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Pão de queijo recheado, cerveja artesanal com erva mate e ambientes acolhedores: 8 restaurantes e bares brasileiros em Lisboa e Cascais

Este artigo tem mais de 6 meses

Brasileiros atravessaram o oceano para trazer a Portugal não só os sabores da sua terra, mas também as memórias e o sorriso que tornam a comidas e bebidas deste lugares ainda mais saborosos.

Na Penha de França, a Matuta serve do pão de queijo tradicional aos super recheados
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▲Na Penha de França, a Matuta serve do pão de queijo tradicional aos super recheados

Claudia Regina Pereira

▲Na Penha de França, a Matuta serve do pão de queijo tradicional aos super recheados

Claudia Regina Pereira

Arandu

R. de Entrecampos 27 B, 1700-156 Lisboa. De quarta-feira a sábado, das 17h às 22h.

Em Portugal, chama-se tasca. No Brasil, chama-se boteco, que é como o Arandu, aberto em março, se define. Atrás do balcão, estão os cozinheiros Alana Mostachio e Gudo Martins, que decidiram unir as suas habilidades em charcutaria artesanal e plantas selvagens comestíveis com o amor pela comida nostalgicamente saloia. Quem chega pode vê-los na cozinha, que é aberta, o que permite pedir-se de imediato o que mais apetece aos olhos, pois não há serviço de mesa. “É uma experiência simples e próxima, onde a comida e o processo estão à vista e o contacto é feito sem intermediários”, explicam. E é num prato de inox que chega o pãoliça, um sanduíche de linguiça, queijo fundido e cebolinho, pronto para ser devorado com as mãos. Inspirados nos salgados fritos servidos em festas de aniversário, a dupla criou os canudinhos crocantes recheados com maionese de aipo assado, que vêm em duas unidades (6 euros).

▲ Não comer com as mãos, num boteco brasileiro, pode ser considerado um disparate

DR

Bendito Pão de Queijo

Praça do Chile 15A, 1000-098 Lisboa. De segunda-feira a sábado das 9h às 21h.

Na freguesia de Arroios, esta cafetaria serve, é claro, os pães de queijo que lhe dão o nome e que envolvem o recheio das sandes que ali são servidas, mas também outros pratos brasileiros típicos das regiões Norte e Nordeste. A união de ancestralidades está naquela morada há dois anos, quando o empresário mineiro Maxwell Carvalho abriu o negócio com o sócio, o baiano Roberto Cruz, com ambos a levar os sabores que sempre estiveram presentes nas suas vidas para a ementa. As tapiocas, herdadas dos costumes dos povos originários – os indígenas – são ali servidas bem recheadas: com creme de mandioca, carne bovina seca, queijo coalho e banana pão (8,90 euros). De origem africana e levado ao Brasil pelos portugueses durante a colonização, o cuscuz consolidou-se no país tropical como uma opção de pequeno-almoço. A sêmola de trigo, no entanto, foi substituída por flocos de milho, também cozidos no vapor, com manteiga e ovos mexidos (5,90 euros). Entre os petiscos, há torresmo de rolo, que pode ser salpicado pelas fatias de lima que o acompanham (7,50 euros).

▲ A tapioca, preparada com farinha de mandioca, é uma receita indígena

João Massa

Casa Viana

Mercado da Vila. R. Padre Moisés da Silva, 2750-529 Cascais. De domingo a quinta-feira das 12h às 15h30 e das 19h às 22h. Sexta-feira e sábado das 12h às 16h e das 19h às 00h.

