A startup portuguesa Delox, que desenvolveu uma solução de descontaminação que pode ser usada na indústria farmacêutica e na área da saúde, fechou um financiamento de 1,6 milhões de euros. Trata-se de uma ronda de investimento série A, liderada pela portuense Beta Capital e que contou com a participação do Banco Europeu de Investimento (BEI) e da Caixa Capital.

“A Delox tem uma visão de impacto global numa indústria que necessita de inovar. A abordagem distintiva da Delox Box no processo de bio-descontaminação significa poupança de tempo, recursos e evita a utilização de agentes nocivos para os humanos, ao mesmo tempo que garante a sua eficácia e segurança”, diz em comunicado Bernardo Pequito, diretor de investimentos da Beta Capital. “Esta proposta de valor, aliada à capacidade da Delox em perseguir a sua visão com clientes, parceiros e equipa a nível global, foi determinante para a decisão da Beta Capital em liderar esta ronda de investimento, assumindo uma participação ativa na construção desse trajeto.”

A empresa foi criada em 2018, como um spin-off nascido na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Fadhil Musa, co-fundador e CEO da Delox, explica ao Observador que a startup “desenvolveu uma formulação sólida de peróxido de hidrogénio”, que assegura a bio-descontaminação de equipamentos laboratoriais, eliminando bactérias, vírus e fungos. É como um “pó de água oxigenada”, explica Fadhil Musa. “O que nós fazemos é usar esta água oxigenada, em vez de ser na fórmula líquida, em pó.”

A empresa criou uma tecnologia “particular, que pode transformar o líquido em pó”, permitindo “fabricar equipamentos de biodescontaminação eficientes e compactos”. “Usamos a formulação como uma forma de libertar vapor de peróxido de hidrogénio”, que é usado para “descontaminar equipamentos, câmaras, o que for”, em laboratórios e áreas de investigação.

Para dar uma ideia, refere que o equipamento físico de descontaminação da empresa, chamado Delox Box, é do tamanho de um computador portátil. Já os equipamentos mais usados na indústria são do tamanho “de uma máquina de lavar roupa”, compara. “Aqui é mais fácil, não é preciso pessoal especializado, os clientes podem fazê-lo.”

A Delox tem a patente desta tecnologia de descontaminação, explica Fadhil Musa, que foi concedida tanto para a União Europeia quanto para os Estados Unidos (EUA).

Atualmente, a empresa tem “dez unidades-piloto espalhadas pelo mundo” deste equipamento de bio-descontaminação. “Ainda não estamos numa fase ativa de comercialização, estamos na fase de obter as últimas certificações, tanto na União Europeia como nos EUA”, explica o CEO.

A ronda de financiamento permitirá à empresa “aumentar a capacidade de produção, tanto do equipamento como da formulação do peróxido de hidrogénio em si, que é necessário para todas as descontaminações”. A empresa quer também investir “em investigação e desenvolvimento” e focar-se no avanço do “processo regulatório”, em marcha tanto na União Europeia como nos EUA.

Atualmente a Delox tem oito trabalhadores a tempo inteiro — a maioria está em Portugal, no Tec Labs, o Centro de Inovação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A empresa pretende “robustecer a equipa”, mas “não desmesuradamente”, admitindo a possibilidade de uma contratação estratégica na área de desenvolvimento de negócio, diz Musa. “Apesar de termos esta boa ronda, o foco é sermos muito incisivos e conseguir a regulação. Assim que isso acontecer poderemos ter uma ronda de financiamento maior e aí, sim, haver um aumento exponencial da equipa.”

Atualmente, a Delox já tem um escritório pequeno na Pensilvânia, nos EUA. “Temos tido muito foco nos EUA, mas agora estamos a olhar mais para a Europa”, refere. “Há uns anos parecia que a aprovação regulatória nos EUA seria mais rápida — hoje já não vemos a questão assim.” Fala, por exemplo, “em fatores internos nos EUA, como os cortes em agências regulatórias norte-americanas, que certamente terão influenciado os prazos que já eram longos. Os shutdowns recentes, também”, exemplifica. “Suponho que [as agências] tenham menos meios para operar. É uma conjugação de pequenos fatores. As coisas na Europa são mais previsíveis, temos conseguido ter avanços mais regulares na Europa.”