144 segundos. Era esta a vantagem de Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) face a Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) à partida para a segunda etapa da Volta a Itália. A fechar uma semana de sonho, em que vestiu a camisola rosa pela primeira vez, o português de Ferreira-a-Nova voltou a surpreender e sobreviveu ao Corno alle Scale, perdendo menos de um minuto para o dinamarquês, que venceu a etapa de domingo e continua bem encaminhado para completar o lote de vitórias na geral das três Grandes Voltas. Até lá, a missão de Vingegaard estava longe de ser fácil, e para isso tem contribuído Eulálio, que parecia ser o adversário à altura do nórdico no contrarrelógio desta terça-feira, mais por conta da manutenção da rosa do que propriamente pela luta pela vitória.
“Manter a rosa depois do contrarrelógio? Não. Não acredito que a mantenha. Gostava de defendê-la e vou lutar por isso, mas o Jonas é super bom, um dos melhores corredores do mundo. Mas darei tudo o que tenho. Neste contrarrelógio, as minhas hipóteses são muito baixas, de dois ou três [numa escala até 10]. Este ‘crono’ é totalmente plano, de velocidade máxima… é o pior contrarrelógio para ciclistas leves. Há um mês, o meu plano era encarar o contrarrelógio como um dia de descanso, e agora tenho de dar o máximo. Trabalhei um pouco o contrarrelógio, mas não muito, porque vim para o Giro como um homem de trabalho, um gregário. Ia ter as minhas oportunidades nas montanhas, e agora as coisas mudaram um pouco. É sofrer. Quando vesti a camisola rosa ganhei força, mas não sei o que vai acontecer quando a perder. O Presidente [António José Seguro] tentou ligar-me e deixou-me uma mensagem. Penso que devo estar a fazer algo bom. Nestes dias, tenho tantas chamadas e mensagens que não atendi e, umas horas depois, recebi a mensagem”, explicou o figueirense em conferência de imprensa.
“Não queríamos lutar pela etapa hoje [domingo], mas percebemos rapidamente que a Decathlon CMA CGM ia fazê-lo. É sempre bom ganhar. É sempre bom vencer, é algo que me deixa muito feliz. Os meus colegas fizeram um trabalho excelente. Uma vez que a vitória não estava garantida, decidimos, na última subida, ir para a vitória. O Felix [Gall] fez um ataque muito forte quando arrancou, felizmente consegui acompanhar e, no final, tentei e consegui vencer. É algo que me deixa extremamente feliz. Davide Piganzoli? É um rapaz muito bom. É muito, muito forte e estou super feliz por ele. É um rapaz especial. Estamos onde queríamos estar, obviamente. Estou numa boa situação na classificação geral. Por enquanto está tudo a correr bem para nós, e sim, estamos felizes onde estamos”, explicou o três vezes vencedor da Volta a França e da Volta a Espanha.
Tappa ???? | Stage ???? – Tudor ITT
???? Viareggio
???? Massa
???? 42 KM
????️ 13:15#GirodItalia | Tudor pic.twitter.com/Ak9RQC4vDV— Giro d'Italia (@giroditalia) May 19, 2026
Para esta terça-feira estava reservado o único contrarrelógio desta edição, com a organização a optar por trazer de volta os esforços longos contra o cronómetro, algo que não acontecia desde 2015, quando Vasil Kiryienka (Sky) venceu o ‘crono’ de 59 quilómetros. Com partida em Viareggio e chegada em Passa, o percurso de 42 quilómetros contemplava a costa da Ligúria, na Toscana. Os primeiros 16 quilómetros eram perfeitos para os especialistas mas, a partir daí, o vento prometia aparecer para dificultar a tarefa dos ciclistas. Na parte final, a subida de Rinchiostra, a única do dia, podia fazer a diferença nas contas da etapa. No que toca a Afonso Eulálio, o ciclista da Bahrain partia com uma missão hercúlea pela frente, já que tinha perdido 1.21 minutos a cada dez quilómetros nos seus últimos cinco contrarrelógios.
Como seria de esperar, Filippo Ganna (Netcompany Ineos) não precisou de muito para estabelecer o melhor tempo, tendo sido o primeiro a baixar do minuto 46 (45.53) e a aproximar-se dos 55 quilómetros/hora (54,845). Nelson Oliveira (Movistar), que fez tempos de top 10 nos dois primeiros pontos intermédios, chegou a 4.44 do italiano, inicialmente no 14.º lugar. No primeiro ponto intermédio, Jonas Vingegaard foi o melhor da geral, colocando-se a 56 segundos de Ganna, ao passo que Thymen Arensman (Netcompany) era o melhor da geral, a 30 segundos do colega de equipa. Ao cabo de 17 quilómetros, Eulálio perdia 50 segundos para o dinamarquês. No ponto dois, o português continuou a minimizar perdas para um Vingegaard longe dos contrarrelógios de outros tempos, passando a 1.29 minutos do Visma e a 29 segundos de Gall. Nessa altura, parecia que a discussão pela rosa ia ser ao segundo, até porque o Bahrain encontrava-se na mesma toada de António Morgado (UAE Team Emirates-XRG), o campeão nacional da especialidade.
La nueva obra maestra de Filippo Ganna. ????????
El campeonísimo italiano se exhibe en la contrarreloj del #Giroditalia a casi 55 km/h. ???????????? pic.twitter.com/DWTS0GmOjN
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Por fim, ao quilómetro 38,3, Jonas foi o mais rápido dos três primeiros, batendo Felix por 1.22 minutos e Afonso por 1.56 minutos. No final, Thymen Arensman foi o que mais se aproximou de Filippo Ganna, ficando a 1.42 do italiano. Quanto aos homens da geral, Jonas Vingegaard terminou a três minutos, Jai Hindley (Red Bull-Bora-hansgrohe) a 3.31 e Felix Gall a 4.22, antes de Afonso Eulálio concluir a contrarrelógio com mais uma grande exibição, chegando a 4.57 de Ganna. Na geral, o português tem agora 27 segundos de vantagem para o dinamarquês e 1.57 para Arensman, que subiu ao terceiro lugar por troca com Gall, que é quarto a 2.24.
Eulálio se aferra al rosa ❤️????
El lusitano salva el liderato ante Vingegaard, fuera del top-10, en una contrarreloj extraterrestre de Ganna: 55 km/h de media, menos de 46 minutos y siete doblados.#GirodItalia #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/g8oO3hTZ6K
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