A concelhia do Porto do Bloco de Esquerda considerou este sábado que a integração de mobilidade suave na Avenida da Boavista, a propósito do metrobus, ficou “aquém do necessário” e que se tratou de uma falha técnica e política.

“A preocupação manifestada por utilizadores de bicicleta confirma que a integração da mobilidade suave ficou aquém do necessário. A ausência de uma ciclovia contínua e segura, num eixo estruturante da cidade, expõe pessoas a riscos evitáveis e contraria as recomendações internacionais para redes cicláveis protegidas”, criticou este sábado o grupo municipal, dia de arranque da fase experimental da operação do metrobus.

Na quarta-feira, o vereador com o pelouro da Mobilidade e Transportes, Hugo Beirão (IL) avançou à Lusa que a via direita da Avenida da Boavista vai ser aberta a modos suaves e limitada a 30 quilómetros por hora na sequência da entrada em funcionamento do metrobus, cujo canal era até agora informalmente usado como ciclovia, justificando que nesta fase não é possível retirar uma via ao automóvel para criar uma ciclovia.

Para o BE, a solução encontrada revela uma “falha que não é apenas técnica, mas política” e uma oportunidade perdida para a cidade dar “um salto qualitativo na mobilidade ativa”.

“Projetos desta escala exigem monitorização permanente e capacidade de ajustar o desenho urbano à realidade do uso. A cidade não pode aceitar que um investimento desta dimensão deixe para trás quem se desloca de bicicleta ou trotinete”, reclamam.

O partido defendeu a necessidade de ser criado um Observatório Cívico da Mobilidade e do Espaço Público, que garanta “participação informada, escrutino democrático e acompanhamento permanente das políticas de mobilidade”.

Cerca de um ano e meio após o fim das obras entre Casa da Música e Império, o metrobus do Porto arranca este sábado a fase experimental gratuita ao público, que durará um mês até ao início do serviço comercial.

Evocando os atrasos na obra, os atrasos no fornecimento dos veículos a hidrogénio, e os “desentendimentos” entre a Câmara do Porto, a Metro do Porto e a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), os bloquistas lamentaram o “processo que não correu bem” e onde aconteceu “tudo o que não devia”.

“O Bloco de Esquerda não ignora estas falhas, mas considera essencial que a cidade faça agora tudo para que o serviço funcione bem”, sugeriu.

O metrobus é um autocarro a hidrogénio que irá circular nas avenidas Marechal Gomes da Costa e Boavista (nesta em via dedicada) e o serviço entre Casa da Música e Império tem duração prevista de 12 minutos, com paragem nas estações Guerra Junqueiro, Bessa, Pinheiro Manso, Serralves e João de Barros. Para já, fica de fora a extensão serviço até à Anémona, com paragens em Antunes Guimarães, Garcia de Orta, Nevogilde e Castelo do Queijo, que está em obras.