Chegou o primeiro Monumento da temporada. A partir de agora, está aberta a fase mais espectacular da temporada de estrada no ciclismo. Como habitual, a Milão-Sanremo tratou de abrir as hostilidades. Para esta 117.ª edição daquela que é a corrida de uma semana mais longa do calendário mundial estava reservada mais uma grande batalha entre Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech), vencedor em 2023 e 2025, e Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG), que foi terceiro no ano passado e tem vindo a aprimorar as suas características para vencer um dos dois Monumentos que lhe faltava. Os dois têm sido os grande dominadores das principais clássicas nos últimos anos e, desde 2020, venceram 18 dos 29 Monumentos disputados até este sábado. Mais, desde 2023 só Remco Evenepoel (Liège-Bastagne-Liège-2023) e Jasper Philipsen (Milão-Sanremo-2024) se intrometeram no domínio dos dois canibais.
“2025? Foi uma das minhas mais espetaculares vitórias. Ir com tudo na Cipressa não acontece com frequência. Foi muito especial. Desejava que fosse fácil, mas no ano passado as condições eram perfeitas, com o vento a favor. Isso não acontece todos os anos. Vamos ver amanhã [sábado]. Já disse que vai chegar o dia em que ele me vai vencer, não precisa de ser na Cipressa, pode ser no Poggio ou até mesmo ao sprint, após uma corrida muito dura. Todos sabem quão forte e bom corredor ele é. Um dia ele vai vencer a corrida. Sabemos como ele é forte e, para nós, só nos resta tentar segui-lo. Sinto-me muito bem. Tive novamente uma boa preparação no Tirreno-Adriatico e sinto-me pronto”, antecipou o bicampeão da Classicissima.
“Só tenho de ser o melhor e ter a sorte do meu lado. Cipressa ou Poggio? Não faz muita diferença, mas depende da situação da corrida. Temos uma ótima equipa aqui. Temos o Isaac del Toro, que está em ótima forma. Há algumas cartas para jogar. Toda a equipa é crucial em Sanremo. Se queres fazer algo na Cipressa ou no Poggio, precisas de ter uma equipa realmente forte ao teu redor para preservar o máximo de energia possível. O Isaac será importante, mas o resto da equipa também será super importante. No inverno fui várias vezes à Cipressa e ao Poggio e fiz uns treinos longos lá. Conheço bem a zona, mas ainda há muitas coisas para descobrir”, assumiu o bicampeão do mundo.
#MilanoSanremo 2026
???? Pavia
???? Sanremo
????????♂️ 298 Km
☁ Weather: Broken clouds
????️ 13°C (app 12°C, min 12°C – max 13°C)
☁️ Clou.: 52%, vis.: 100%
???? Hum.: 61%
????️ Wind: 12.2 km/h WSW (max: 11.8 km/h WNW)
Route: https://t.co/tXkrvkXH7D pic.twitter.com/F4iJSX86jj— La Flamme Rouge (@laflammerouge16) March 21, 2026
Nos primeiros dos 298 quilómetros da ligação entre Pavia e Sanremo formou-se a fuga do dia, que resistiu até à aproximação às derradeiras subidas do dia, tendo sido composta por Martin Marcellusi e Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber), Lorenzo Milesi e Manlio Moro (Movistar), Andrea Peron e David Lozano (Novo Nordisk), Alexy Faure Prost (Picnic PostNL), Dario Igor Belletta e Mirco Maestri (Polti VisitMalta). Por entre o habitual trabalho de 200 quilómetros de Silvan Dillier (Alpecin), a corrida até começou com um momento insólito, com os corredores da fuga a enganarem-se no percurso e a seguirem para uma zona onde estavam os carros e os autocarros das equipas. Para além disso, as quedas voltaram a marcar a corrida, levando Jan Christen (Emirates) e Orluis Aular (Movistar) a abandonar. Ao quilómetro 229 foi a vez de Michal Kwiatkowski (Ineos Grenadiers) cair com os colegas Connor Swift e Ben Turner e Marcel Camprubí (Pinarello Q36.5), ficando com um dos joelhos bastante mal tratado.
