David Sullivan, copresidente do clube de futebol West Ham United desde 2010, apresentou a sua demissão este sábado. Em causa está uma investigação da BBC e do The Times quanto a alegações sobre a vida pessoal do empresário galês de 77 anos, sendo que este já as descreveu como “inteiramente falsas”.

O clube londrino emitiu um comunicado este sábado a confirmar que “o copresidente David Sullivan renunciou ao cargo com efeitos imediatos”, decisão motivada por ter sido “informado da publicação iminente de graves alegações de natureza histórica”. “Por intermédio dos seus representantes legais, o Sr. Sullivan nega qualquer conduta ilegal e tomou a decisão de se demitir, a fim de evitar perturbações no clube enquanto trata do assunto em privado”, lê-se na mesma nota, que realça também que nenhuma das alegações concerne ao clube ou às suas atividades.

A comunicação do West Ham não adianta que órgãos de comunicação são responsáveis pela publicação destas informações, mas a BBC confirmou à Sky News que a equipa do seu programa “Panorama” tem vindo a colaborar com o jornal The Times numa investigação conjunta quanto a alegações feitas sobre a vida privada de Sullivan.

“Ao longo de décadas, ele ganhou milhões com a pornografia, os jornais e o futebol. A investigação deverá ser transmitida e publicada na segunda-feira”, fez saber um porta-voz da emissora britânica.

O esclarecimento da BBC prende-se com o facto de David Sullivan ter iniciado a sua vida empresarial no ramo da pornografia, onde construiu um império que fez de si milionário aos 25 anos. De acordo com a Sky News, em meados da década de 70 já era proprietário de metade das revistas para adultos do Reino Unido, além de mais de 100 sex shops.

O empresário também emitiu um comunicado a título pessoal, afirmando ter tomado conhecimento “de que estão prestes a ser divulgadas e publicadas alegações com décadas de existência, factualmente incorretas e totalmente falsas”, relativas à sua vida pessoal.

“As falsas alegações que me são dirigidas foram sensacionalizadas pelos meios de comunicação social. Depois de uma vida inteira dedicada à criação de empresas na indústria para adultos, na qual conheci milhares de mulheres, é, infelizmente, inevitável que me sejam feitas algumas acusações de conduta imprópria. Nego categoricamente essas acusações”, afirma na nota enviada à imprensa.

“Estou a demitir-me para dedicar toda a minha energia e atenção à luta contra estas falsas acusações. Contratei oficialmente a minha equipa jurídica e estamos a preparar-nos para intentar ações judiciais relativamente a todas e cada uma das falsas queixas que foram apresentadas contra mim. Irei procurar reparação total, legal e publicamente, em todas as frentes”, atira ainda.

Sullivan fez também saber que vai “processar a BBC por difamação, bem como qualquer outro meio de comunicação social que repita quaisquer alegações difamatórias”. “Sou uma pessoa reservada, e aqueles que conhecem pessoal e profissionalmente o verdadeiro David Sullivan, e não a caricatura inventada pelos tablóides, sabem exatamente quem sou e quais são os meus princípios”, defendeu.

Após transferir o seu portefólio de revistas pornográficas para os seus parceiros de negócio David e Ralph Gold, Sullivan mudou o seu foco para a imprensa, fundando os tabloides Sunday Sport, em 1986, e Daily Sport, em 1991. Já no que toca à entrada no mundo da gestão desportiva, esta ocorreu em 1993, quando adquiriu a maioria do capital do Birmingham City, também em parceria com David Gold, vendendo-a em 2009. Foi então em 2010, novamente com Gold, que comprou 50% das ações do West Ham, presidindo o clube em conjunto com o seu parceiro até à morte deste em 2023, sendo substituído pela filha, Vanessa Gold.

“Nenhuma destas alegações tem a ver com os meus mais de 30 anos no futebol; o West Ham United tem sido uma das maiores paixões e privilégios da minha vida. Preocupo-me profundamente com o clube, os seus adeptos, os seus jogadores, o seu pessoal e o seu futuro. Num momento que já é de si desafiante e importante para o clube, recuso-me a permitir que assuntos pessoais que me dizem respeito se tornem uma distração desnecessária ou uma fonte de instabilidade”, afirma Sullivan no seu comunicado.

O empresário refere-se a uma fase particularmente complicada para o West Ham, que desceu de divisão esta temporada da Premier League para o Championship. Sob a sua liderança, o clube londrino venceu a Liga Conferência, em 2023, o seu primeiro título de monta desde a conquista da Taça de Inglaterra em 1981. Foi também sob a sua gestão que o emblema mudou-se em 2016 de Upton Park para o antigo Estádio Olímpico.

Esta decisão revelou-se impopular e a relação de Sullivan com a massa adepta veio a piorar desde então, mesmo com a conquista da Liga Conferência. A temporada transata foi particularmente dura para o West Ham, com a saída de vários altos executivos — incluindo a vice-presidente Karren Brady, que se demitiu em abril —, atingindo um ponto de rotura no último jogo da época. Apesar de o clube ter vencido essa partida contra o Leeds United, não foi suficiente para manter a manutenção e os adeptos vaiaram o empresário, que abandonou o jogo mais cedo.