A Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ) identificou e reportou 33 ligações associadas a atividade do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) em diferentes plataformas na internet. A grande maioria (24 ligações) era distribuída pelo TikTok e uma pequena porção (nove) pelo Pinterest, revelaram a PJ e a Europol.

A operação começou a 13 de fevereiro e terminou a 28 de abril, sob coordenação da Unidade Unidade da Europol de Sinalização de Conteúdos Online, e contou com a participação de 22 países. Foram identificadas 14 200 publicações e foi restringida a atividade online do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, formalmente classificada como organização terrorista pelo Conselho da União Europeia em 19 de fevereiro de 2026.

O objetivo da agência europeia é identificar e remover conteúdo de propaganda, recrutamento e angariação de fundos, produzido e difundido por aquela organização terrorista nas redes sociais, serviços de streaming, sites de alojamento de blogs e sites independentes, “culminando na restrição da sua conta principal na plataforma X, @Sepah_Media, com mais de 150 000 seguidores”. Milhares de outras ligações foram apagadas das redes sociais e serão investigadas.

Esta propaganda para a radicalização foi encontrada em várias línguas: persa, inglês, francês, espanhol, árabe e bahasa indonésia. Além de terem encontrado “discursos que misturavam narrativas de martírio religioso com mensagens políticas” fortes e até “vídeos gerados por Inteligência Artificial de glorificação da organização e de apelos à vingança do seu líder religioso”.

“Este é mais um exemplo do posicionamento operacional que a Polícia Judiciária tem vindo a consolidar no âmbito do contraterrorismo digital, contribuindo de forma substantiva para a resposta coordenada da União Europeia à ameaça representada pelo ecossistema de propaganda do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, um dos principais pilares do aparelho militar e de segurança iraniana”, rematou a PJ em comunicado.

Nesta operação participaram, além de Portugal, outros 17 países europeus — Áustria, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Chéquia, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Países Baixos, Espanha, Suécia, Ucrânia — e os Estados Unidos da América.

A ligação entre os vários portais de internet relacionados com o CGRI permitiram às várias polícias envolvidas na investigação perceber a organização online desta rede. Estes trabalhos de reconhecimento do funcionamento da propaganda do grupo, também potenciaram os esforços para rastrear e remover declarações e vídeos produzidos por entidades alinhadas com estes ideais, incluindo o Hezbollah, os Houthis, o Hamas e a Jihad Islâmica na Palestina.

“A operação surge com um ambiente de ameaças complexo e em evolução no horizonte. As redes terroristas estão a tornar-se mais fluidas e continuam a adaptar os seus métodos, tornando a ação sustentada e coordenada essencial para limitar o alcance e impacto”, lê-se no comunicado da Europol.