Uma, duas, três. Depois do contrarrelógio, a 11.ª etapa da Volta a Itália foi bem mais tranquila para os homens da geral, ainda que o trajeto a favorecer a fuga tenha criado muitas dificuldades na fase inicial, com a média a superar os 50 km/h nos primeiros 60 quilómetros. A partir daí, os fugitivos acabaram por levar a melhor, com Jhonatan Narváez (UAE Team Emirates-XRG) a superar Enric Mas (Movistar) no sprint final para completar o hat-trick nesta edição do Giro. As contas da geral mantiveram-se intactas, com Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) a conservar a liderança com 27 segundos de vantagem para Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e 1.57 minutos face a Thymen Arensman (Netcompany Ineos).

Jhonatan continua a dar asas a uma Emirates de ego ferido: Narváez faz história com terceiro triunfo neste Giro, Eulálio segue líder

“Estava um pouco [tenso no início da etapa]. É sempre melhor controlar a corrida. A equipa fez um trabalho fenomenal, como faz todos os dias e, no final, conseguimos manter a camisola, que é o mais importante. Tentei controlar o máximo possível os rivais nas duas subidas antes do ‘quilómetro Red Bull’. Houve uma fase em que recuei um pouco no pelotão, para gerir melhor o esforço e ter as pernas de que necessitava para os últimos quilómetros. Como temos a camisola rosa, iremos continuar a lutar dia a dia. É apenas o que posso dizer. O objetivo será sempre gerir o esforço. O resto veremos”, explicou o figueirense no final da etapa.

“De repente surgiu um grupo na fuga e havia muitas equipas que não estavam satisfeitas com isso e que atacaram forte. Havia muitos grupos em momentos diferentes com os quais ninguém estava satisfeito. No final, a fuga consolidou-se. Claro que estava muito atento. Devo reconhecer que ele [Narváez] tem razão, as descidas de hoje foram mesmo complicadas. Acho que me arrependi um pouco da minha escolha de pneus para hoje. Estava a usar pneus de contrarrelógio. Não que eu tenha derrapado ou algo do género, mas simplesmente não me senti completamente confiante com estes pneus. É melhor quando o percurso não é super técnico. Mas sim, correu bem”, assumiu o dinamarquês bicampeão da Volta a França.

Esta quinta-feira, a etapa começou em Imperia, que não recebia uma partida do Giro desde 1987, e terminou em Novi Ligure, cidade que tinha acolhido a última chegada em 2019. Com 175 quilómetros e 2.250 metros de desnível acumulado, a 12.ª tirada passou pelo percurso da histórica Milão-Sanremo, que tem sido dominada por Tadej Pogacar. Nesse sentido, o percurso apresentava-se ondulado na segunda metade, com a fase final feita em terreno plano, o que beneficiava os sprinters que conseguissem resistir durante o dia. O dia começou sem Lennert van Eetvelt, que caiu na quarta-feira e fraturou um dos dedos da mão esquerda, deixando a Lotto Intermarché reduzida a apenas quatro ciclistas. Quem também abandonou antes da partida foi Sjoerd Bax (Pinarello Q36.5), ao passo que os Netcompany Embret Svestad-Bardseng e Magnus Sheffield furaram entre a partida simbólica e a oficial.

Tal e qual como aconteceu na véspera, os primeiros quilómetros tiveram bastantes ataques, ainda que o grupo que tenha vingado tivesse apenas cinco ciclistas: Jonas Geens (Alpecin-Premier Tech), Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber), Jardi Christiaan van der Lee (EF Education-EasyPost), Juan Pedro López (Movistar) e Mattia Bais (Polti VisitMalta). Ao quilómetro 20 foi a vez de Jack Haig (Netcompany) furar, sem problemas de maior. Os ataques não se ficaram por aí e o grupo da frente cresceu, aproximando-se dos 20 elementos. O ritmo elevado acabou por fazer com que Tobias Lund Andresen (Decathlon CMA CGM), Dylan Groenewegen (Unibet Rose Rockets), Pascal Ackermann (Jayco AlUla), Paul Magnier (Soudal Quick-Step) e Jonathan Milan (Lidl-Trek) descolassem, deixando ainda Filippo Ganna (Netcompany) em dificuldades. Com a Movistar a trabalhar, a fuga não chegou ao topo do Colle Giovo, a primeira subida categorizada do dia. Ainda assim, nem tudo correu bem para a equipa espanhola que, pelo caminho, viu Javier Romo abandonar a corrida.

Na descida, o grupo de Magnier e Milan reentrou no pelotão, mas os dois velocistas perderam o contacto na subida seguinte, não conseguindo voltar a entrar. A pouco mais de 20 quilómetros da meta, Ben Turner (Netcompany) sofreu um problema mecânico e teve dificuldades em voltar ao pelotão. Na aproximação à meta, Afonso Eulálio deu um murro na mesa no “quilómetro Red Bull”, atacou e foi o primeiro a passar, ganhando seis segundos a Jonas Vingegaard. Ben O’Connor (Jayco) foi o único que respondeu ao português, passando no segundo lugar. A sete quilómetros do fim, Giulio Ciccone (Lidl) aproveitou uma colina para atacar, com Igor Arrieta (Emirates) a contra-atacar e a colocar-se na sua roda, mas os dois foram alcançados rapidamente devido ao trabalho da Visma. Na aproximação aos três quilómetros finais, foi a vez de Alec Segaert (Bahrain) atacar, com Movistar e Tudor a responderem.

Fabio van den Bossche (Soudal) ainda tentou fechar o espaço, com a NSN a lançar o sprint na reta da meta, mas a vitória do belga estava garantida. Esta é a primeira vitória da Bahrain nesta Volta a Itália, que a equipa do Médio Oriente lidera desde 13 de maio. Para além disso, Segaert está de volta aos triunfos 63 dias depois de ter vencido o Grande Prémio de Denain, conhecido como a mini Paris-Roubaix, vencendo pela primeira vez numa Grande Volta aos 23 anos. Na etapa, Toon Aerts (Lotto) foi o mais rápido do pelotão, a três segundos, com Guillermo Thomas Silva (XDS Astana) a completar o pódio. Destaque ainda para Orluis Aular que, depois de todo o trabalho da Movistar, terminou no sexto lugar, o que lhe permitiu somar o centésimo top 10 da sua carreira. Afonso Eulálio promete continuar a mostrar ambição e a galvanizar a sua equipa nos próximos dias, tendo agora 33 segundos de vantagem para Jonas Vingegaard e 2.03 minutos face a Thymen Arensman.