Espanha voltou ao topo da Europa. Pela oitava vez, esta frase volta a ser ecoada quando se fala em Campeonatos da Europa de futsal. Pelo caminho ficou Portugal no final de uma trajetória quase imaculada, com a equipa de Jorge Braz a superar França, Bélgica, Polónia, Hungria e Itália, antes de cair frente ao eterno rival, com uma grande exibição de Antonio Pérez, o herói da final, do torneio e o melhor marcador (3-5). O domínio português na modalidade parece estar a chegar ao fim, para já, com a Seleção Nacional a permanecer “apenas” como o campeão vigente da Finalíssima, enquanto vai tentar recuperar, nos próximos quatro anos, o trono do mundo e da Europa. Para já, a Seleção perdeu, em 2026, a sua segunda final de um Europeu em quatro presenças e continua empatado em títulos com Itália, no segundo lugar (dois).

Antonio, o herói da bola e o mago do salão que subiu a montanha para derrotar o velho Adamastor (a crónica da final do Europeu de futsal)

Este domingo, a Seleção viu ainda chegar ao fim a série de 16 vitórias consecutiva em jogos de fases finais de Campeonatos da Europa, competição onde não perdia desde os quartos de final de 2016, frente a… Espanha. Para além disso, Portugal terminou esta edição com 29 golos marcados e tornou-se no melhor ataque de sempre de uma edição, superando os 27 tentos dos espanhóis em 2010, 2016 e 2026. Em termos históricos, este foi o décimo duelo ibérico em Europeus, sendo que os portugueses “só” venceram dois. Por terra caiu ainda a oportunidade de Portugal igualar, já em 2030, o tetracampeonato espanhol, o único da história da competição. Olhando aos duelos ibéricos, este foi o quinto consecutivo em que Espanha começou em vantagem, sendo que foi o primeiro que Portugal não conseguiu remontar para vencer um troféu.

A história entre espanhóis e portugueses não se fica por aí, já que foi em Sines, num particular frente à Seleção portuguesa, que Jesús Velasco se estreou no comando técnico de nuestros hermanos. Agora, o selecionador espanhol é campeão da Europa pela primeira vez, depois de o ter sido em três ocasiões ao serviço de Movistar Inter e Barcelona. Em termos individuais, Antonio Pérez foi eleito o MVP da final e do torneio, tendo sido ainda o melhor marcador, a par do francês Souheil Mouhoudine (sete golos). O melhor assistente foi Pany Varela, juntamente com Cecílio Morales (quatro passes para golo), ao passo que Dídac Plana foi o melhor guarda-redes, sendo que Espanha sofreu apenas oito golos em seis jogos. O bronze ficou, de forma surpreendente, com a Croácia, que venceu França nos penáltis (5-5, 5-6, g.p.).

“Não me apetece muito falar do jogo… Já tínhamos tido alguns erros, mas demos sempre a volta. Hoje [sábado] também cometemos erros pontualmente, que numa final podem resultar nisto. Essa é a parte negativa e que nos impediu de levar mais um título para Portugal. Estava mesmo convencido que só ia ter que recuperar um [título]. Agora temos que recuperar dois. Siga, a vida assim. Ficámos sem as duas taças e temos que pensar no futuro para recuperarmos as duas. Jogo? Estava-me a dar, outra vez, um gozo dos diabos. Cometemos erros, superámos, voltámos ao jogo, outro erro, voltámos ao jogo e, na segunda vez que nos metemos no jogo, quisemos muito, quisemos demasiado quando tínhamos que serenar e ter calma. Tentámos fazer isso com os jogadores mais experientes. Quisemos muito ser campeões da Europa e isso levou-nos a cometer erros na segunda parte. Espanha aproveitou as transições, geriu muito bem”, começou por dizer Jorge Braz na flash-interview da sport tv +.

“Olho para os bons momentos e tenho um orgulho muito grande nestes jogadores. Não é por errarem nem por sermos vice. Portugal continua a disputar estas oportunidades para ganhar títulos. É levantar a cabeça. Há que dar mérito [a Espanha]. Tiveram mérito. Nestas coisas é sempre assim, é o desporto… ingrato. Estou de rastos, mas simultaneamente orgulhoso deste percurso. Não colocámos a bandeira, vai connosco para Portugal, orgulhosamente. É a bandeira do que é o futsal português. O respeito pelos adversários e pelos árbitros continua a ser grande. Queremos engrandecer a nossa modalidade. Parabéns a Espanha, mereceram”, concluiu.