A comida “caseira e afetiva” é o foco de Jen Viana, natural do estado do Ceará. Em Portugal há mais de uma década, foi numa viagem de férias ao Brasil que lhe veio a ideia de trazer para cá a atmosfera da herdade dos seus avós – exposta numa fotografia na parede do espaço, aberto em julho de 2025. A brasileira deu aos seus clientes a sorte de poder experimentar as receitas da sua mãe, como o caldinho de feijão com torresmo crocante, batido com alho e bacon (5,90 euros) ou a porção de carne bovina de sol artesanal, dourada na manteiga, acompanhada de mandioca frita e vinagrete (17,50 euros). Além dos pratos principais, com opções de peixe, carne ou o vegetariano bobó de palmito, que é cozido com mandioca, leite de coco, azeite de dendê, pimentos, cebola e coentros frescos, acompanhado de arroz branco e farofa (11,90 euros), a ementa de sobremesas e coquetéis é o que salta mesmo aos olhos. O dilema final é doce e fresco: cocada cremosa com gelado de natas (5,90 euros). Para brindar, pode-se pedir um santo remédio, que leva vodca, polpa de maracujá, sumo de limão, infusão de maracujá com hibisco, xarope de capim santo e espuma de gengibre (11,90 euros). Uma rede de descanso que fica no restaurante é um convite a uma pausa – tal e qual no interior do Ceará após uma refeição farta.

▲ A rede de descanso faz parte das memórias de Jen Viana na casa dos seus avós

Maary0

De Além Mar

R. Tomás da Anunciação 1A, 1350-303 Lisboa. De segunda a sexta-feira das 10h às 18h e sábado das 10h às 14h.

Na montra desta simpática loja numa esquina em Campo de Ourique, estão expostas as empadas que vêm da receita secreta de uma família. Diferentemente daquelas preparadas em Portugal, estas são feitas com “massa podre”, nome dado no Brasil à pasta de farinha e manteiga que desmancha com facilidade logo à primeira trinca. E as responsáveis por cruzar o Atlântico para prepará-las foram as irmãs Mónica e Maria João Morais com a sócia Fernanda Monteiro. Juntas, elas desenvolveram mais de vinte recheios para a ementa, sendo o de frango com creme de queijo artesanal (2,95 euros) o mais pedido, mas há também as versões vegetarianas com cogumelos, nozes e passas (2,85 euros) e de palmito e creme de queijo (3,70 euros). Uma versão luso-brasileira, de alheira e cebola caramelizada (3 euros), não foi criada à toa: por quase dez anos, a família Morais produziu petiscos portugueses que popularizaram-se na cidade de Salvador, na Bahia. E foi de lá que trouxeram também o talento para fazer pão delícia, popular em festas baianas, macio, levemente adocicado e recheado com creme de queijo artesanal (2 euros).

▲ A empada de "massa podre" e o pão delícia têm uma textura leve

DR

Falta

R. das Fontainhas 6, 1300-023 Lisboa. De quarta a segunda-feira, das 9h às 17h.

O sentimento de que faltava a união perfeita entre um ambiente agradável que servisse um pequeno-almoço simples — mas bem feito, sim senhor — levou a que Brenda Souto e Thayene Alves, ambas do Rio de Janeiro, abrissem as portas do Falta Café, em Alcântara. Com a dupla que já tinha experiência na restauração portuguesa, a palavra “falta” saiu do dicionário para ser impressa numa ementa que, em apenas um mês de operação, rapidamente atraiu os vizinhos, vários deles hoje clientes assíduos. É verdade que a esplanada solar com flores naturais chama a atenção de quem por ali passa. E se nela houver pães torrados numa chapa quente com manteiga (2 euros) e um “carioquíssimo” chá de erva mate com limão (3,50 euros), fica ainda melhor. Para quem não abre mão de um café quente, vale provar o paçoca latte, feito com creme de paçoca de amendoim e bebida de aveia (5 euros). A sandes de linguiça, cebola caramelizada, queijo derretido e molho à campanha (10 euros) – com tomate, pimentos e cebola cortados em pequenos pedaços – faz um match perfeito com os dias soalheiros, tal e qual nas areias daquela que é conhecida como “cidade maravilhosa”.

