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Federação de estudantes de Hong Kong anuncia dissolução por "pressão crescente"

Este artigo tem mais de 6 meses

A HKFS, fundada em 1958, integra associações de estudantes de instituições de ensino superior da região administrativa especial chinesa e tem "uma longa história de ativismo em movimentos estudantis".

epa09516155 Visitors take photographs of the 'Pillar of Shame,' a statue depicting torn and twisted bodies by Danish artist Jens Galschiot to commemorate the victims of the 1989 Beijing Tiananmen Square crackdown, displayed at the University of Hong Kong, in Hong Kong, China, 10 October 2021. The university has informed the defunct Hong Kong Alliance in Support of Patriotic Democratic Movements of China, which was disbanded in August 2021 and to which the statue was originally donated to decades ago, that it has until 5pm on 13 October 2021, to remove the statue or else it would be deemed as 'abandoned.' The eight-metre-high 'Pillar of Shame' has been housed on the university's campus since 1997.  EPA/JEROME FAVRE
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▲Na declaração, dirigida aos cidadãos de Hong Kong, a federação estudantil indica que realizou esta quinta-feira uma reunião do comité permanente, aprovando o início do processo de dissolução

JEROME FAVRE/EPA

▲Na declaração, dirigida aos cidadãos de Hong Kong, a federação estudantil indica que realizou esta quinta-feira uma reunião do comité permanente, aprovando o início do processo de dissolução

JEROME FAVRE/EPA

A Federação de Estudantes de Hong Kong (HKFS, na sigla em inglês) anunciou esta quinta-feira a dissolução da organização com 68 anos de vida, alegando “pressão crescente”.

Ao longo de quase sete décadas, a organização “uniu as forças das várias instituições de ensino superior de Hong Kong, preocupando-se com a sociedade e lutando por reformas”, começa por dizer a HKFS, numa declaração publicada esta manhã na rede social Facebook, referindo que “nunca esteve ausente dos principais eventos políticos e sociais” do território.

“Infelizmente, com a evolução das circunstâncias, os membros da HKFS e associados têm enfrentado pressão crescente nos últimos anos”, lê-se.

Considerando “todos os fatores”, a federação “decidiu encerrar as atividades hoje”, conclui-se.

Na declaração, dirigida aos cidadãos de Hong Kong, a federação estudantil indica que realizou esta quinta-feira uma reunião do comité permanente, aprovando o início do processo de dissolução.

A HKFS, fundada em 1958, integra associações de estudantes de instituições de ensino superior da região administrativa especial chinesa e tem “uma longa história de ativismo em movimentos estudantis”, escreveu, por sua vez, o portal de notícias Hong Kong Free Press.

“Como se pode ver, muitos grupos estudantis de diferentes universidades optaram pela dissolução recentemente, e nós estávamos a enfrentar a mesma pressão. Não há nada que possamos fazer, exceto a dissolução”, disse ao portal em língua inglesa o líder da HKFS, Isaac Lai.

Países ocidentais e grupos de defesa dos direitos humanos têm denunciado um retrocesso nas liberdades em Hong Kong desde que Pequim impôs uma lei de segurança nacional à região administrativa especial em 2020.

Pequim e Hong Kong afirmam que a lei restaurou a ordem numa cidade abalada por grandes manifestações pró-democracia, por vezes violentas, em 2019, e insurgiram-se por diversas vezes contra o que descrevem como interferências externas.

A organização Human Rights Watch (HRW) afirmou na quarta-feira que “a repressão do Governo chinês destruiu o que restava das liberdades em Hong Kong”, cinco anos após a entrada em vigor da lei de segurança nacional.

No relatório anual, a HRW traça um retrato sombrio do território, denunciando a eliminação sistemática do espaço cívico, a criminalização da dissidência e o colapso da imprensa independente.

Segundo o relatório, desde 2020, “as autoridades de Hong Kong prenderam dezenas de figuras da oposição, encerraram órgãos de comunicação independentes e forçaram ao encerramento ou exílio grupos da sociedade civil”.

Para a ONG, a situação atual representa o desmantelamento de facto do princípio “um país, dois sistemas”, acordado no âmbito da transferência da soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China, em 1997.

“Cinco anos após a imposição da lei de segurança nacional, Hong Kong já não é reconhecível como uma sociedade livre”, lê-se.

O conceito “um país, dois sistemas”, originalmente proposto pelo líder chinês Deng Xiaoping (1904-1997) e aplicado pela primeira vez em 1997 e 1999, com a transferência de soberania de Hong Kong e de Macau, respetivamente, prevê ao longo de 50 anos um determinado grau de autonomia para as duas regiões, com foco no respeito pelas liberdades e garantias dos cidadãos.

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