A criação do Centro Interpretativo do 25 de Abril está num impasse após o Governo ter adiado indefinidamente o projeto cuja inauguração estava planeada para 2026, noticia o Expresso.
O plano para um museu que seria “o corolário e o maior legado deixado pelas comemorações dos 50 anos da Revolução” foi anunciado em janeiro de 2024. Na altura, foi assinado um protocolo entre a Associação 25 de Abril, a Câmara de Lisboa e o Governo ainda liderado por António Costa. O Executivo deveria ceder as atuais instalações do Ministério da Administração Interna (MAI), no Terreiro do Paço, para o museu e financiar o projeto com um custo previsto de 5,2 milhões de euros.
Contudo, a execução do projeto não avançou desde que Luís Montenegro foi eleito primeiro-ministro, meros meses depois. No verão passado, António Leitão Amaro comunicou aos representantes da Associação 25 de Abril e da comissão executiva das comemorações do 50 anos que o projeto teria de ser revisto devido à decisão de manter o MAI na Praça do Comércio.
Chegou a ser considerada a possibilidade de criar o museu nas atuais instalações do Ministério da Agricultura, mas nunca houve uma decisão definitiva. Nesse cenário, o Centro Interpretativo nunca estaria pronto antes do final de 2027, enquanto o objetivo fixado inicialmente era inaugurá-lo antes do final das comemorações dos 50 anos, em dezembro de 2026.
Ao contrário do previsto, o Governo ainda não transferiu para a Associação 25 de Abril os 10% do orçamento total destinados a financiar os projetos de arquitetura e especialidades do museu. O Ministério da Presidência não respondeu às questões do Expresso sobre de que forma prevê concretizar o projeto, quando vai fazer o pagamento da respetiva primeira tranche e em que data espera inaugurar o museu.
“Vejo este impasse com muita preocupação. Continuamos a aguardar que o Governo nos dê uma indicação sobre o espaço que vai, afinal, acolher este projeto. Tudo está dependente disso e estamos todos à espera”, disse Maria Inácia Rezola, comissária executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, acusou o Governo de “empurrar com a barriga” e não assumir “a responsabilidade com que o Estado se comprometeu”.
Vasco Lourenço e Maria Inácia Rezola reuniram-se a 30 de março com o Presidente da República para encontrar uma solução para o impasse. António José Seguro preside, por inerência, à Comissão Nacional das Comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos
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“Na audiência, o Presidente disse que vai conversar com o Governo para agilizar o processo e dar vida ao que foi protocolizado, mostrando-se muito empenhado nisso”, disse Maria Inácia Rezola ao Expresso. Vasco Lourenço admite sentir “desilusão e revolta” com a situação e entende que existe “uma intenção de boicotar este projeto porque o Governo não está interessado em preservar a memória do 25 de Abril”.