O escritor Afonso Reis Cabral vai deixar a presidência da Fundação Eça de Queiroz no final de abril. “O meu mandato como presidente da fundação vai acabar e não o vou renovar”, afirmou esta quinta-feira, num evento na Livraria Lello, no Porto, perante cerca de uma centena de pessoas.
“Com 35 anos, com uma filha de dois anos e a viver em Lisboa, torna-se mais complicado poder contribuir com o que acho que é possível contribuir. É um ciclo que se fecha em abril”, acrescentou. Contactado pelo Observador, o escritor confirma que foi o próprio a escolher “não renovar o mandato”. “Há outras coisas na minha vida que se vão impondo”, justifica, lembrando que “todos os membros da instituição trabalham pro bono”. “Como escritor, estou numa fase da minha vida em que trabalhar pro bono é bastante complicado”, acrescenta.
O autor, que é trineto de Eça de Queiroz por via paterna, era, desde 2022, presidente da fundação que tem sede na Casa de Tormes, em Baião, e que serviu de cenário ao romance A Cidade e as Serras. A administração da Fundação Eça de Queiroz é composta atualmente por João Marecos, Ivone Abreu Ribeiro e Ana Raquel Azevedo, de acordo com a informação disponibilizada no site.
Ligado à Fundação Eça de Queiroz como administrador desde 2020, Afonso Reis Cabral, autor dos romances O Meu Irmão (2014) e Pão de Açúcar (2019), respetivamente vencedores dos prémios Leya e José Saramago, chegou à presidência na altura pela mão do conselho de administração então composto por Ivone Abreu, José António Barros, José Luís Carneiro, Paula Carvalhal e Paulo Pereira.
Como presidente da fundação, Afonso Reis Cabral distinguiu-se por ser um dos principais impulsionadores e porta-vozes do processo de trasladação dos restos mortais do trisavô para o Panteão Nacional. A cerimónia decorreu a 8 de janeiro de 2025, 125 anos após a morte do autor de Os Maias.
O novo conselho de administração e respetivo presidente da Fundação Eça de Queiroz deverão ser conhecidos também em abril, adianta o presidente cessante, antecipando que “não será uma renovação total”, mas sim um equilíbrio entre “novas pessoas, novas ideias e iniciativas, mas ao mesmo tempo alguma continuidade”. Afonso Reis Cabral não será um dos administradores, assegura, pois não vai continuar “formalmente” ligado à fundação. “Evidentemente continuarei a acompanhar a vida da fundação”, remata.
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