Aos 24 anos, Afonso Eulálio deu colorido ao sonho de menino. Quarta-feira voltou a ser dia de Portugal na Volta a Itália, a Grande Volta que tem conquistado o coração dos portugueses ao longo desta década. E não era para menos, afinal, cinco anos e meio depois de João Almeida, um ciclista nacional voltava a liderar a corsa rosa. Chama-se Afonso Eulálio, tem 24 anos, nasceu na Figueira da Foz e corre na Bahrain-Victorious, equipa do Médio Oriente que até chegou ao Giro d’Italia com dois líderes — Santiago Buitrago e Damiano Caruso —, mas perdeu o primeiro logo na segunda etapa e, ao que tudo indica, a participação do italiano não deverá passar de uma mera formalidade em ano de adeus ao ciclismo. Nesse sentido, Eulálio, que é uma das mais fiéis apostas no seio da Bahrein, aproveitou a oportunidade e, depois de ter sido sexto na véspera, integrou a fuga do dia que o levou ao segundo lugar de uma etapa de grandes emoções… e à liderança da geral.
Corrida molhada, corrida abençoada, o dia perfeito: Afonso Eulálio é camisola rosa no Giro
Para já, o objetivo de Eulálio estava mais do que concretizado, embora a cereja no topo do bolo fosse a tão procurada vitória de etapa. Contudo, no que concerne à geral, a vantagem conseguida pelo português dá margem para sonhar com uma presença no top dez no final da Volta a Itália. Afonso partiu para sexta etapa com 2.51 minutos de avanço para Igor Arrieta (UAE Team Emirates-XRG) e 3.34 para Christian Scaroni (XDS Astana), que completavam o pódio. Em relação aos principais candidatos, Giulio Ciccone (Lidl-Trek) estava a 6.12, Jan Christen (Emirates) e Egan Bernal (Netcompany Ineos) a 6.16, Thymen Arensman (Netcompany) e Giulio Pellizzari (Red Bull-Bora-hansgrohe) a 6.18 e Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), Enric Mas (Movistar), Jai Hindley (Red Bull), Ben O’Connor (Jayco AlUla), Michael Storer (Tudor) e Felix Gall (Decathlon CMA CGM) a 6.22.
“Ainda não assimilei. O dia foi de loucos. Primeiro com chuva, frio, ataques e intensidade. Depois, no final, com descidas super escorregadias e quedas. Caiu o Arrieta, caí eu e o sprint quase não foi um sprint, foi só aguentar na bicicleta. Foi de loucos. A equipa traçou o plano perfeito para eu estar presente na fuga e para lutarmos pela vitória. Não falámos quase nada sobre a camisola rosa, mas acabou por acontecer. O facto de as quedas terem acontecido no final… não sei o que dizer. Deu-se a queda do Arrieta, depois eu tinha a etapa [na mão], mas caí e voltamo-nos a juntar. Penso que fizemos o sprint mais lento de sempre. Tenho uma vantagem interessante, vamos ver o que podemos fazer nos próximos dias. Amanhã [quinta-feira] vou partir da fila da frente e espero repetir em mais dias. Seguramente as pessoas estão a acompanhar mais o Giro por este momento. Estão-me a acompanhar a mim também e espero que sintam orgulho disto como eu estou a sentir”, explicou o português de Ferreira-a-Nova à assessoria da Bahrein.
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A sexta etapa do Giro teve a tradicional chegada a Nápoles, num dia com poucas dificuldades em que os ciclistas tinham de percorrer “apenas” 142 quilómetros, que faziam desta a quinta etapa mais curta desta 109.ª edição. Com apenas 500 metros de desnível acumulado e um percurso ao longo do mar Tirreno, o pelotão tinha apenas de passar por uma contagem de montanha de quarta categoria, em Cava de’ Tirreni (6,4 quilómetros a 3%), antes de chegar à planície em torno do Monte Vesúvio, com ligação a Nápoles. Os últimos três quilómetros era praticamente retos e, a 650 metros da meta, havia uma pequena subida, com 4% de inclinação, na Via Acton, num piso em pedra, antes de 400 metros em empedrado.
