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O calcanhar de um líder que orientou a equipa sem capitão (a crónica do Sporting-Nacional)

Este artigo tem mais de 6 meses

Sporting acusou em demasia a ausência de Hjulmand no meio, andou muitas vezes perdido em campo mas voltou a ser resgatado por um Luis Suárez que deu a quarta vitória consecutiva nos descontos (2-1).

Luis Suárez voltou a ser decisivo nos minutos finais do jogo, como tinha acontecido com o PSG e com o Arouca para nova vitória por 2-1
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▲Luis Suárez voltou a ser decisivo nos minutos finais do jogo, como tinha acontecido com o PSG e com o Arouca para nova vitória por 2-1

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

▲Luis Suárez voltou a ser decisivo nos minutos finais do jogo, como tinha acontecido com o PSG e com o Arouca para nova vitória por 2-1

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

Uma explosão em Alvalade em cima do minuto 90 com o PSG, outra explosão em Arouca no último minuto de descontos, mais uma explosão em Bilbau no quarto minuto do tempo extra. Os derradeiros três encontros do Sporting confirmaram não só a vertigem ofensiva que a equipa ganha na parte final para chegar ainda ao golo mas também a fibra de um conjunto incansável sempre disposto a dar o passo em frente quando mais precisa. Nessa perspetiva, a própria classificação na Liga à 20.ª jornada acabava por ser um “engano”. Sim, os leões claudicaram nas partidas com os top 5 e foi aí que perderam todos os pontos na Liga. Todavia, numa análise mais fina, a única coisa “anormal” é a extraordinária temporada que o FC Porto está a fazer a todos os níveis, tendo em conta que o bicampeão nacional até tem mais um ponto do que na época passada, está nos quartos da Taça de Portugal e conseguiu uma qualificação direta para os oitavos da Champions.

Sporting-Nacional. Leões procuram quinta vitória seguida para reduzirem distâncias para o FC Porto

“Deslumbramento depois de Bilbau? No nosso diálogo vamos tentando chamar à terra mas sei o grupo que tenho e que lidero”, comentara Rui Borges, garantindo que o foco já estava focado no Nacional apesar desse triunfo histórico em Espanha e na antecâmara de dois jogos fulcrais. “Depois dos jogos de Champions há sempre estes momentos, tornam-se jogos difíceis pelo desgaste físico e mental. Temos de lutar contra isso, só um grande coletivo consegue lutar e manter a qualidade e intensidade. Esse é o desafio. Sei a equipa que lidero e acredito que a ambição e responsabilidade deles é de que temos de ganhar. Sabemos que vamos defrontar uma boa equipa, bem organizada e competitiva, mas com a ajuda dos adeptos, com a nossa ambição de vencer e lutar pelo Campeonato…”, apontara, no início de mais um “ciclo” sem tréguas entre a receção ao Nacional, os quartos da Taça com o AVS e uma deslocação que pode ser decisiva ao Dragão.

“A equipa está sempre com a responsabilidade lá. Não é a semana mais importante, é importante. Eu percebo. Discute-se a passagem na Taça, estamos no segundo lugar mas ainda há muitos jogos. O Sporting não fica contente com uma Taça, fica contente por lutar por tudo. Estamos dentro de todas as provas e é por isso que vamos fazer de tudo. Percebo que é uma semana importante, porque jogamos depois com o primeiro fora de casa, mas é um jogo como os outros. Primeiro temos de vencer o Nacional, depois vencer o AVS e só aí pensaremos no FC Porto”, garantira Rui Borges, entre muitos elogios ao adversário que teria pela frente.

“O Tiago Margarido tem feito um grande trabalho no Nacional. Para nós treinadores, e neste caso ele, fazer o 100.º jogo à frente do Nacional… Deve ser o treinador que está há mais tempo à frente do mesmo clube. É uma boa equipa, forte, principalmente no contra-ataque, ataque rápido e transições. O Veron acrescentou ainda mais qualidade ao plantel. É uma equipa que, fora, perdeu sempre pela margem mínima. Bateu-se muito bem com o FC Porto, venceu o Sp. Braga… Vamos encontrar uma equipa super competitiva, forte em duelos. Fazem algumas faltas e isso faz parte da intensidade com que encaram o jogo. Uma equipa forte em bolas paradas ofensivas, muito bem trabalhada nesse momento. Isto tudo depois de um jogo de Champions, que acaba por ser sempre difícil a equipa estar ao mesmo nível. Mas a ambição está lá e acredito que faremos um grande jogo”, reforçara o técnico a propósito dessas dificuldades “extra”.