▲ Um dia ensolarado no Rio de Janeiro remete a churrasco e bebida fresca

DR

Lispoa

R. Nova do Desterro 29D, 1150-241 Lisboa. De terça-feira a sábado, das 18h às 00h.

O desafio era do tamanho do sonho do casal Luciana Borba e Tárlis Schneider: grande. Em 2022, depois de procurarem um lugar que pudesse abrigar não só a estrutura de um bar, mas também uma pequena fábrica de cervejas artesanais, fixaram morada em Arroios. Nas dez torneiras, há cervejas dos tipos IPA, APA, Lager, Amber, NEIPA e Stout (entre 3 euros a Lager de 25cl e 7,20 euros a NEIPA de 50cl). O nome “Lispoa” é uma homenagem à cidade natal dos dois, Porto Alegre (no estado do Rio Grande do Sul) e também à capital portuguesa, onde vivem há dez anos. Costume quase religioso entre os “gaúchos” é o consumo de erva mate, que entre eles é chamada de chimarrão. E é justamente este ingrediente que faz parte da Blonde Mate, uma cerveja ali produzida e que está entre as mais pedidas no balcão. Pode ser acompanhada de petiscos como empanadas (3,60 euros) ou amendoim crocante (3,30 euros).

▲ O gaúcho Tárlis Schneider criou uma cerveja com o ingrediente mais típico da sua terra

DR

Matuta

R. Actor Vale 15B, 1900-078 Lisboa. De terça a quinta-feira das 9h às 18h e de sexta e sábado das 10h às 21h30.

O “balcãozim” na Penha de França, como refere Eduarda Meireles com o seu sotaque inconfundível de Minas Gerais, não é pequeno o suficiente para que não caibam ali a variedade de doces e salgados produzida por aquela “quitandeira”. O pão de queijo é a estrela da casa, sendo servido nas versões doce e salgada, como o tradicional (2 euros) ou os recheados de queijo minas frescal (queijo fresco produzido em Minas Gerais), com goiabada ou doce de leite (4,50 euros) – que, como manda o costume naquela terra brasileira, “devem” ser acompanhados de um bom “cafézim” coado com grãos mineiros (2 euros). Há ainda bolos à fatia (entre 2,50 e 3 euros cada pedaço): cenoura com brigadeiro, milho, requeijão com goiabada, coco e formigueiro. Aquela morada tornou-se, desde julho, uma espécie de “consulado mineiro”, com a realização de eventos e venda de itens como coador de pano para café (2 euros) e garrafa de cachaça seleta (28 euros). A temática nostálgica do lugar, que tem filtro de água feito de barro e espelhos de moldura laranja, – ambos comuns nas casas saloias – resgata as vivências de Eduarda, que confessa ter trazido na mala de viagem um “bocadinho” da decoração da casa da sua “vovó Celica”, na cidade de Patrocínio, para recordar essas memórias em Lisboa.

▲ O café de Eduarda Meireles é como o coração de uma mãe mineira: sempre há espaço para mais um

DR

Palaphita

Bosque da Casa da Guia, Av. Nossa Senhora do Cabo 101, 2750-374 Cascais. Todos os dias, das 12h às 22h.

As construções e o tempero amazónico são a principal inspiração de Mário de Andrade Netto, natural de Manaus, capital do estado do Amazonas. O ideólogo deste descontraído espaço cresceu distante do mar, mas próximo da biodiversidade da maior floresta tropical do mundo. Em Cascais, entretanto, quem se senta nas mesas de madeira ao ar livre ou na bancada circular do seu restaurante pode, sim, ouvir o som das ondas e ver o azul das águas no horizonte. Uma das receitas tradicionais que Netto aqui apresenta é o arroz marajoara, com camarões, tucupi (fermentado de mandioca), jambu (hortaliça), e castanha-do-pará (28 euros). E a criatividade para o uso dos frutos nativos brasileiros tornam esta ementa única, como poucas outras em Portugal. Vale brindar com a caipirinha de jabuticaba — uma fruta nativa da Mata Atlântica — com lima e manjericão (13,50 euros), e provar a panacotta com doce caseiro de cupuaçu e castanhas (8 euros).

▲ Mário de Andrade Netto levou os sabores amazónicos à beira-mar de Cascais

DR

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