Primeiro, a decisão de não haver etapa. Depois, a colocação dessa opção um pouco nas mãos dos corredores. No final, um híbrido que todos acabaram por aceitar: havia contrarrelógio, não contava para a classificação e a tempestade Leonardo acabava por anular aquele que seria um dos grandes momentos na estrada da Volta à Comunidade Valenciana. A partir daí, todos os corredores poderiam fazer aquilo que quisessem. Ir um pouco mais depressa, andar mais devagar, gerir esforço, testar o corpo, fazer essa experiência que não o deixa de ser de rolar numa tirada com estas características com uma bicicleta “normal” de estrada. Entre os dois grandes favoritos ao triunfo final, os ritmos foram claramente diferentes sem que isso tivesse impacto na geral.
Remco Evenepoel, que faz a primeira prova por etapas pela Red Bull-Bora depois dos triunfos em corridas espanholas de um dia no Trofeo Ses Salines, no Trofeo Serra Tramuntana e no Trofeo Andratx – Pollença, foi para ganhar e, de forma natural, foi isso que acabou por acontecer, fazendo a ligação de 17 quilómetros entre Carlet e Alginet em 20.12 minutos e confirmando uma tendência de ganhar todos os contrarrelógios desde… 2019. Só mesmo o companheiro de equipa Aleksandr Vlasov, que acabou a oito segundos, conseguiu fechar com uma média acima dos 50km/hora. Já João Almeida, num ritmo claro de “treino competitivo”, terminou numa modesta 89.ª posição a 3.44 minutos e com uma média inferior a… 43km/hora.
“Ainda havia uma vitória de etapa para conquistar depois do cancelamento dos tempos e também queria respeitar a organização. Como eles decidiram manter a corrida, eu decidi vir e lutar pela vitória. Respeito a decisão da organização. Ficámos com primeiro e segundo lugares, no final acabou por ser um resultado bom para nós. Preparamo-nos com tudo como se fosse um dia normal de contrarrelógio, incluindo aquela que era a estratégia de abastecimento e foi um bom teste com um bom resultado. Frustrado? Não. O vento estava muito forte. Diminuiu um pouco no final mas são escolhas que temos que aceitar. Já houve acidentes graves suficientes devido às más condições meteorológicas”, comentou Remco Evenepoel após o triunfo.
⏱️???? SALIDA OFICIAL | ETAPA 2 – ITT #VCV2026 ????⏱️
▶️ Pese a las incidencias, la contrarreloj individual ha tenido salida.
???? Habrá ganador de etapa, pero los tiempos no contarán para la clasificación general. pic.twitter.com/i0pHbbde5W— Volta a la Comunitat Valenciana – VCV (@VueltaCV) February 5, 2026
“A subida seria um pouco mais rápida com uma bicicleta de contrarrelógio mas a descida e os trechos com vento lateral seriam mais complicados. Trazer uma bicicleta normal de estrada teve as suas vantagens e as suas desvantagens. Para mim, não faz muita diferença. Sei que consigo andar muito rápido com uma bicicleta normal em uma prova de contrarrelógio, fiz uma mudança rápida. Decidimos correr para vencer e acho que foi uma boa decisão. Amanhã será outro dia difícil, veremos o que é possível e o que não é”, acrescentou ainda o belga, deixando uma “farpa” sem nome para corredores como João Almeida, que perante esse cenário colocado de não haver tempos a contar para a geral decidiu abrandar o ritmo dos 17 quilómetros.
O percurso favorecia-me porque tinha subidas não muito duras mas respeito a decisão da organização. Estava efetivamente muito vento e tornava-se perigoso. Era bom para mim haver um contrarrelógio porque podia pelo menos garantir um lugar no pódio, apesar de o Remco [Evenepoel] ser melhor. Mas ainda há muita corrida pela frente e é nisso que nos tempos de concentrar”, apontou João Almeida, português da UAE Team Emirates, após a segunda etapa.
No GC times today at the @VueltaCV, but our guys still gave it a hit out! ????????
