Primeiro o A, depois o B e o D, a seguir jogos do B, C, D, várias letras até ao J. O autêntico abecedário que é a primeira fase final de sempre de um Mundial com 48 equipas fez com que Portugal, no grupo K, fizesse o seu encontro inaugural quase uma semana depois do jogo 1 da prova entre México e África do Sul – tanto que, à hora desse duelo na Cidade do México, a comitiva nacional estava ainda na Cidade do Futebol, só viajando para Palm Beach no dia seguinte. Agora, chegava finalmente a hora para todos os adeptos da Seleção e de futebol, que já levam um par de olheiras mais carregadas com as últimas noitadas. E chegava também aquilo que todos têm sempre curiosidade de saber: quais serão as opções iniciais de Roberto Martínez?

Houve um dado confirmado pelo selecionador que abriu a principal dúvida no onze: Rúben Dias, que desde que chegou aos EUA tem estado sempre a cumprir trabalho específico de recuperação, ainda não se encontra a 100% e, perante uma competição que na melhor das hipóteses pode levar a oito jogos em cinco semanas, vai mesmo ficar de fora da estreia de Portugal frente à RD Congo, às 12h locais em Houston (18h nacionais).

“Posso dizer que o Rúben Dias chegou perfeitamente ao estágio, jogou os 90 minutos com o seu clube no último jogo na Premier League. Depois trabalhou muito bem durante a preparação, fez o jogo contra o Chile. Infelizmente, o futebol é um jogo de contacto. O que o Rúben teve foi um golpe durante o jogo contra a Nigéria. Fizemos os testes, está tudo bem estruturalmente e agora é só não arriscar. Medicamente precisamos de estar a 100% num jogo do Mundial e é isso que vamos fazer, mas a situação do Rúben foi um momento de futebol, de contacto que acontece, que pode acontecer, mas não tem um passado”, explicou o selecionador Roberto Martínez na conferência de imprensa de antevisão da partida na última madrugada.

Assim, e olhando para o eixo central recuado, há três cenários possíveis em cima da mesa: substituir de forma direta Rúben Dias por Tomás Araújo e deixar a outra vaga para Renato Veiga (que pode ser o cenário mais plausível nesta fase), juntar Gonçalo Inácio a Tomás Araújo ou optar por utilizar em simultâneo as duas opções que têm alternado a titularidade ao lado do central do Manchester City, Inácio e Veiga. Nuno Mendes será titular à esquerda, com João Cancelo com aparente vantagem sobre Diogo Dalot na direita.

Daí para a frente, assumindo um meio-campo que não oferece dúvidas e que para muitos é o melhor da atualidade com Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes, fica por saber quem estará no ataque com Cristiano Ronaldo – e os particulares com Chile e Nigéria não foram propriamente ideais para desfazer essas dúvidas. Do lado direito, Francisco Conceição e Francisco Trincão foram titulares com boas respostas não só nestes ensaios mas também em março, havendo também a possibilidade de Bernardo Silva assumir a posição jogando muitas vezes por dentro ou mesmo Pedro Neto. Na esquerda, Pedro Neto foi testado diante da Nigéria, depois de Rafael Leão ter sido aposta inicial com o Chile antes de ser expulso aos 45′.

Olhando para aquilo que têm sido as opções mais frequentes de Roberto Martínez, existe quase um “jogo de pares” em relação às alas. Se Bernardo Silva jogar de início, Rafael Leão ou João Félix estarão na frente para serem titulares pelas características que permitem muitas vezes desenhar um 4x4x2 em ataque organizado, deixando também o corredor para as subidas de Nuno Mendes. Se a opção recair num jogador como Trincão ou Francisco Conceição, Bernardo Silva começaria no banco e o lado esquerdo do ataque estaria entregue a Rafael Leão ou Pedro Neto, que apesar de ser canhoto já ocupou várias vezes a posição com sucesso.