O início da 109.ª edição da Volta a Itália esteve longe de correr como se desejava e voltou a trazer à tona uma questão importante: a segurança dos ciclistas. No primeiro de três dias na Bulgária, país que recebeu a grande partenza da primeira Grande Volta da temporada, a chegada foi decidida pelos homens mais rápidos, com Paul Magnier (Soudal Quick-Step) a bater Tobias Lund Andresen (Decathlon CMA CGM) em cima da meta e a dar ainda mais colorido a um início de ano que tem sido positivo. Deste modo, o francês tornou-se o primeiro líder deste Giro d’Italia, num primeiro dia que teve uma brutal queda a 700 metros da linha de chegada e que envolveu grande parte do pelotão. Tudo aconteceu numa altura em que a estrada era estreita e as barreiras de proteção estavam longe de o ser, não conseguindo “amortecer” os toques que se registaram na parte da frente do grupo.
Nesse sentido, a Pinarello Q36.5 foi uma das equipas mais penalizadas, perdendo o seu sprinter, Matteo Moschetti, por conta de uma concussão, com os regulamentares a preverem a saída de competição nessas circunstâncias. O primeiro dia da Volta a Itália até foi positivo para Portugal, que colocou António Morgado (UAE Team Emirates-XRG) no sexto lugar da geral, a oito segundos de Magnier, por conta das bonificações no quilómetro Red Bull, em que o ciclista de 22 anos, que se estreia em Grandes Voltas, foi o primeiro do pelotão.
“Ontem [sexta-feira] foi uma das etapas mais fáceis e calmas que já enfrentei e tinha estradas largas. Decidimos apenas ficar no fundo do pelotão e não houve risco com isso. Hoje [sábado] vamos ter que estar lá na frente. Tenho que estar preparado porque vai ser uma grande batalha, com uma subida difícil no final. Preciso de estar lá na frente e de estar preparado para isso. Hoje, basicamente, tudo pode acontecer. A fuga pode certo, pode haver um sprint reduzido no pelotão ou alguém a tentar atacar na penúltima subida. Só o tempo vai responder”, perspetivou Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) já de olho na segunda etapa, que ligou Burgas a Veliko Tarnovo, num total de 221 quilómetros, a segunda mais longa desta edição.
Tappa 2️⃣ | Stage 2️⃣
???? Burgas (Бургас)
???? Veliko Tarnovo (Велико Търново)
???? 221 KM
????️ 11:50#GirodItalia | #VisitBulgaria #GoToBurgas pic.twitter.com/SPtNFeMbuF— Giro d'Italia (@giroditalia) May 9, 2026
Quis a organização que a dureza aparecesse logo ao segundo dia de competição e depois de 100 quilómetros praticamente planos. Depois de ultrapassadas as duas primeiras subidas do dia, os últimos 16 quilómetros foram muito duros para os ciclistas, que tinham o quilómetro Red Bull, a subida de Lyaskovets Monastery, com 3,9 kms a 6,6% de inclinação média, mas com 800 metros a cerca de 11% no início. Nos últimos dois quilómetros, restava uma colina com 800 metros a 5,3% e rampas a 9%, para lá de a sua primeira fase ser feita em piso paralelo. A fechar, o quilómetro final era plano.
Com Morgado a envergar a camisola branca, da juventude, por se encontrar no segundo lugar, atrás de Magnier, Mirco Maestri e Diego Sevilla (Polti VisitMalta) foram os fugitivos da jornada e chegaram a ter quase seis minutos de vantagem, mas o pelotão acabou por controlar a diferença e alcançou a dupla na segunda metade da tirada, já depois de Vingegaard ter trocado duas vezes de bicicleta. A 23 quilómetros da meta, uma nova grande queda na parte da frente pelotão neutralizou a corrida, levando ao chão Jan Christen e Adam Yates (Emirates), que chocaram a alta velocidade contra o rail de proteção, e nomes como António Morgado, Jay Vine (Emirates), Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious), Derek Gee-West (Lidl-Trek) e Rémi Cavagna (Groupama-FDJ United), com o total de envolvidos a ultrapassar as duas dezenas. Vine abandonou a corrida de maca, juntamente com Adne Holter (Uno-X Mobility), ao passo que Andrea Vendrame (Jayco AlUla) ficou em sérias dificuldades.
???? Durísima caída en el pelotón con Adam Yates y más de una decena de corredores afectados
❌ Se neutraliza la carrera por el momento#GirodItalia pic.twitter.com/Jo5oHxJY6i
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) May 9, 2026
No recomeço, Egan Bernal (Netcompany Ineos) aproveitou para surpreender e bonificar seis segundos, à frente dos colegas Thymen Arensman e Connor Swift. Com Vingegaard recuado no grupo principal, de onde saíram cedo Morgado e Gee-West, Christian Scaroni (XDS Astana) foi o primeiro a atacar, já na última subida categorizada. A Visma assumiu as despesas da corrida e acabou por neutralizar a ofensiva do italiano, lançando o ataque do dinamarquês a 600 metros do alto, com resposta de pronto de Giulio Pellizzari (Red Bull-Bora-hansgrohe) e Christen. Jonas Vingegaard continuou a insistir, mas só conseguiu distanciar-se na descida, levando consigo o italiano da Red Bull e Lennert van Eetvelt (Lotto Intermarché). No empedrado, os perseguidores aproximaram-se e reentraram já dentro do último quilómetro. Van Eetvelt respondeu à chegada de Christen, o grupo recolocou e, no sprint final, Guillermo Thomas Silva (XDS) aproveitou o lançamento de Scaroni e bateu Florian Stork (Tudor) e Giulio Ciccone (Lidl) em cima da meta.
???????????? La primera ???????????????????? de este Giro
Atacón de Jonas Vingegaard, que quiere la maglia rosa, y ante el que solo Van Eetvelt y Pellizzari pueden responder a la altura del danés#GirodeItalia pic.twitter.com/rKOGuDhEFI
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Desta forma, o primeiro ciclista da história do Uruguai a participar numa Grande Volta é o novo líder da Volta a Itália. Na geral, Stork está a quatro segundos de Thomas Silva, assim como Bernal. Afonso Eulálio (Bahrain) foi o melhor português na etapa, chegando integrado no pelotão, a 1.01 minutos do uruguaio.
???????? Desde Uruguay con mucho ????????????????????.
???? Thomas Silva, ciclista uruguayo del @XDSAstanaTeam, se lleva la victoria en un final de absoluto infarto en la que es la primera participación de un ciclista uruguayo en el @GirodItalia#GirodItalia pic.twitter.com/Gzn032MBkd
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) May 9, 2026