Doze edições da nova prova da UEFA para os conjuntos Sub-19, nove participações nacionais na Final Four da competição com duas vitórias, a quinta presença do Benfica entre os quatro melhores conjuntos europeus da categoria. Se para o Club Brugge tudo era novo, no regresso de equipas belgas às decisões depois dos dois apuramentos do Anderlecht, o conjunto da Luz estava mais do que habituado a estas andanças – e com uma “motivação” extra, a do título em 2022, depois de três finais perdidas nos sete primeiros anos com Barcelona, Salzburgo e Real Madrid. O caminho para o sucesso estava descoberto e era nesse passo que os encarnados se focavam na meia-final inaugural no Estádio de la Tuilière, na cidade suíça de Lausana, antes do duelo entre o Real e o PSG, formação francesa que continua ainda em busca do seu primeiro troféu.

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“Chegar a esta Final Four, é sinal de que fizemos bem o nosso caminho, o nosso trajeto, com muita qualidade, com perseverança e ambição. Os nossos jogadores estão com muita vontade, fome de competir. Esperam-se três boas equipas, não podemos deixar a equipa de arbitragem de fora. Que a nossa se possa superiorizar e conseguir o resultado que queremos, que é a passagem à final. Vamos defrontar um Club Brugge que, à nossa semelhança, tem oito vitórias e uma derrota. É a melhor defesa da prova mas é uma equipa que concede algumas oportunidades e que podia ter sofrido mais golos ao longo desta competição. Nós somos o melhor ataque, que é um dado muitíssimo bom, mas agora isso vai contar pouco. Aquilo que queremos é ser Benfica: fortes, competitivos, a lutar em cada lance pela bola, com posse, a querer marcar golos”, apontara antes da partida Vítor Vinha, técnico que tentava ligar nesta equipa encarnada três gerações de jogadores.

“Agora é voltar a juntá-los, embora dentro do Benfica Campus eles estejam sempre em contacto. Mas aqui, juntos, formar uma equipa em torno dos valores do Benfica. A partir daí, temos uma identidade muito própria, uma equipa que quer atacar, criar dano no adversário, procura a baliza, tenta pressionar forte para ter a bola para voltar a atacar. Também é importante saber sofrer quando tivermos de sofrer, porque neste tipo de competição, onde estão os melhores, onde está a elite, nem sempre vamos conseguir estar por cima. Por isso, temos de nos manter focados, concentrados, organizados, ser Benfica em todos os momentos. Se assim for, estamos mais próximos de vencer, que é o que queremos”, acrescentara o treinador benfiquista.

Depois de uma primeira fase em que terminou o grupo na segunda posição, conseguindo cinco vitórias com Qarabag, Newcastle, Bayer Leverkusen, Ajax e Nápoles entre uma derrota em Londres com o Chelsea, os encarnados ganharam no Seixal ao Slavia de Praga (3-2) e ao AZ (6-2) antes de baterem o Inter em Milão nos quartos por 3-2, naquele que foi um dos melhores e mais emocionantes encontros na competição. Agora, o filme foi ao contrário. Tanto que, na primeira hora de jogo, aquilo que poderia ser uma vantagem confortável com outra eficácia era na verdade uma desvantagem de 2-0. A partir daí, o Benfica quebrou de vez. E, pela primeira vez em cinco participações na Final Four, falhou mesmo a hipótese de chegar à decisão.

Melhor entrada era impossível, correspondência prática disso… nenhuma. Miguel Figueiredo deu o mote com um remate a rasar o poste logo no primeiro minuto, Coletta teve depois oportunidade de marcar ao segundo poste como acontecera com o Inter mas o guarda-redes Driessche levou a melhor (5′), o domínio do jogo não era suficiente para colocar o Benfica em vantagem. Os belgas foram começando a esticar o jogo até ao último terço mas as melhores oportunidades continuavam a pertencer aos encarnados, com Umeh a ser lançado na profundidade para rematar por cima da trave sozinho na área (26′). O primeiro golo acabaria por surgir ainda na metade inicial… mas para o Club Brugge: Goemaere beneficiou de um penálti por falta de Miguel Oliveira descortinada pelo VAR, Diogo Ferreira ainda travou o castigo máximo mas o capitão teve a felicidade de fazer a recarga para o 1-0 que iria chegar até ao intervalo, apesar de mais uma oportunidade flagrante para o conjunto da Luz, neste caso com Gonçalo Oliveira, num canto, a acertar na trave (45+3′).

A segunda parte ainda começou com mais um grande lance do prodígio esloveno Tian Nai Koren, de 16 anos, que deixou para trás dois adversários na área antes de rematar para grande defesa de Diogo Ferreira, mas foi o Benfica que continuou a controlar a partida, tendo em Umeh a principal referência ofensiva com um desvio ao lado após cruzamento de Coletta e um remate em arco desviado com uma grande intervenção para canto por Vanden Driessche (55′). O golo não aparecia numa baliza, o golo surgiu na outra baliza: na sequência de uma arrancada quase do meio-campo pelo corredor central depois de um lance em que os encarnados tinham ficado a pedir penálti, Andre Garcia ganhou a tudo e todos em velocidade e aumentou para 2-0 (57′).

Vítor Vinha lançou de imediato Eduardo Fernandes e Francisco Silva mas a equipa tinha acusado e muito o segundo golo dos belgas, voltando a ter em Diogo Ferreira uma referência a evitar males maiores em saídas rápidas em toques curtos que colocavam sempre alguém pronto para finalizar na área das águias. Quando não era de bola corrida, era de bola parada – grande trabalho na sequência de um canto à esquerda de novo com Koren a fazer a diferença com um toque de calcanhar, cruzamento de Jensen e desvio na pequena área de Yanis Musuayi para o 3-0 (67′). Apesar de mais mexidas por parte do Benfica, e de outro remate de Umeh que passou perto do alvo, a história da meia-final estava escrita apesar de um autogolo já em período de descontos de Verlinden depois de um cruzamento da direita (90+2′), com um resultado que premiou a capacidade dos belgas em perceberem o que pedia o jogo na segunda parte mas que penalizou e muito toda a ineficácia dos encarnados não só em termos ofensivos mas também nas transições e nas bolas paradas.