Por regra, no estrangeiro, não se fala de política nacional, mas António José Seguro acabou por fazê-lo de forma velada. Numa altura em que o Presidente decidiu chamar os parceiros sociais a Belém, o Presidente reafirmou que o mercado de trabalho precisa, de facto, de alterações, em particular para melhorar questões como “progressões da carreira e salários“. Após conversar com jovens na residência do embaixador de Portugal em Madrid, o chefe de Estado fez o que chamou de “síntese abusiva” das respostas dos jovens para concordar que “Portugal é um País extraordinário para viver, mas precisa de fazer melhorias para também ser um País extraordinário para trabalhar.”

António José Seguro — que estava na sua primeira ação da visita oficial a Madrid — fez questão de explicar que não “inova” ao fazer a primeira viagem a Espanha, mas “consolida aquilo que têm sido boas escolhas” dos seus “antecessores, no sentido de reafirmar estas relações, não apenas de vizinhança, mas de vizinhos que sabem estar, partilhar o espaço, em primeiro lugar, desta Ibéria, mas também de projetar toda a nossa cooperação nos fóruns multilaterais e, em particular, na União Europeia, que é uma comunidade de pertença”.

Seguro reforçou assim que “a escolha de Espanha não é uma escolha ao acaso”, uma vez que pretende, precisamente, “consolidar estas relações entre Portugal e Espanha que se traduzem em frequentes relações bilaterais, com uma ampla relação comercial.”

O Presidente da República acrescenta, no entanto, que, apesar das sólidas relações comerciais, gostaria muito que “as empresas portuguesas tivessem uma penetração maior na economia e no mercado espanhol”. E deixa uma garantia: Vamos estimular [essa maior entrada de empresas portuguesas em Espanha], essa é uma das preocupações da nossa presença aqui e dos encontros ao mais alto nível, com sua majestade o Rei de Espanha e com o senhor presidente do Governo espanhol.”