Mais uma goleada sem golos sofridos em Baku, a boa notícia umas horas depois do empate sem golos em Dundee entre Escócia e Rep. Checa. O arranque da segunda volta da qualificação para o Europeu de Sub-21 de 2027 correu de feição à Seleção Nacional, que ficou com cinco pontos de vantagem na liderança do grupo B recebendo agora os dois adversários diretos na corrida à fase final da competição – com a pressão do lado contrário, pela necessidade de conseguirem surpreender Portugal em território nacional. O primeiro desafio chegava esta terça-feira, com a formação escocesa, que tinha um encontro a mais realizado, a ter uma derradeira oportunidade de reentrar nas contas pelo apuramento frente ao conjunto de Luís Freire.

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“Temos uma forma de jogar muito própria, muito vincada, e é isso que nos importa mais: a nossa equipa, a nossa identidade e os nossos jogadores. A Escócia é uma equipa que nos vai colocar outros problemas que o Azerbaijão não nos colocou mas vamos estar preparados para o adversário. É uma equipa que pode jogar em 4x3x3 ou 5x3x2, temos os dois sistemas vistos. Sabemos o que fazer e como criar problemas à Escócia nesses sistemas, quer quando defendemos, quer quando atacamos, como reagimos e como estamos na bola parada. O grupo está com muita energia e alegria, vai dando passos na direção que entendemos ser a melhor. Eles próprios também se conhecem melhor, deram mostras com o Azerbaijão de terem muita fome, de terem vontade de mostrarem o nosso jogo. A equipa está pronta e motivada para novos desafios”, apontara o selecionador Sub-21 na antecâmara da partida, antes de abordar também os seis jogos sem golos sofridos.

“A baliza a zeros é a consequência do trabalho coletivo. Costumamos dizer que queremos jogar desde o guarda-redes e queremos defender desde o avançado. Temos de ter a mentalidade de sermos uma equipa em todos os momentos. As oportunidades vão surgindo ao longo dos estágios e a equipa tem sido equipa no verdadeiro sentido da palavra, na forma como é solidária defensivamente e como ataca de forma constante. É isso que nós queremos. Claro que queremos ter mais futebol ofensivo do que estar propriamente muito tempo a defender mas teremos jogos que vão fazer com que tenhamos de defender bastante. Mas o nosso ADN é tentar atacar o melhor possível para defender pouco tempo e conceder poucas oportunidades aos adversários. É isso mais uma vez que queremos”, acrescentara Luís Freire.

A quatro partidas do final da qualificação, Portugal chegava com um registo pouco habitual, numa série de 540 minutos consecutivos sem consentir qualquer golo. Olhando para todas as fases de apuramento neste formato, iniciado em 2009, o melhor registo defensivo foi em 2023 com três golos sofridos mas existia uma média de quase sete golos consentidos por cada fase de apuramento. Agora, o registo manteve-se em mais uma exibição que foi um hino ao futebol ofensivo numa semana que ficou marcada sobretudo de forma negativa para o futebol de formação pelas eliminações das Seleções Sub-19 e Sub-17 da categoria.

Mais do que isso, há nomes que se vão destacando cada vez mais na antecâmara da Seleção A. Carlos Forbs, que já foi mesmo chamado por Roberto Martínez, foi um deles. Banjaqui, João Simões, Gonçalo Moreira ou Mathias de Amorim foram outros. No entanto, houve um que, mesmo sendo dos mais “desconhecidos”, voltou a mostrar argumentos que lhe podem abrir a breve/médio prazo uma vaga na Seleção principal: Tiago Gabriel, central nascido em França que passou por Sporting, V. Setúbal e Estrela antes de chegar ao Lecce, tem conseguido brilhar na Serie A contra alguns dos melhores avançados na Europa e acrescenta às características físicas que lhe permitem dominar pelo ar uma evolução no jogo com os pés que fica na retina.

Os escoceses até começaram por deixar sinais de que poderia ser tudo menos um jogo de sentido único mas cedo o guarda-redes João Carvalho ficou sozinho no seu meio-campo com todas as incidências no outro lado do terreno. No entanto, isso significou tudo menos facilidades. Portugal, que trocou apenas Saviolo por Roger Fernandes em relação à partida com o Azerbaijão, foi sujeito a um teste de paciência perante a organização defensiva densa assente numa linha de cinco dos visitantes. Pelo ar havia pouca margem, na procura dos espaços também estava complicado, na circulação rápida o cenário era diferente. O que desbloqueou então a partida? A reação rápida à perda que deixou pouca bola para “respirar” aos escoceses, as ações individuais 1×1 como a que Forbs teve para o primeiro remate com perigo e os desequilíbrios conseguidos quando havia mais risco no passe, como se viu na abertura fantástica de Tiago Gabriel para Forbs na direita antes do cruzamento que sofreu um desvio mas acabou com o remate na área sem hipóteses de Roger (29′).

O encontro estava de vez desbloqueado, com Portugal a ter novamente o mérito, como aconteceu em Baku, de perceber o momento e procurar de seguida o segundo golo que deixasse tudo mais encaminhado. Ruairidh Adams ainda evitou o 2-0 de João Simões, num remate de meia distância, mas não conseguiu travar mesmo essa enxurrada final de futebol ofensivo do conjunto nacional, com Daniel Banjaqui a combinar com Forbs por dentro num movimento tradicional desta Seleção (ala a dar largura, lateral a entrar por dentro) antes do remate rasteiro cruzado que deu ao jovem do Benfica o primeiro golo na segunda internacionalização pelos Sub-21 (44′). Com mais uma exibição convincente, a formação de Luís Freire estava por cima.

Apesar desse 2-0, e mesmo sabendo que a Escócia teria de fazer mais para evitar ficar de fora do Europeu (pelo menos de forma direta), Portugal manteve o domínio total do encontro sempre com olhos fixados na baliza contrária. Tiago Parente, que apareceu de forma oportuna ao primeiro poste para desviar um centro de Carlos Forbs por cima (52′), deixou a ameaça inicial depois do intervalo mas o golo da tranquilidade não iria demorar, com Gonçalo Moreira a surgir de forma oportuna na área para concluir a assistência de Carlos Forbs (54′). A história do jogo estava escrita entre mais oportunidades para ampliar a vantagem mas haveria ainda um episódio insólito a marcar os minutos finais, com os holofotes do António Coimbra da Mota a desligarem por duas ocasiões de forma momentânea sem que tivesse de haver uma interrupção.