Sem Felix Engelhardt (Jayco), Afonso Eulálio partiu para a etapa com a maglia rosa e o braço esquerdo praticamente tapado, devido à queda da véspera. Os primeiros quilómetros foram bastante acidentados, começando com um problema mecânico sofrido por Ben O’Connor e Jai Hindley. Pouco depois, Jonathan Milan (Lidl) e o aniversariante Matteo Sobrero (Lidl) caíram numa altura em que alguns ciclistas paravam para fazer as suas necessidades, o que levou o sprinter a mudar de bicicleta, seguindo-se um furo de Alan Hatherly (Jayco). Por fim, a fuga do dia lá acabou por se formar, com Edward Planckaert e Luca Vergallito (Alpecin-Premier Tech), Martin Marcellusi e Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber), e Mattia Bais (Polti VisitMalta) na dianteira. Nessa altura foi a vez de Nico Denz, um dos principais apoios de Pellizzari, cair numa curva, levando consigo Nelson Oliveira (Movistar).
La caída de Nico Denz, uno de los grandes apoyos de Pellizzari, al deslizar en un curva.#GirodItalia #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/XCQHmvkcnn
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Com Soudal Quick-Step e Unibet Rose Rockets a assumirem as despesas do pelotão, a fuga acabou por ser alcançada a 37 quilómetros de Nápoles, já depois de a etapa ter passado por mais dois momentos inusitado: quando o pelotão passava por uma rotunda, dois jovens intrometeram-se na corrida e tentaram “assustar” os corredores; antes, um veado atravessou-se na frente do pelotão e não foi atropelado por pouco. Logo a seguir, no quilómetro Red Bull, Filippo Magli (Bardiani) foi o mais rápido, batendo ao sprint Ludovico Crescioli (Polti) e Lennert van Eetvelt (Lotto Intermarché). Com o pelotão a seguir compacto até ao fim, Milan colocou-se na roda de Paul Magnier (Soudal) na aproximação à reta da meta, já com a chuva a fazer-se sentir. Na viragem final de 180º, uma queda voltou a cortar o pelotão, afetando Dylan Groenewegen (Unibet), Milan, Orluis Aular (Movistar) e António Morgado (Emirates), bem como Magnier que, ainda assim, não caiu.
Respect the riders. Respect the race. Respect the #GirodItalia
???? Fans, Tifosi. We love you on the roadside. We love your enthusiasm, we love that you cheer on the riders, we love that you dress like flamingos.
❌ But there's a line not to cross. Don't be like this guy. pic.twitter.com/iO7wJNkUOa
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Pero Bambi… ????????#TdH2026 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/8cq27F4sFV
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Davide Ballerini (XDS) aproveitou o incidente para ficar sozinho na frente e, depois de ter ganhado a companhia de Jasper Stuyven (Soudal), lançou o sprint e somou a 11.ª vitória na sua carreira e a segunda na presente temporada. Este foi ainda o segundo triunfo da formação cazaque nesta Volta a Itália, em que já vestiu a camisola rosa com Guillermo Thomas Silva. Curiosamente, o italiano tinha prometido que, caso vencesse, toda a sua equipa ia comer… pizza. Cumprida a promessa, Stuyven e Magnier completaram o pódio, naquele que foi o 50.º top 10 do francês na carreira. Na geral mantém-se tudo na mesma, com Afonso Eulálio a terminar no 41.º lugar da etapa, depois de ter ficado “cortado” pela queda. O português vai chegar à primeira etapa de alta montanha na liderança, com 2.51 a menos que Igor Arrieta e 3.34 que Christian Scaroni.
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Davide Ballerini gana en un espectacular y accidentado esprint adoquinado en Nápoles y da una nueva victoria a Astana. Los favoritos libran antes del Blockhaus.#GirodItalia | #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/lQrTgtqIBo
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