas frentes que chegarão ao longo da próxima semana, especialmente nas zonas orograficamente mais expostas a Oeste e Sudoeste, onde os registos de chuva serão bastante consideráveis”, alerta o meteorologista. Ou seja, traz consigo o tal “comboio de tempestades”.

Meteored

Segundo o modelo europeu de previsão, só a Madeira será relativamente poupada, ainda que também enfrente chuva. Já em Portugal continental e nos Açores “prevê-se chuva generalizada”, sendo que, até sexta-feira, os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real, Viseu e Coimbra — além da Serra da Estrela —  podem contar com registos de precipitação “superiores a 200 ou 250 mm”. No entanto, há zonas no Minho, no Douro Litoral e no distrito de Aveiro, como a Serra da Freita, onde tais valores podem subir até aos 300 mm. No resto do país, prevê-se 100 mm de chuva ou menos.

O IPMA também já revelou a sua previsão para esta semana, falando em precipitação “muito superior ao normal” no continente até ao primeiro dia de fevereiro. “Os valores mais elevados de precipitação acumulada na semana deverão ser da ordem de 200 mm nas regiões montanhosas do Norte e Centro, valores estes que, em muitos locais, serão superiores ao valor médio do mês de janeiro”, lê-se na publicação.

Como tal, Alfredo Graça alerta que “a precipitação abundante e excessiva resultará num risco elevado de transbordamento de rios, cheias rápidas nas margens e zonas adjacentes ou historicamente vulneráveis”, além de que “o mar agitado poderá provocar galgamentos costeiros, contribuindo para inundações em zonas ribeirinhas”.

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