O primeiro dia de rosa foi tudo menos tranquilo. Depois de ter brilhado na quarta-feira, Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) partiu para a sexta etapa com a camisola rosa na sua posse e teve o primeiro teste à sua liderança, ainda que tímido, dado que se esperava mais um final ao sprint. Ainda assim, a chegada a Nápoles voltou a ser marcada por uma queda no fim, provocada por uma viragem de 180º nos últimos 300 metros, com a condicionante de ser em piso paralelo e numa altura em que estava a chover. Apesar de não ter sido afetado, o português ficou cortado e viu o compatriota António Morgado (UAE Team Emirates-XRG) cair quando procurava lutar pela vitória. Quem aproveitou essa situação foi Davide Ballerini (XDS Astana), que bateu Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) na meta, depois de uma grande recuperação de Paul Magnier (Soudal), que ainda conseguiu ser terceiro.
“Foi melhor do que ontem [quarta-feira]. Ontem foi muito duro, com a chuva, com a fuga, mas tivemos um dia mais tranquilo. Salvámos o dia, sempre a rodar um pouco as pernas e, o mais importante, salvámos o dia e recuperámos um pouco. Ontem pensei que estava perfeito, mas quando acordei senti algumas dores, mas nada demais. Amanhã [sexta-feira] vai ser um dia muito longo, muito longo, vai ser a primeira chegada em alto e, certamente, será disputada. Todos os corredores da classificação geral vão lutar e eu vou tentar sofrer o máximo que puder para tentar manter esta vantagem, que é muito boa. Alta montanha? Veremos amanhã, na verdade não me conheço muito bem. Será uma surpresa para vocês e para mim. Vantagem de seis minutos? Pode ser muito fácil [recuperar] ou pode ser muito difícil. Vamos ver como será o dia de amanhã”, explicou o português nascido da Figueira da Foz no final da etapa de Nápoles, prevendo perder “entre dois e três minutos” no Blockhaus.
“Espero que seja um dia muito longo e difícil. O tempo vai dizer [o que posso fazer]. Espero ter boas pernas no final e que possamos tentar algo. Eulálio? Na minha opinião, qualquer dia que possas passar com a camisola de líder é uma honra. Gostava de ficar com ela, mas seis minutos é muito e acho que não sou capaz de lá chegar, pelo menos hoje. O que esperar? Acho que tens de ver qual vai ser o nosso plano. Não vou contar aqui o nosso plano”, deixou no ar Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) antes da primeira etapa de alta montanha.
Tappa 7️⃣ | Stage 7️⃣
???? Formia
???? Blockhaus
???? 244 KM
????️ 10:45#GirodItalia | @YourAbruzzo @Regione_Abruzzo FIRA pic.twitter.com/M2YpFpP2Aq— Giro d'Italia (@giroditalia) May 15, 2026
Para esta sexta-feira estava reservada a etapa mais longa (244 quilómetros) e a segunda mais dura desta edição (4.600 metros de ganho de altitude), entre Formia e o temível Blockhaus, na Pescara, ainda na região dos Abruzos. Apesar de ser uma etapa bastante dura, as dificuldades surgia para lá dos 140 quilómetros, com as subidas a concentrarem-se na segunda metade da tirada. A primeira contagem de montanha era o Roccaraso, com 6,9 quilómetros a 6,4% de inclinação média. Depois uma longa descida até ao sopé, o Blockhaus surgia no fim com 13,6 quilómetros a 8,4%, com as rampas a chegarem aos 14% de inclinação. Era aí que se ia decidir a etapa e estava marcada a primeira batalha entre os favoritos à vitória.
A etapa começou com Jonathan Milan (Lidl-Trek) a tentar integrar a fuga do dia em busca dos pontos no sprint intermédio. O italiano foi bem sucedido e ficou na frente com Jardi Christiaan van der Lee (EF Education-EasyPost), Nickolas Zukowsky (Pinarello Q36.5), Tim Naberman (Picnic PostNL) e Diego Pablo Sevilla (Polti VisitMalta). Depois de ter passado em primeiro na meta instalada em Venafro, Milan descaiu para o pelotão, resguardando-se até ao fim. Com Bahrain e Visma a liderarem o pelotão, onde Enric Mas (Movistar) dava vislumbres de não estar na melhor forma, a vantagem dos fugitivos manteve-se acima dos cinco minutos à entrada para os últimos 50 quilómetros, mas manteve a toada decrescente. No início do Blockhaus, o ritmo da Visma começou a reduzir o pelotão, deixando para trás Igor Arrieta e Jan Christen (Emirates), Egan Bernal (Netcompany Ineos) e Enric Mas.
Vingegaard y Pellizzari se quedan solos: se cumple el guion ????
El ciclista de Red Bull-BORA es el único que puede responder al ataque del danés a 5 kilómetros de meta#GirodItalia | #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/2C2JhEjtAn
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) May 15, 2026
Van der Lee e Zukowsky foram os últimos resistentes da fuga, que terminou a 6,5 quilómetros do alto. A resistência de Afonso Eulálio durou mais 800 metros, com o português a descolar instantes antes de Vingegaard atacar com Giulio Pellizzari (Red Bull-Bora-hansgrohe) e Felix Gall (Decathlon CMA CGM) na sua roda. Contudo, o austríaco quebrou logo a seguir, com o italiano a mostrar-se ao nível da estrela dinamarquesa, que lá conseguiu isolar-se a 4,4 quilómetros do fim. A quebra do Red Bull acabou por ser grande, já que Gall ultrapassou-o logo a seguir. No final, o austríaco ainda se aproximou de Vingegaard, mas a sétima vitória da época do canibal estava assegurada, 16 segundos à frente de Gall. Este triunfo permite a Jonas completar a trilogia de vitórias nas Grandes Voltas, tornando-se no 115.º ciclista a fazê-lo. Jai Hindley (Red Bull) completou o pódio, cinco segundo à frente do companheiro e de Ben O’Connor (Jayco AlUla). Eulálio conseguiu minimizar perdas num final em que mostrou ambição para segurar a rosa, chegando a 2.55 minutos do vencedor.
???? JONAS, CORAZÓN DE 'CANÍBAL'
Jonas Vingegaard firma su propia leyenda en la misma cima en la que lo hiciera Eddy Merckx hace más de medio siglo. El danés asesta un golpe de autoridad al Giro en el Blockhaus con Felix Gall como rival#GirodItalia | #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/50gyBamvcB
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) May 15, 2026
A classificação geral continua a ser liderada pelo figueirense, que vai chegar à penúltima etapa da primeira semana com 3.17 minutos de vantagem para Jonas Vingegaard, que subiu ao segundo lugar. Seguem-se Felix Gall, a 3.34, Jai Hindley, a 4.25, e Giulio Pellizzari, a 4.28.