“Com golos de Cristiano Ronaldo e João Félix, o Al Nassr conseguiu no passado fim de semana a 14.ª vitória consecutiva na Liga saudita, motivo que levou os jornalistas locais a questionarem-me sobre este feito, dado ter passado a ser a maior sequência de triunfos de sempre da equipa e a maior da época em curso. Respondi que é muito bom ter este registo numa fase decisiva do Campeonato mas que a mesma pode perder boa parte do significado se não for acompanhada pelo título de campeão”, destacava Jorge Jesus, técnico do conjunto saudita, numa coluna da habitual página de crónica que tem às quartas-feiras no jornal Record.
Apesar desse bom momento, e em semanas em que ganhou pontos aos dois adversários na corrida ao título, o Al Ahli e o Al Hilal (que vieram depois criticar as arbitragens nos encontros em que não foram além de dois empates, com Galeno a ter mesmo uma publicação que causou polémica onde dizia que “querem dar a taça a uma pessoa” e que isso era uma falta de respeito), seguia-se um duelo complicado diante do Al Ettifaq, o adversário que tirou os primeiros pontos ao Al Nassr na Liga. “Não podemos entrar a pensar no jogo deste domingo com o Al Wasl para a Liga dos Campeões 2. Temos pela frente mais uma final para atingir o grande objetivo da época. É com esse foco que os jogadores terão de subir ao relvado”, pedia, tentando prolongar a sequência de triunfos. E, mais uma vez, com atenções centradas no capitão, Cristiano Ronaldo.
GOAL | RONALDO STRIKES FIRST ⚽️
AL-NASSR TAKE THE LEAD. pic.twitter.com/gtCfybql1Q
— All About SPL ???? ???????? (@Saudifutbol) April 11, 2026
“O Cristiano é um jogador fantástico, mais apaixonado pelo futebol do que eu. Ele quer conquistar todos os troféus possíveis”, salientara o experiente treinador na antecâmara do encontro a contar para a 29.ª jornada da competição. “É um jogo duro, o Al Ettifaq é considerado um dos melhores clubes na Arábia Saudita. Começamos a sentir a pressão de estar na liderança, uma vez que vamos competir contra grandes equipas”, realçara sobre a equipa agora comandada pelo saudita Saad Al Shehri que contava com jogadores como Moussa Dembelé, Wijnaldum ou o luso-brasileiro João Costa para tentar surpreender em Riade. No entanto, e como era habitual, Jesus contava com a armada ofensiva liderada pelo capitão português para reforçar o primeiro lugar na prova, numa fase em que o número 7 levava três golos nos dois jogos depois de recuperar de um problema muscular que o afastou da Seleção num total de 24 na prova só superados nesta fase pelo inglês Ivan Toney (Al Ahli, 27) e pelo colombiano/mexicano Julián Quiñones (Al-Qadsiah, 26).
???????? ????????????????????????????????: Cristiano Ronaldo needs 6 goals to become Al Nassr’s all-time top scorer in the Saudi Pro League. pic.twitter.com/hTniikuCbO
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Estava aí mais um desafio para quem, aos 41 anos, continua todos os dias à procura do próximo desafio. No futebol, na vida, no… padel. “De todas as celebridades com quem já joguei – incluindo alguns membros da família real –, o Ronaldo é o melhor. É simplesmente o atleticismo dele. Salta tão alto, move-se tão rápido e bate sempre na bola com tanta força que esta voa por cima da parede de fundo. Além disso, é bastante difícil manter a concentração no jogo. Quando estava a servir, nem olhava para a bola, ficava apenas a olhar para o outro lado da rede a pensar: ‘O que é que está a acontecer agora?’ (…) É extremamente competitivo. Uma vez atirei a bola para fora do campo, correu para o corredor e atirou-a de volta para o campo. Depois, deu a volta às quatro paredes e terminou com a tradicional celebração ‘Siu’, a saltar no ar e a baixar os braços como se fosse o Super-Homem. É surreal ver isto à frente de seis pessoas em vez de 60.000″, contou Nikhil Mohindra, responsável da Padel Foundation, num artigo de opinião publicado no The Telegraph.
A ligação de Ronaldo à modalidade era conhecida, ganhando outra expressão a partir de 2024 quando decidiu entrar na “Cidade do Padel” em Oeiras, além de ter adquirido o Lisboa Racket Centre, em Alvalade, mas aquilo que mais impressiona no texto é a forma como se entrega a qualquer jogo como se fosse o último e acaba a partilhar segredos de como recuperar bem para estar melhor no próximo desafio. É assim no padel, é assim no futebol, é assim em tudo. E, mesmo sem conseguir marcar, aquele que é o grande objetivo desde que se mudou para a Arábia Saudita está cada vez mais próximo de concretizar-se.
????????NEW: Ronaldo's Al Nassr is only FOUR wins away from winning the Saudi Pro League title. pic.twitter.com/InmH9SpyLK
— The Touchmine | ???? (@TouchmineX) April 15, 2026
Apesar da importância do encontro, o Al Nassr demorou até superar pela primeira vez a defesa do Al Ettifaq. Kingsley Coman teve um primeiro remate por cima, Ronaldo atirou ao lado, Sadio Mané viu um lance em que surgiu na cara do guarda-redes contrário ser cortado em cima da linha depois de um grande passe de João Félix e seria Moussa Dembelé a desperdiçar a grande oportunidade da primeira parte já perto da meia hora, atirando ao lado após correr 20 metros isolado só com Bento pela frente. Só mesmo aí houve uma verdadeira reação, com o 1-0 a surgir pouco depois com Coman a aproveitar uma defesa incompleta de Marek Rodák a remate de Ronaldo para fintar o guardião eslovaco e encostar para a baliza (31′). O encontro estava a abrir mais e por pouco não houve mais golos ao intervalo, com uma boa zona de pressão alta feita por João Félix a provocar novo passe errado em zona proibida antes do remate de Ronaldo que bateu ainda no poste.
Massive goal from Kingsley Coman.pic.twitter.com/y2BSYX3FCq https://t.co/HXYrtwOQc3
— Al Nassr Zone (@TheNassrZone) April 15, 2026
Sadio Mané ainda viu também Marek Ródak a evitar um lance em que estava isolado na área mas a segunda parte prometia mais golos, um pouco como reflexo daquilo que é a própria Liga saudita. Não foi isso que aconteceu: o Al Nassr foi desperdiçando oportunidades, viu também um lance de grande penalidade anulado pelo VAR num corte com o peito de Jack Hendry e acabou mesmo por vencer pela margem mínima, que não deixou de funcionar como 15.º triunfo consecutivo, reforçando a liderança na prova a cinco jornadas do final com mais oito pontos do que o Al Hilal e mais dez do que o Al Ahli (ambos com menos um jogo).