O histórico era tudo menos favorável, a história continuou a ser tudo menos favorável – da forma mais cruel possível, com um golo nos descontos. Após sete jogos com quatro empates e três derrotas, o Sporting voltou a cair frente ao Arsenal, mantendo esse registo sem triunfos diante dos londrinos. Mais: os gunners continuam a ter em Alvalade o local preferido para jogar em Portugal, tendo alcançado a terceira vitória em 13 encontros realizados em solo nacional sempre no recinto dos leões. Para isso, outros registos acabaram por “cair”.

A equipa que Kaiu de forma inglória na única vez em que a defesa deu Raya (a crónica do Sporting-Arsenal)

Depois das cinco vitórias noutros tantos jogos esta temporada na Liga dos Campeões em Alvalade, frente a Kairat Almaty (4-1), Marselha (2-1), Club Brugge (3-0), PSG (2-1) e Bodö/Glimt (5-0 após prolongamento), o Sporting consentiu a primeira derrota caseira na prova, quebrando também aquela que se tornou a maior série de triunfos consecutivos de sempre a jogar como visitado num total de 17 “carimbado” na recente receção ao Santa Clara. Mais: os leões ficaram pela primeira vez em branco jogando em Alvalade, depois da média de quase três golos por jogo com 68 golos em 23 partidas. Desde agosto que a formação de Rui Borges não perdia em casa (FC Porto na Liga), desde fevereiro que não ficava em branco em casa (B. Dortmund no playoff da Liga dos Campeões). Quer isso dizer que a eliminatória acabou? Ainda não.

Foi isso que jogadores e treinador dos verde e brancos foram defendendo na zona de entrevistas rápidas após o encontro, neste caso sem saberem que, nas 16 ocasiões em que o Sporting perdeu em casa a primeira mão de uma eliminatória da UEFA, houve uma ocasião em que esse desaire foi ainda revertido: em 2011, numa fase de qualificação para a Liga Europa, os leões perderam em Alvalade frente ao Bröndby por 2-0 mas conseguiram depois virar essa eliminatória na Dinamarca com um triunfo por três golos (3-0).

“O resultado foi um bocado penalizador para nós. Um jogo equilibrado, mesmo na posse. As melhores oportunidades de golo são do Sporting. O Arsenal em 90 minutos tem um remate antes do golo, uma bola à trave. Estou muito, muito feliz, foram irrepreensíveis a todos os níveis. Estou de consciência tranquila por tudo o que fizeram. Uma pequena situação nossa saiu-nos cara. Também já ganhámos aos 90′ ou depois, agora perdemos. Faz parte, é saber lidar com isso”, apontou Rui Borges na zona de entrevistas rápidas da SportTV, com um ar visivelmente orgulhoso pelo comportamento individual e coletivo dos leões num encontro que contou com outra figura mundial do desporto, neste caso da Fórmula 1: Lando Norris, atual campeão que no final recebeu uma camisola do Sporting personalizada com o 4 de Frederico Varandas.

“Sabíamos daquilo que o Arsenal era capaz de fazer. É uma equipa que procurava o homem a homem, com uma fisicalidade que ajuda muito a ganhar duelos. Eles tentaram ativar isso, muito intensos nos duelos. Não fugimos ao que somos e soubemos reagir. O Arsenal não teve grandes oportunidades. Conseguimos controlar. Quando tinham posse, nós tínhamos superioridade em termos defensivos. A eliminatória está em aberto. Este grupo é dado a coisas difíceis. Falta de mais opções? Não era bem para abrir mas para mexer de forma boa e dar seguimento ao que o Trincão e o Geny estavam a fazer. Precisávamos de gente fresca. O Quenda e o Luis [Guilherme] dão-nos isso, essa verticalidade. Oxalá recuperem rápido. São mais duas opções a acrescentar à qualidade do plantel”, acrescentou ainda o técnico dos leões na flash interview.

Também Pedro Gonçalves alinhou pelo mesmo diapasão após o encontro. “Sabíamos que ia ser um jogo equilibrado e competitivo. Tínhamos de ter bastante compromisso a defender e a atacar. Tivemos as nossas oportunidades, eles tiveram as deles. Acabaram por marcar um golo, nós não conseguimos, mas a eliminatória está em aberto. Vamos lá para tentar ganhar e passar a eliminatória. Saímos tristes, claro, porque sentíamos que podíamos empatar. Marcaram no último minuto e é sempre frustrante. Sabemos que o jogo lá será novamente equilibrado, homem a homem, mas vamos lá para tentar ganhar”, assegurou o médio internacional português, que marcou melhor golo da carreira em pleno Emirates quase do meio-campo.

“Como disse, o jogo vai ser quase igual a este. Vai ser equilibrado. Eles respeitam-nos, nós respeitamo-los. Sabemos que vamos ter as nossas oportunidades, agora, era a do Maxi ser golo em vez de ir à trave e termos um bocadinho a sorte do jogo. Se aquele golo pode servir de inspiração? Pode servir mas espero que sirva para todos os jogadores, que pelo menos um marque e que fique 1-0. Pelo menos que consigamos passar a eliminatória, será essa a mentalidade”, comentou Pedro Gonçalves à SportTV.

“Estou feliz pela vitória contra um adversário que levava 17 jogos a ganhar e complica a vida aos oponentes. Fomos dominantes em muitas situações mas faltou algo na área, que espero melhorar na próxima semana. O Raya também teve duas boas defesas que nos salvaram de sofrer em duas ocasiões do Sporting. Os jogadores que saltaram do banco tiveram impacto tremendo, com a ação do golo que é maravilhosa e define o jogo. Esta é a nossa identidade, sermos agressivos e querermos recuperar logo a bola. Fizemo-lo bem. Eliminatória resolvida? Não, de todo. Com o nível deste adversário, ainda falta muito para fazer em casa. Mas agora é descansar que sábado temos um jogo muito importante”, destacou também Mikel Arteta.

[As testemunhas, os relatórios, as fotos e os vídeos que desvendam como Renato Seabra matou Carlos Castro em Nova Iorque. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir o primeiro episódio, aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music]