A noite com “mais precipitação” que tanto preocupação gera para a madrugada desta quinta-feira será de chuva constante e muito intensa, vento forte e com rajadas acima de 100 km/m, mar muito agitado com ondas que podem chegar aos 11 metros e o regresso da neve. A culpa é do sistema frontal mais ativo da tempestade Leonardo a que se juntou o enorme rio atmosférico que atravessa o Atlântico desde a República Dominicana transportando quantidades brutais de vapor de água. Esta frente vai atravessar o país de oeste para leste, entrando pela zona abaixo de Leiria e saindo no baixo Alentejo para a Andaluzia. E abrirá a torneira entre a Grande Lisboa, a península de Setúbal e o Alentejo.
⚠️ Esperamos risco extremo de cheias até dia 10 de fevereiro, mas existem elevadas probabilidades de este episódio de chuvas intensas se prolongar além dessa data ????️ pic.twitter.com/7vZIMKARb2
— BestWeather (@bestweather_) February 4, 2026
O pico será por volta do amanhecer, entre as 5h00 e as 6h00, a coincidir com a maré alta, o que aumenta exponencialmente a probabilidade de inundações e cheias. Essa é, aliás, a maior preocupação das autoridades, que estão atentas aos principais rios, já todos eles a sair das margens desde a noite de quarta-feira. Os caudais estão todos no máximo, as barragens a descarregar, e os solos saturados, pelo que as cheias e inundações depois da chuva intensa podem ser muito repentinas e as medições mostravam uma subida sem parar em vários pontos do país, sem exceção e de norte a sul.
— Rui Paiva (@RuiPaiva5) February 4, 2026
A chuva só passa a regime de aguaceiros, e ainda assim com possibilidade de granizo e trovoada, a meio da manhã desta quinta. Ao mesmo tempo, e como este sistema frontal arrasta consigo uma massa de ar frio, a neve está de volta. Cairá primeiro apenas nos pontos mais altos da Serra da Estrela, e baixará depois gradualmente a cota para 900 metros nas sextas-feiras, com acumulação nas serras do norte e centro.
O vento, tal como a chuva, também diminuirá de intensidade ao fim da tarde desta quinta-feira. Mas prevê-se que volte a soprar forte a partir de sábado, em particular na região sul.
O mar continua impróprio para banhos, atividades desportivas e para a pesca. As ondas terão até seis na costa ocidental, podendo atingir 11 metros de altura máxima. Na costa sul do Algarve chegarão aos 4 metros.
Apesar de a chuva dos próximos dias se centrar especialmente na zona sul (e haverá uma nova intempérie a chegar no sábado e outra no domingo à noite), os maiores valores acumulados de precipitação destes dias deverão registar-se nas regiões montanhosas do norte e centro, segundo o IPMA. Feitas as contas, entre esta quarta e domingo, podemos chegar aos 150 a 200 mm (litros/m2).
Entre as 22h de ontem, 03 de fevereiro, e as 21h de hoje, registaram-se valores significativos de precipitação no sul de Portugal Continental, com a estação da Fóia, na Serra de Monchique, a ultrapassar os 100mm num espaço de 24h.
A chuva irá persistir durante as próximas horas… pic.twitter.com/v1dW9Ax5aj
— VOST Portugal (@VOSTPT) February 4, 2026
Toda a costa continental está sob aviso laranja até sábado às 18 horas, sendo que na Madeira os alertas (laranja e amarelo) vigoram até às 18h00 de sexta-feira.
O vento mantém todo o país sob alerta amarelo até às 18h00 desta quinta-feira (os avisos para sábado ainda não foram emitidos pelo IPMA).
Há ainda alertas laranja para neve até sábado, também até às 18h00, para os distritos de Castelo Branco e Guarda, que a partir de sexta-feira às 12h00 se estendem a Braga, Viana do Castelo e Vila Real. Porto, Bragança, Aveiro e Viseu estõ sob aviso amarelo entre as 15h00 de sexta-feira e as 6h00 de sábado.
Atenção aos Avisos Meteorológicos para Portugal Continental:
Agitação Marítima – Laranja [ 04 Fev 12:39 – 04 Fev 15:00 ]
Ondas de noroeste com 5 a 6 metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima.https://t.co/wgLnekgPCe pic.twitter.com/jBqq7BLPRi— IPMA (@ipma_pt) February 4, 2026
E quanto à chuva, Setúbal, Évora e Beja estão a laranja até às seis da manhã, passando depois a amarelo até às 9h00 desta quinta-feira. À meia noite passaram a laranja também Lisboa, Santarém e Portalegre, para o pico da tempestade. Em todos os outros distritos os alertas são amarelos e terminam também a diferentes horas da manhã.
Face aos riscos de cheias, inundações e deslizamentos de terras foi já pedida a ativação do serviço Copernicus Emergency Management Service (EMS) – Rapid Mapping, com o objetivo de disponibilizar os mapas de cartografia de emergência que permitam perceber a extensão das cheias e fazer a avaliação de danos, de modo a apoiar as operações de resposta.
Foi também emitida uma notificação de cheias rápidas (flash flood) para a região do Alentejo Litoral, dada a elevada probabilidade de serem ultrapassados os limites dos últimos 5 a 20 anos. Foram igualmente identificadas as 13 áreas do país onde podem acontecer movimentos ou deslizamentos de terras.
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