O jogo de há praticamente duas semanas, na Pedreira e contra o Sp. Braga, serviu como uma espécie de xeque-mate. O FC Porto venceu no Minho, ultrapassou uma fase do calendário que era um autêntico cabo das tormentas e olhou para as semanas seguintes como a possibilidade de adotar uma velocidade cruzeiro para conquistar o Campeonato. Para isso, porém, era preciso ganhar ao Famalicão já este sábado.

Os dragões chegavam à jornada deste fim de semana depois da vitória do Sporting em Alvalade contra o Santa Clara, ou seja, com a obrigação de conquistar os mesmos três pontos para manter a distância para os leões e dar mais um passo rumo às faixas de campeão nacional. O adversário era complexo, na medida em que vinha de três vitórias consecutivas e cinco jogos sem perder, mas o principal tema de conversa à volta de Francesco Farioli era outro — a polémica à volta do clássico no andebol, das declarações de André Villas-Boas e Frederico Varandas e até da resposta de Rui Borges.

Ficha de jogo

↓ Mostrar ↑ Esconder

FC Porto-Famalicão, 2-2

28.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Sérgio Guelho (AF Guarda)

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Zaidu (Martim Fernandes, 45′), Victor Froholdt, Alan Varela, Rodrigo Mora (Seko Fofana, 44′), Pepê (Borja Sainz, 74′), Terem Moffi (Deniz Gül, 60′), Oskar Pietuszewski (William Gomes, 45′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Thiago Silva, Pablo Rosario, Francisco Moura

Treinador: Francesco Farioli

Famalicão: Lazar Carevic, Rodrigo Pinheiro, Justin de Haas, Ibrahima Ba, Rafa Soares, Tom van de Looi, Mathias de Amorim (Marcos Peña, 61′), Gil Dias, Gustavo Sá (Pedro Santos, 80′), Sorriso (Roméo Beney, 90′), Simon Elisor

Suplentes não utilizados: Ivan Zlobin, Gustavo Garcia, Léo Realpe, Umar Abubakar, Pedro Bondo, Antoine Joujou

Treinador: Hugo Oliveira

Golos: Alberto Costa (35′), Sorriso (54′), Seko Fofana (90+1′), Rodrigo Pinheiro (90+9′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Zaidu (21′), a Tom van de Looi (45+2′), a William Gomes (54′), a Bednarek (69′), a Alan Varela (70′), a Justin de Haas (90+6′), a Alberto Costa (90+6′)

“Claro que se olharmos para o final de maio é normal sentirmos alguma ansiedade, mas pela forma como temos trabalhado ainda não pensamos tão longe. A partir daqui temos 14 jogos que nos vão obrigar a um grande esforço de trabalho. O que me leva a crer que podemos ter sucesso é que não é difícil de convencer ninguém. Aqui toda a gente está comprometida e motivada para levar o FC Porto de volta onde pertence e isso é algo que se consegue cheirar assim que se passa no portão do Olival. E este cheiro sente-se mesmo quando estamos no centro de treinos. E este, honestamente, é um cheiro que me dá imenso prazer, muita confiança. A equipa está motivada e estamos todos a remar na mesma direção e a lutar por um lugar na equipa, todos com a mesma ambição”, disse o treinador italiano na antevisão da partida.

Assim e sem Gabri Veiga, que estava castigado, Francesco Farioli colocava Rodrigo Mora no onze inicial e lançava Terem Moffi para a primeira titularidade no Campeonato em detrimento de Deniz Gül, enquanto que Alberto Costa aparecia na direita da defesa e Diogo Costa tinha recuperado para assumir a baliza. Do outro lado, Hugo Oliveira tinha Sorriso e Gil Dias nos corredores, com Gustavo Sá nas costas de Simon Elisor, a referência ofensiva.