Em paralelo, existia também essa dúvida em relação à utilização ou não de Luis Suárez e Pedro Gonçalves, que estavam “tapados” por amarelos e corriam o risco de falhar o encontro no Dragão. “Zero condicionados. Queremos olhar para o Nacional, quero ganhar o próximo e é isso que importa. Vão os dois para jogo, são opção e conto com eles. Eles sabem melhor do que ninguém que têm quatro amarelos mas o mais importante é ganhar ao Nacional. Depois quem estiver disponível frente ao FC Porto dará uma boa resposta”, relativizara Rui Borges, mesmo sabendo da importância dos jogadores em causa tendo em conta que era o melhor marcador da equipa e um dos elementos mais influentes como se viu na segunda parte em Bilbau.

Prometido e cumprido. Apesar dessa condicionante, os dois foram titulares e os dois foram determinantes. Pedro Gonçalves teve uma primeira parte apagada mas cresceu no segundo tempo e voltou aos golos, Luis Suárez mostrou a importância de ter um avançado decisivo e, já depois de falhar um golo fácil no final da primeira parte, viu um golo fantástico anulado antes de marcar o 2-1 da vitória nos descontos de calcanhar. No entanto, esta não deixou de ser uma noite estranha em Alvalade, com o Sporting a ter uma das piores exibições acusando em demasia a falta de Hjulmand, que ficou de fora depois de uma alegada investida do Atl. Madrid para levar já o capitão para Espanha. Essa novela ainda terá capítulos por contar mas aquilo que fica é uma equipa demasiado errática, muitas vezes perdida no campo e que, entre o golo de Suárez, voltou a ter Alisson como jóquer saído do banco… a poucas horas de rumar a Itália para assinar pelo Nápoles.

Ficha de jogo

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Sporting-Nacional, 2-1

20.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Ricardo Baixinho (AF Lisboa)

Sporting: Rui Silva; Fresneda, Eduardo Quaresma, Diomande, Maxi Araújo; João Simões (Francisco Trincão, 63′), Morita; Geny Catamo (Alisson, 80′), Pedro Gonçalves (Kochorashvili, 80′), Luís Guilherme (Souleymane Faye, 63′) e Luis Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia, Vagiannidis, Daniel Bragança, Gonçalo Inácio e Ricardo Mangas

Treinador: Rui Borges

Nacional: Kaique; Alan, Léo Santos, Zé Vítor, José Gomes; Matheus Dias, Joel Silva (Laabidi, 80′), Liziero (André Sousa, 90+1′); Gabriel Verón (Daniel Júnior, 80′), Paulinho (Witi, 65′) e Chuchu Ramírez (Lucas João, 90+1′)

Suplentes não utilizados: Kevyn, Miguel Baeza, Francisco Gonçalves e Deivison

Treinador: Tiago Margarido

Golos: Pedro Gonçalves (72′), Alan Núñez (76′) e Luis Suárez (90+6′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Léo Santos (28′), Zé Vítor (55′) e Alan Núnez (87′)

O minuto inicial trouxe logo um susto para o Sporting, com Rui Silva a perceber na prática as dificuldades que o relvado molhado podia trazer com um passe mal medido que por pouco não permitiu um desvio para a baliza de Paulinho. No entanto, não foi por esse lapso que os leões perderam confiança, querendo assumir de início o comando da partida perante um Nacional num bloco médio que dava a profundidade ao ataque verde e branco mas com duas muito juntas que tiravam o espaço entre linhas ao meio para Pedro Gonçalves ou Luis Guilherme, quando jogava mais por dentro, fazerem a diferença. Assim, os minutos foram passando sem grandes oportunidades, com o Sporting a ganhar outra vida quando a bola entrava em Maxi Araújo e o Nacional a dar sempre sinais de relativo perigo quando conseguia sair. E foram mesmo os madeirenses que beneficiaram a primeira oportunidade, com um mau passe de Geny após canto a originar um ataque 3×1 com Paulinho a assistir Gabriel Verón para o desvio cortado pelo mesmo Geny em cima da linha (12′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Sporting-Nacional em vídeo]