It was 5th, 7th and 8th for @FlorianVermeers, @BrandonMcNult and @gro_felix, respectively ⏱️ #VCV26
Bigger tests to come tomorrow! #WeAreUAE pic.twitter.com/t9xCZw3Umj
— @UAE-TeamEmirates (@TeamEmiratesUAE) February 5, 2026
Seguia-se a ligação entre Orihuela e Sant Vicent del Raspeig ao longo de 158 quilómetros, feita para rolar mas com pequenas subidas mais na parte final incluindo uma contagem de segunda categoria mas com potencial “escondido” para surpreender como se tinha visto logo na tirada inicial desta Volta à Comunidade Valenciana quando João Almeida ficou “cortado” e teve de fazer um esforço extra para evitar perder tempo para todos os principais candidatos incluindo Remco Evenepoel, que contava também com Vlasov e Giulio Pellizzari na sua equipa. Até cerca de 30 quilómetros do final, o palco era da fuga, com Raúl García Pierna, Danny van der Tuuk, Mattia Bais, Pablo García e Matteo Fabbro a serem os últimos resistentes e a disputarem entre si o triunfo pelas bonificações que caiu para García Pierna. Era hora do pelotão assumir o protagonismo.
Ainda houve uma queda a levar alguns corredores ao chão que não poupou elementos da Emirates e da Red Bull (que não os chefes de fila mas a envolver Pellizzari) que “atrasou” o anular definitivo da fuga mas o grupo liderado por Remco Evenepoel não deu grande margem a grupo cada vez mais reduzido da frente, sendo que as movimentações começavam a ser mais que muitas entre tentativas de ataque de Vlasov, de Caruso, de Brandon McNulty e de… João Almeida, que também tentou a sua sorte a cerca de 27 quilómetros do final para testar as pernas dos principais candidatos e esticou por completo o pelotão, num ritmo que ia complicando a vida dos sprinters que tinham esperança de poder ainda lutar por uma vitória no final.
???????? João Almeida chegou integrado no pelotão, finalizando no 22º lugar, a 4 segundos do vencedor. O português ainda procurou uma movimentação no início da descida. Já Nelson Oliveira (Movistar Team) terminou no lugar 91.
— Portuguese Cycling Magazine (@PCMPTMag) February 6, 2026
???????? AJ August ????????
Ganador en Sant Vicent del Raspeig. @INEOSGrenadiers #VCV2026 pic.twitter.com/JXDcERjpkc
— Volta a la Comunitat Valenciana – VCV (@VueltaCV) February 6, 2026
Apesar dessas tentativas, o grupo que se formou na frente a cerca de 20 quilómetros trazia outros nomes e uma enorme vontade de surpreender. Não foi por muito, conseguiu: apesar do esforço do pelotão em voltar a encostar nos derradeiros três quilómetros, os quatro fugitivos imperaram na chegada, com o triunfo a sorrir ao jovem AJ August, da Ineos (primeiro da carreira como profissional), seguido de Ådne Holter (Uno-X), Florian Vermeersch (Emirates) e Jonathan Vervenne (Soudal Quick-Step). Ben Turner, Biniam Girmay ou Magnus Cort, nomes que poderiam lutar por um triunfo ao sprint, entraram no top 10 que foi fechado por Vlasov, numa tirada que deixou João Almeida na mesma colado a um segundo de Remco Evenepoel com tudo em aberto para a decisiva ligação deste sábado entre La Nucia e Teulada.
???????? Volta Comunitat Valenciana Etapa 4
⭐⭐⭐R. Evenepoel
⭐⭐B. McNulty, A. Vlasov, J. Almeida
⭐I. Romeo, A. Tiberi, M. Vacek, P. Martí???? V. Soennes … G. Pellizzari
???? Castrillo, J.Kulset, Soler, Sheffield, Tao GH, R. García #VCV2026 172.2 Kms pic.twitter.com/r9areH6bHR
— Jesús Eguizábal (@jesus_egizabal) February 6, 2026
[Dezenas de portuguesas, recrutadas numa escola de yoga e tantra em Lisboa, acabaram em sites de sexo na internet. Elas, e mulheres de vários outros países, tinham em comum serem seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Ouça o segundo episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio.]