Numa primeira parte muito interessante e muito acima da média para o que é a qualidade habitual do futebol português, o Famalicão protagonizou a primeira situação de perigo e viu Sorriso aparecer na cara de Diogo Costa para obrigar o guarda-redes português a uma intervenção importante (3′). O FC Porto procurou reagir e assumiu a dianteira das ocorrências, com o controlo do meio-campo contrário e mais posse de bola, mas não conseguia chegar perto da baliza de Lazar Carevic e as jogadas raramente tinham princípio, meio e fim.

A equipa de Hugo Oliveira nunca se escusou a uma atitude ofensiva e positiva muito clara, sem recuar no relvado e abdicando de juntar demasiado as linhas, mantendo o bloco fixo na zona do meio-campo e obrigando os dragões a mais preocupações defensivas. Mathias de Amorim rematou por cima (24′), Gustavo Sá também falhou o alvo (29′) e o conjunto de Francesco Farioli só soube reagir por Terem Moffi, que desviou um cruzamento já na área para Carevic defender com o peito (31′).

Logo a seguir, porém, a eficácia falou mais alto. Na sequência de um lance de insistência e depois de um cruzamento inicial de Rodrigo Mora que Carevic afastou, Moffi amorteceu e Alberto Costa, na recarga, atirou forte para se estrear a marcar no Campeonato (35′). Os dragões poderiam ter aumentado a vantagem pouco depois, com Pepê a rematar ao lado numa transição rápida (39′), enquanto que Gustavo Sá obrigou Diogo Costa a mais uma defesa apertada antes do fim do intervalo (42′).

Ainda antes do fim da primeira parte, Rodrigo Mora não conseguiu superar as dificuldades físicas que o afetaram ao longo dos 45 minutos iniciais — e que o terão afastado da convocatória da Seleção Nacional — e foi substituído por Seko Fofana. Ao intervalo, o FC Porto estava a vencer o Famalicão pela margem mínima no Dragão, mas já tinha ficado bem claro que a equipa de Francesco Farioli tinha de se apresentar séria, focada e concentrada para superar o conjunto de Hugo Oliveira.

Francesco Farioli mexeu logo no início da segunda parte e trocou todo o corredor esquerdo, lançando Martim Fernandes e William Gomes no lugar de Zaidu e Oskar Pietuszewski, e Seko Fofana protagonizou a primeira situação de perigo com um remate ao lado (54′). Logo depois, porém, o Famalicão contrariou o domínio que o FC Porto tinha apresentado no quarto de hora inicial: Rafa Soares cruzou na esquerda, Diogo Costa começou por defender um cabeceamento de Simon Elisor e Sorriso, na recarga, não falhou (54′). 

O treinador dos dragões reagiu com uma substituição e trocou a referência ofensiva, lançando Deniz Gül no lugar de Terem Moffi, enquanto que Hugo Oliveira trocou Mathias de Amorim por Marcos Peña. O jogo entrou numa fase mais atípica, com muitas paragens e sem aproximações claras às balizas, e os assobios das bancadas do Dragão — para a arbitragem, para o alegado desperdiçar de tempo do adversário e para a fraca exibição da equipa da casa — tornaram-se o fio condutor da partida.

Farioli voltou a mexer e trocou Pepê por Borja Sainz, enquanto que Hugo Oliveira lançou Pedro Santos. Já nos descontos, o momento mágico apareceu: Seko Fofana recebeu na esquerda, passou por vários adversários e atirou em jeito para recuperar a vantagem, deixando Samu dentro da loucura nas bancadas e o treinador com vontade de realizar uma pseudo invasão de campo (90+1′). Mas os descontos ainda tinham mais para contar. Já nos últimos instantes, num lance de insistência, a bola sobrou para Rodrigo Pinheiro e o avançado só precisou de rematar para resgatar um ponto (90+9′).

No fim, FC Porto e Famalicão empataram no Dragão e a equipa de Francesco Farioli perdeu dois pontos, correndo o risco de encurtar a vantagem para o Sporting se os leões derrotarem o Tondela no jogo que ainda têm em atraso. O italiano falou muito em cheiros durante a antevisão — mas a verdade é que se esqueceu de que tinha de fugir ao cheiro a esturro.