O moçambicano festejou como um leão esse lance, um pouco como acontece às vezes no futsal quando um defesa consegue evitar um remate adversário, mas nem por isso conseguiu dar o mote para um crescimento do Sporting. O processo de construção estava lento e previsível, Pedro Gonçalves passava ao lado de tudo e todos perante as linhas juntas dos insulares que faziam depois uma espécie de teia em torno do criativo, o jogo pelos corredores laterais trazia outros argumentos mas raramente conseguia depois colocar a bola em condições na referência Suárez. Foi assim que os minutos foram passando, tendo um Nacional confortável no jogo e sempre à procura de sair rápido com Paulinho, Verón e Chuchu Ramírez e um Sporting que ainda ficou a pedir penálti por agarrão sobre Diomande na área que o VAR viu e decidiu não sancionar.

Só mesmo na parte final da primeira metade houve mais Sporting, com remates, aproximações e uma chance flagrante que podiam ter colocado os leões na frente. João Simões, num remate de meia distância feito de pé direito, enquadrou o primeiro tiro na baliza dos insulares com defesa segura de Kaique (35′). Pouco depois, numa jogada de envolvimento pelo meio descaído sobre a esquerda, Maxi Araújo conseguiu colocar Luis Guilherme a correr de forma isolada para a área mas o brasileiro não conseguiu rematar nem dar em Suárez, que estava sozinho ao segundo poste (37′). A seguir, e numa das raras ocasiões em que conseguiu receber e trabalhar entre linhas, Pedro Gonçalves combinou com Luis Guilherme mas o remate saiu de novo à figura do guarda-redes dos insulares (40′). Por fim, e já em período de compensação, Geny Catamo conseguiu pela primeira vez ganhar a profundidade pela direita, cruzou tenso de pé direito para a área mas Luis Suárez, isolado, tocou de primeira para grande intervenção de Kaique para canto (45+1′). O caminho para a baliza estava descoberto pelos verde e brancos mas nem por isso o nulo estava desfeito antes do intervalo.

A segunda parte começou sem alterações e com muita confusão à mistura, entre escorregadelas, ainda mais passes falhados e remates de pés trocados, como aconteceu com Maxi Araújo na área (48′). O Sporting dava a ideia de ter outros argumentos para fazer a diferença no último terço sempre em lances que começavam nos corredores laterais e tinham finalização ao meio, mas o Nacional também conseguiu duas saídas que, com uma melhor definição, podiam ter colocado a defesa verde e branco em apuros. Maxi Araújo teve um livre direto bem colocado que foi desviado por Kaique para canto (56′), Luis Guilherme demorou duas vezes em demasiada na área para decidir, Pedro Gonçalves tentou duas vezes abrir no movimento de rutura de Luis Suárez com a bola cortada pelos centrais insulares e chegava o momento das alterações, com Rui Borges a lançar Francisco Trincão e o estreante Souleymane Faye para abrir mais a frente de ataque (63′).

Apesar de ir tentando sempre sair em transições, o Nacional percebia também que esta era uma fase para ter mais bola. Quando conseguiu, enervou os leões: os passes errados aumentaram, Eduardo Quaresma arriscou muito num lance com Verón na área, a capacidade de pressão verde e branca também não era a melhor. No entanto, se antes parecia haver alergia ao golo, a partir daí era só baliza: José Gomes teve um remate para defesa apertada de Rui Silva (72′), no lance seguinte Pedro Gonçalves marcou num lance em que a bola fez os três corredores até ao remate de Francisco Trincão para defesa de Kaique e recarga para o 1-0 (72′), Alan Núñez fez o empate de seguida aproveitando uma intervenção deficiente de Rui Silva a remate de Gabriel Verón (76′). Tudo voltava à “estaca zero” até aparecer o herói do costume: depois de ter visto um (grande) golo anulado por fora de jogo de oito centímetros (88′), Luis Suárez não desistiu e, na sequência de uma jogada entre Eduardo Quaresma e Alisson na esquerda, desviou de calcanhar para o 2-1 aos 90+6′.

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