O terceiro jogo foi o menos conseguido, o terceiro jogo valeu tanto como os anteriores. A primeira fase deste Europeu colocava Portugal como claro favorito à passagem aos quartos via grupo D mas não deixava de ter potencial para promover surpresas. A Seleção não permitiu. Ganhou à Itália com uma segunda parte a todo o gás, goleou também a Hungria num jogo onde ficou a dever a si uma goleada maior, bateu também a Polónia pela margem mínima mas suficiente não só para garantir o primeiro lugar no grupo como para fazer da equipa nacional uma das três só com vitórias na fase inicial, neste caso com o segundo melhor ataque e defesa apenas superado pela Espanha. Agora, seguiam-se os quartos… com um olho já para as meias.

Três jogos, três triunfos, a três batalhas do tri: Portugal bate Polónia, termina fase de grupos só com vitórias e vai defrontar Bélgica

Portugal estava a três jogos de chegar a um inédito tricampeonato europeu, tendo como primeiro adversário na fase a eliminar uma Bélgica que chegou quase por “milagre” aos quartos: depois de uma boa entrada com um 4-0 à Bielorrússia, os belgas perderam com a Eslovénia aquele que deveria ser o jogo chave para decidir a segunda posição do grupo C, foram depois goleados por claros 10-3 pela Espanha mas beneficiaram de uma surpreendente derrota dos eslovenos com os bielorrussos para ganhar vantagem no confronto direto quando provavelmente nem os próprios acreditavam. Ainda assim, aquela primeira partida mostrara que a Bélgica era capaz de surpreender e era também esse o sinal de alerta que ficava para Jorge Braz.

“Eles têm jogadores muito intuitivos, sabem muito bem o que o momento pede e exige. O jogo é sempre imprevisível e aleatório, o contexto e o momento é que definem as nossas ações e decisões. Eles nessa aleatoriedade resolvem os problemas com muita competência. Isso tem um lado positivo e negativo, vamos ver se conseguimos realçar o que isso pode trazer de vantajoso para nós”, explicara o selecionador na antecâmara da partida. “A Bélgica é uma equipa que quer ter bola no pé, construir, ir 1×1, tem bola parada. Tem jogadores que gostam de jogar mas nós também. Estamos muito mais focados no que temos de fazer e como vamos realçar Portugal. Temos de ser o foco central. Nada muda na mensagem a passar, é mais fácil agora. Isto é a linha ténue entre o sucesso e o insucesso. Perder este jogo implica irmos para casa, ganhar este jogo implica irmos até ao fim. Estamos focados para passar essa linha”, acrescentara Braz em conferência.

Portugal chegava a este jogo com um total de 11 vitórias consecutivas em Europeus, entre a saga que levou ao primeiro título em 2018 e a reedição quatro anos depois também com triunfo no final, sendo preciso recuar até 2016 para se ver uma derrota da Seleção, nesse caso nos quartos com a Espanha. No entanto, e apesar de ter um histórico positivo diante da Bélgica com dez vitórias em 18 encontros, os dois testes particulares em 2022 estavam ainda na memória, com um triunfo belga por 3-2 e uma vitória nacional também pela margem mínima (4-3). Agora, a superioridade de Portugal foi inequívoca, com a Bélgica a começar na frente mas a não ter argumentos para contrariar a Seleção, que goleou e vai agora defrontar nas meias-finais, na quarta-feira, a França, que este sábado conseguiu vencer a Ucrânia por 4-2 após prolongamento.

Vrancken não demorou a apresentar a candidatura a figura do encontro, com duas defesas no mesmo lance após livre direto de Tomás Paçó no minuto inicial. Rúben Góis foi aposta de Portugal nos minutos iniciais mas a Bélgica continuava a ter uma organização defensiva coesa sem nunca descurar as saídas rápidas, como aconteceu num lance em que o banco belga pediu VAR sem sucesso por uma possível falta de Bernardo Paçó na área. Kutchy, Pany Varela e Pauleta tentavam ser o “abre-latas” que conseguisse desbloquear o jogo mas o bloco baixo belga continuava a levar a melhor e chegou mesmo à vantagem, com Rahou a ter um trabalho individual soberbo frente a André Coelho antes de rematar e Pany Varela fazer um autogolo (9′).

A Bélgica ainda voltou a ameaçar o golo pouco depois, em mais uma reposição de Grélio que por pouco não teve desvio final para a baliza, mas Portugal não acusou a desvantagem, partindo para um duelo particular com Vrancken que continuou a cair para o guarda-redes contrário, com duas grandes intervenções no mesmo lance a um remate de Pany Varela e à recarga de Tiago Brito (10′) antes de nova defesa a uma tentativa de Tiago Brito. Rahou continuava a ser um verdadeiro quebra cabeças na frente, com Bernardo Paçó a evitar males maiores, mas era Portugal que carregava junto da baliza belga, tendo Diogo Santos a rematar ao poste (11′) antes de Bruno Coelho empatar após assistência de Afonso Jesus num lance que voltou a começar numa recuperação de Diogo Santos (12′). Estava encontrado o caminho do golo, estava desbloqueado o jogo: Pany Varela fez a reviravolta com um pontapé fantástico ao ângulo após assistência de Erick (18′), André Coelho marcou o 3-1 numa grande jogada coletiva (20′) e Bruno Coelho ainda falhou um livre direto.

A primeira parte tinha registado dois filmes distintos, com a Bélgica a segurar Portugal durante dez minutos antes de surgir a melhor versão da Seleção, mas ficara clara a ideia de que os belgas, em desvantagem, iam cometendo muito mais erros sem bola que podiam ser aproveitados. Foi isso que aconteceu, com a goleada a tornar-se quase inevitável: Rúben Góis fez o 4-1 aparecendo sozinho na área numa reposição lateral de Bruno Coelho (23′), Pany Varela bisou numa saída rápida com remate rasteiro sem hipóteses para Vrancken (26′), Lúcio Correia aumentou para 6-1 quando o cinco mais novo nacional estava na quadra (29′). Buyl ainda teve um remate ao poste mas, sem nada a perder, a Bélgica arriscou mesmo o 5×4 com guarda-redes avançado e reduziu por Aabbou (33′) mas a história do jogo estava escrita com nova goleada de Portugal que seria aumentada nos últimos 20 minutos, com Pauleta a estrear-se a marcar e Pany a fazer o hat-trick.