O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu esta terça-feira em baixa a estimativa de crescimento da economia portuguesa, de 2,1% para 1,9% este ano.
Esta projeção representa uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais face à estimativa do World Economic Outlook (WEO) de outubro do ano passado.
Fica também abaixo da previsão do Governo, que inscreveu no Orçamento do Estado para 2026 um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% este ano.
Para 2027, o FMI prevê agora um crescimento de 1,8% em Portugal, de acordo com a atualização do WEO divulgada esta terça-feira pela instituição. Portugal fica, ainda assim, segundo as projeções acima das projeções da zona euro.
Zona Euro com crescimento de 1,1% em 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a economia da zona euro vai crescer 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027, segundo as previsões divulgadas.
Esta previsão representa uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais em cada ano, em comparação com a atualização do World Economic Outlook de janeiro de 2026, “com o efeito do crescimento melhor do que o esperado no final de 2025 a dar lugar ao impacto negativo do conflito no Médio Oriente”.
O impacto do conflito soma-se aos “efeitos persistentes da subida nos preços da energia desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, afetando o setor de produção, com pressão adicional da valorização real do euro em relação às moedas de países exportadores de produtos similares”, lê-se no relatório.
As projeções do FMI apontam para um crescimento da economia alemã de 0,8% em 2026, enquanto a economia francesa deverá crescer 0,9% e a italiana 0,5%.
A inflação na zona euro deverá superar temporariamente os 2% em 2026 e permanecer acima da meta em 2027, prevê o FMI, enquanto a inflação subjacente deverá aumentar de forma mais modesta.
Em cenário muito grave inflação mundial dispara para 6%
Neste relatório, a instituição salienta que as previsões, no geral, seriam revistas em alta se não fosse pelo conflito no Médio Oriente, que levou, pelo contrário, a um corte nas projeções de crescimento global.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a previsão do crescimento global de 3,3% para 3,1% em 2026. Devido a incerteza relacionada com o conflito, o FMI decidiu fazer um conjunto de cenários que mostram os possíveis impactos de uma guerra mais demorada. A previsão para 2026 foi revista em baixa em 0,2 pontos percentuais e a de 2027 permanece inalterada, em comparação com a da atualização do World Economic Outlook de janeiro de 2026.
No cenário base, o crescimento global deverá ser de 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027, segundo estas estimativas, “mais lento do que o ritmo recente de cerca de 3,4% em 2024-2025, e deverá estabilizar-se nesse patamar no médio prazo”.
O FMI salienta que, antes do conflito, as previsões iriam ser revistas em alta, pelo que este corte se deve largamente às disrupções provocadas pela guerra.
Já a inflação global deverá aumentar para 4,4% em 2026 e diminuir para 3,7% em 2027, representando revisões em alta para ambos os anos.
De acordo com o relatório, num cenário adverso, com aumentos maiores e mais persistentes nos preços da energia, o crescimento global desaceleraria para 2,5% em 2026 e a inflação atingiria 5,4%.
E num cenário ainda mais grave, com maiores danos à infraestrutura energética na região do conflito, o crescimento global cairia para cerca de 2% em 2026, enquanto a inflação geral ficaria pouco acima de 6% em 2027.