Morreu esta sexta-feira Oscar Schmidt, o “mão santa”, nome lendário do basquetebol brasileiro e mundial. Depois de lutar com um cancro no cérebro durante quinze anos, o antigo atleta sentiu-se mal e deu entrada de manhã num hospital de São Paulo, em paragem cardiorrespiratória. Acabou por morrer durante a tarde, aos 68 anos, gerando uma maré de reações e homenagens que lembram os recordes que bateu e a família que deixa (a mulher, Maria Cristina, e dois filhos, Filipe e Stephanie).
A história dos marcos atingidos por Schmidt é longa: foi o recordista brasileiro em participações olímpicas (participou em cinco edições seguidas) e foi o único atleta a ultrapassar a marca dos mil pontos na história da competição. O arremesso preciso da bola valeu-lhe a alcunha de “mão santa”, mas Schmidt fazia questão de lembrar a importância do trabalho e do empenho: “Não existe mão santa, existe mão treinada“, costumava dizer, segundo o UOL.
Como conta o Globo, Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte, e sonhava ser jogador de futebol, mas por ser muito alto (media 2,05 metros) acabou por se decidir pelo basquetebol. Começou a jogar em Brasília, no Colégio Salesiano, e seguiu para o Clube Unidade Vizinhança, onde foi treinado por Laurindo Miura. Dali, passou a jogar aos 16 anos na equipa juvenil do Palmeiras, em São Paulo.
Foi ao destacar-se ali que passou a ser convocado para a seleção brasileira (primeiro a juvenil, depois a principal). Jogou no Sírio, onde ganhou o Mundial de Clubes de Basquete, e em 1980 foi aos seus primeiros Jogos Olímpicos, em Moscovo — voltaria a participar em Los Angeles, 1984; Seul, 1988; Barcelona, 1992; e Atlanta, 1996.
Jogou depois durante 11 épocas no JuveCaserta, em Itália, liga com a qual só a NBA (norte-americana) rivalizava. E foi para a NBA que foi convidado várias vezes, tendo recusado sempre, porque preferia continuar a integrar a seleção brasileira (na altura, a federação não permitia que jogasse naquela liga e defendesse uma seleção nacional), onde continuou a “acumular recordes ao longo de quase décadas”, lembra o Globo. Era ali que vestia a icónica camisola 14.
“Foi uma decisão que eu nunca mudaria. Foi a decisão mais fácil que já tomei na minha vida. Jogar pela seleção é a coisa mais nobre que existe, é diferente. É representar um país inteiro, e isso é muito melhor do que jogar na NBA”, disse em 2019 à agência EFE.
Como vários jornais brasileiros recordam agora, o título mais marcante da sua carreira foi o Ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, nos Estados Unidos, quando marcou 46 dos pontos do Brasil (ficou 120 a 115) contra os Estados Unidos, numa final histórica.
Schmidt passou ainda pelo Fórum, em Espanha, e de novo ao Brasil, no Corinthians, fechando a carreira em 2003, no Flamengo. O seu recorde de pontos (49.737 ao longo da carreira) só foi superado por Le Bron James, em 2024, com 49.760 pontos em jogos oficiais.
O basquetebolista tornou-se um dos maiores jogadores de sempre no Brasil e no mundo, tendo ganhado um lugar no Passeio da Fama da Federação Internacional de Basquetebol e da NBA. Na seleção, contabiliza a CNN, conquistou três campeonatos Sul-Americanos e um Pan, além do bronze no Mundial de 1978.
Schmidt lutou durante onze anos contra um cancro no cérebro, tendo depois decidido parar o tratamento de quimioterapia, porque queria manter o “bem-estar” e passar mais tempo com a família. Em entrevista ao UOL, em 2024, disse acreditar que um encontro com o Papa o tinha curado. “O Papa, ele veio ao Brasil. Sou muito católico. Ele pôs a mão na minha cabeça e falou: ‘Considere-se abençoado’. Pronto, curei. Parei de me emocionar uma semana depois”.
Publicamente era sabido, também por publicações e informações da família, que estava frágil e que recentemente tinha feito uma cirurgia que o tinha deixado debilitado.
Esta sexta-feira, em reação à sua morte, o Comité Olímpico do Brasil emitiu um comunicado em que descrevia Schmidt como “um dos maiores nomes da história do basquete e uma lenda do Movimento Olímpico do Brasil”. “Conhecido como ‘Mão Santa’, Oscar foi recordista brasileiro em participações olímpicas no basquete, disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos e se tornou o único atleta a ultrapassar a marca de 1.000 pontos na história da competição”, recordou o comité.
O filho, Felipe Schmidt, escreveu nas redes sociais: “Como filho, eu só tenho a dizer: pai, vou sentir a sua falta. Vou honrar tudo o que você me ensinou a ser como homem e tentar ser ao menos 10% do ser humano que você foi. Você foi um exemplo de vida para mim, e eu nunca, nunca vou te esquecer”.
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