O Pentágono terá sinalizado a alguns Estados-membros da NATO para moderarem a sua retórica sobre a ameaça colocada pela Rússia, por considerar que as críticas de alguns países europeus a Moscovo podem prejudicar a segurança continental. A informação é adiantada este sábado pela Reuters, que suporta a notícia em pelo menos quatro fontes ligadas aos contactos diplomáticos no seio da aliança atlântica e que falaram sob condição de anonimato.

No centro desses ‘avisos’ dos Estados Unidos estarão Lituânia, Letónia e Estónia, ou seja, os países dos Bálticos que mais têm alertado para os riscos de uma possível ação militar russa nas suas fronteiras. Estónia e Letónia fazem fronteira a leste do seu território com a Rússia, enquanto a Lituânia está ao lado do enclave russo de Kaliningrado.

As mensagens a pedir contenção verbal terão sido transmitidas em reuniões bilaterais, desconhecendo-se se houve mais governos europeus visados por pedidos para este discurso mais ‘amigável’ para com o Kremlin. Os Estados Unidos alcançaram um acordo com a Rússia este mês para o alívio de sanções económicas e para o fornecimento de gasóleo, num contexto em que têm também pressionado Kiev a chegar rapidamente a um entendimento para o fim da guerra com a Rússia.

“As conversas privadas entre aliados são apenas isso, pelo que não iremos comentar estas alegações”, declarou um porta-voz do Pentágono, quando instado a reagir a estes contactos.

De acordo com as fontes consultadas pela Reuters — três europeias e uma norte-americana —, o chefe de política do Pentágono, Elbridge Colby, foi uma das autoridades norte-americanas envolvidas no ‘recado’ aos países do Báltico. Colby terá declarado que estes estados não deveriam alinhar em “provocações” aos russos, sob pena de poder gerar algum tipo de ação do Presidente russo, Vladimir Putin.

“Estamos a ajudar-vos. Os americanos estão lá. Mas não sejam barulhentos. Não façam alarido“, reportou uma das fontes europeias ouvidas pela Reuters acerca das comunicações do Pentágono.

Recentemente, o primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, descreveu Putin como um “rato encurralado” e que isso estava a levar Moscovo a aumentar ações de sabotagem no território europeu. Apesar disso, as mesmas fontes indicaram que o apelo à contenção verbal não foi feito de forma conflituosa ou hostil.

Até ao momento, não houve uma reação dos ministérios da Defesa de Lituânia, Letónia e Estónia em relação às informações sobre as mensagens de contenção do Pentágono face à Rússia.