A 32 quilómetros de Sanremo foi a vez de Pogacar cair ao tocar na roda do corredor que ia à sua frente, levando consigo Wout van Aert e Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike), Biniam Girmay (NSN) e Giulio Pellizzari (Red Bull-Bora-hansgrohe), entre outros. Esse incidente alterou todo o guião que estava prevista, já que o pelotão chegou à Cipressa sem Alpecin e Emirates na dianteira, sendo que as duas equipas favoritas tiveram de recolocar os seus líderes no grupo. A três quilómetros do topo da Cipressa, Brandon McNulty abriu para o lado e Isaac del Toro assumiu a dianteira da corrida, aumentando o ritmo para preparar o ataque do campeão do mundo, com Tom Pidcok (Pinarello) e Van der Poel (Alpecin) a responderem. No alto, o esloveno voltou a tentar, mas o trio manteve-se junto, conseguindo bater o recorde daquela subida por dois segundos (8.57 minutos).
???? Tadej Pogacar goes down as we approach la Cipressa, and some big names are involved too –
Wout van Aert, Matteo Jorgenson, Biniam Girmay, Giulio Pellizzari ; that's a lot of favourites potentially out of contention
Follow #MilanoSanremo @CA_Ita on Rai ???????? and on Eurosport ???? pic.twitter.com/G1NJd6sGMl
— Milano Sanremo (@Milano_Sanremo) March 21, 2026
POGI-NATION, RISE UP ????
The ego of the World Champ, down a few kilometers ago, and he goes thermonuclear in La Cipressa! Only Tom Pidcock, and his best frenemy, Mathieu van der Poel, can follow!
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— Milano Sanremo (@Milano_Sanremo) March 21, 2026
O grupo da frente manteve a vantagem na fase mais plana e chegou ao Poggio com cerca de dez segundos de avanço. Na derradeira subida, Pogacar voltou a acelerar, colocando o neerlandês em dificuldades. Só com Pidcock na sua roda, o esloveno voltou à carga a dois quilómetros do alto, mas o britânico respondeu à altura, antes de o Emirates desferir novo ataque no último quilómetro, que se revelou insuficiente. Ainda assim, Tadej e Tom tiraram dez segundos ao tempo de 2025 (5.43 minutos). Na descida, Van der Poel foi alcançado pelo pelotão, de onde saiu Van Aert no penúltimo quilómetro. Já na Via Roma, Pogacar manteve-se na frente e, perante o lançamento de Pidcock, conteve o britânico levando-o a procurar outra trajetória e, em cima, da meta, venceu-o para fazer história. De notar que há 43 anos que o campeão do mundo de fundo não vencia em Sanremo.
Com esta vitória, Tadej Pogacar venceu a Milão-Sanremo pela primeira vez, à semelhança da sua equipa, e chegou à marca dos 11 Monumentos aos 27 anos, o que lhe permitiu igualar o belga Roger de Vlaeminck. Nesse capítulo, só Eddy Merckx (19) está à frente do esloveno, que juntou esta Milão-Sanremo às cinco Voltas à Lombardia, às três Liège-Bastogne-Liège e às duas Voltas à Flandres. Agora, falta apenas a Paris-Roubaix, que se disputa a meio de abril e onde Pogacar tem como principal rival… Mathieu van der Poel, que vai correr no seu terreno predileto. Quanto a Pidcock, o inglês foi segundo num Monumento pela segunda vez, depois da Liège-Bastogne-Liège de 2023. Já Wout van Aert foi terceiro.
???? A wounded Pogi against a tired Pidcock, and a chasing Van Aert.
A @continentaltire last KM forever in the history books.Follow #MilanoSanremo @CA_Ita on Rai (????????) and on Eurosport (????) pic.twitter.com/9nXHmjTGPn
— Milano Sanremo (@Milano_Sanremo) March 21, 2026