Quinta-feira voltou a ser dia de Afonso Eulálio se impor na Volta a Itália. Numa etapa que se esperava tranquila, os ataques voltaram a ser uma constante, deixando todos os ciclistas em alerta até ao final. Na fase final, quando o pelotão já se encontrava reagrupado, o português aproveitou a “desatenção” dos rivais e bonificou seis segundos no quilómetro Red Bull, aumentando para 33 segundos a vantagem face a Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), numa altura em que a alta montanha está perto de voltar à rosa corsa. Quanto às contas da etapa, a ambição do figueirense tem galvanizado uma Bahrain-Victorious que chegava a Itália sem grandes ambições e, para lá de ter a camisola rosa, conquistou uma vitória de etapa, com Alec Segaert a vencer isolado depois de ter atacado a três quilómetros da meta.
“É impossível não estar feliz com esta camisola. É incrível, está perfeito. O Segaert é o meu companheiro de quarto e agora isto acontece. Planeámos isto, mas os planos às vezes mudam. Quando fazes os planos e depois os executas na corrida, é perfeito. Vencemos e é incrível. Bónus? Foi quase de graça. Os outros ciclistas não quiseram ir ao sprint. Os outros ciclistas não fizeram nada. Pódio? Temos de ir dia a dia. Sexta-feira? Vi o final da etapa e acredito que vai ser mais um dia para a fuga. O principal objetivo será salvar o dia e ver o que podemos fazer. Temos de ter atenção, acima de tudo, ao posicionamento. Vai ser uma subida muito dura. A parte final é muito dura e a estrada não é muito larga. Preciso de estar bem posicionado e ver o que os outros fazem. É salvar o dia. Sinto-me bem. Acho que tenho melhorado diariamente. Estou a aproveitar a corrida”, assumiu Eulálio na quinta-feira.
“Estive um pouco doente, mas foi antes do dia de descanso e já passou. Estou muito melhor agora. Já houve vários casos no pelotão. Dá para perceber que muitos já tiveram algum problema. Portanto, é definitivamente algo com que é preciso ter cuidado. Conseguimos passar a etapa de hoje [quinta-feira] e era isso que realmente queríamos. Foi uma etapa um pouco mais difícil do que esperávamos, mas é assim mesmo. Rivais? Se acham que podem usar isso para alguma coisa, podem tentar, mas já estou no meu normal novamente. Ainda sinto um pouco [de sintomas], mas não acho que seja algo que me afete na bicicleta. Na bicicleta sinto-me a 100%. Sábado? Não estou a pensar, acho que sexta-feira vai ser um dia com um final muito duro”, explicou Vingegaard.
Tappa 1️⃣3️⃣ | Stage 1️⃣3️⃣
???? Alessandria
???? Verbania
???? 189 KM
????️ 12:40#GirodItalia | @torinopiemonte pic.twitter.com/I4e0zuQgGr— Giro d'Italia (@giroditalia) May 22, 2026
Como analisaram os dois primeiros da geral, a 13.ª etapa, que ligava Alessandria a Verbania, poderia ser mais difícil do que os 1.400 metros de desnível acumulado mostravam. A ligação de 189 quilómetros passava pelas margens do Lago Maggiore e tinha 165 quilómetros com poucas dificuldades, o que favorecia os homens mais rápidos do pelotão. Contudo, nos últimos 25 quilómetros apareciam dois obstáculos determinantes: a subida de Bieno (2,4 km a 5,5% de inclinação), antes do quilómetro Red Bull, e Ungiasca (4,7 km a 7,1%) e rampas até 13%, o que dificultava a tarefa dos sprinters. A partir daí restavam 14 quilómetros em direção à cidade natal de Filippo Ganna (Netcompany Ineos), feitos maioritariamente em descida.
A etapa voltou a ficar marcada pelos ataques desde o início, numa fase inicial que contou com um furo na bicicleta de Afonso Eulálio, que acabou por superar a dificuldade sem prejuízos. O ritmo alto manteve-se até à fase final, com a etapa a chegar às duas horas e meia de duração com a média bem acima dos 49 km/h. Nessa fase, na frente, o grupo de 15 elementos chegou aos dez minutos de vantagem, pelo que as contas da etapa e das bonificações estavam resolvidas. A primeira subida foi feita sem dificuldades, com a fuga a manter a diferença acima dos 11.30 minutos e Diego Pablo Sevilla (Polti VisitMalta) a aproveitar para se aproximar de Vingegaard na camisola azul. Em Ungiasca, Andreas Leknessund (Uno-X Mobility) atacou a menos de dois quilómetros do alto, deixando para trás Alberto Bettiol (XDS Astana), que recolou antes do alto e contra-atacou forte — bateu o recorde da subida em mais de dois minutos —, partindo para a descida completamente sozinho.
Paso por boxes para Afonso Eulálio ⚙️????#GirodItalia pic.twitter.com/3cEAGWtJfK
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O italiano de 32 anos acabou por fazer a aproximação a Verbania em solitário e voltou às vitórias quase dois anos depois de se ter sagrado campeão de fundo do seu país. Esta foi ainda a terceira vitória de Itália neste Giro, com Bettiol a juntar-se a Davide Ballerini (XDS) e Filippo Ganna, e a terceira formação do Cazaquistão, com Thomas Silva, que chegou a liderar, a juntar-se à lista. Para a história fica ainda a etapa mais rápida desta edição e a oitava mais rápida da história da Volta a Itália, com a média a fixar-se nos 48,974 km/h — desde 2020 que não se andava tão rápido. Leknessund chegou no segundo lugar, a 25 segundos, com Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) a completar o pódio da etapa a 44 segundos. No pelotão, que chegou a 13.07, não houve diferenças, com Afonso Eulálio a regressar à alta montanha com 33 segundos de vantagem para Jonas Vingegaard. Sábado espera-se um dia difícil para o português, perspetivando-se o adeus à camisola rosa.
Le ha arrancado las pegatinas ????????
La lijada de Bettiol a Leknessund para lanzarse a por la victoria. #GirodItalia pic.twitter.com/A8Tx9VNPcb
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BETTIOL 'GANNA' EN VERBANIA ????????????
El italiano vence en casa de su compatriota Filippo Ganna con una exhibición portentosa y da a Astana su tercer triunfo de etapa.#GirodItalia #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/arDidQilyY
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