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Mundial 2026. De refugiado a recorde histórico, Irankunda é o mais novo a marcar pela Austrália

Nascido num campo de refugiados na Tanzânia, após os pais fugirem da guerra, Irankunda precisou de apenas 20 anos para colocar o seu nome na história do Mundial, ao serviço da Austrália.

Irankunda
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Na celebração do seu golo, o jogador correu para a bandeira do canto, replicando o icónico gesto de Tim Cahill

Instagram de Irankunda

Na celebração do seu golo, o jogador correu para a bandeira do canto, replicando o icónico gesto de Tim Cahill

Instagram de Irankunda

O avançado Nestory Irankunda tornou-se o futebolista mais jovem de sempre a marcar por uma seleção da Confederação Asiática (AFC) em fases finais do Mundial. Com apenas 20 anos e quatro meses, o jogador fixou o resultado na vitória dos Socceroos por 2-0 diante da Turquia. Contudo, o caminho até esta glória começou num cenário muito distante dos holofotes, numa luta pela sobrevivência.

Nascido em 2006 num campo de refugiados em Kigoma, na Tanzânia, o atleta recordou o drama familiar que marcou a sua infância. “Quando a guerra civil começou, os meus pais não tiveram outra opção. Fugiram da guerra, não queriam perder a vida”, revelou o jogador, citado pela Marca. “A minha irmã mais velha estava doente e eles estavam prestes a abandoná-la, mas o meu pai não conseguiu; ele ama a sua família e faria qualquer coisa pelos seus filhos”, acrescentou.

Os pais de Nestory mudaram-se para a Austrália quando ele tinha apenas três meses de idade: “A vida aqui é muito mais fácil em comparação com a África”, disse o jogador do Watford. Numa publicação do Instagram, aparece abraçado à sua mãe Dafroza.

Irankunda estreou-se na primeira divisão pelo Adelaide United com apenas 15 anos, despertando a atenção do Bayern Munique, que garantiu a sua contratação em julho de 2024. No entanto, nunca chegou a estrear. Foi emprestado ao Grasshoppers e depois acabou por ser transferido para o Watford no verão passado por 3 milhões de euros.

Foi precisamente com este estatuto de jovem promessa que foi convocado para o Mundial. No lance do seu golo histórico frente à Turquia, Paul Okon-Engstler cruzou a bola para o jovem avançado que, com um toque brilhante, tirou o defesa Merih Demiral do caminho antes de finalizar com classe.

“A bola caiu à minha frente e o meu corpo começou logo a fazer o que sabe. Não controlei nada, simplesmente aconteceu, e depois de marcar foi uma loucura”, confessou Irankunda, como relata o The Canberra Times. Na celebração, o jogador correu para a bandeira do canto e desferiu uma série de socos no ar, replicando o gesto de Tim Cahill, um símbolo dos Socceroos. “O Tim Cahill foi a minha maior inspiração no futebol australiano. Sempre o admirei e quero ser como ele um dia”, afirmou o avançado.

Numa conferência de imprensa, o treinador Tony Popovic elogiou a exibição do jogador, destacando o seu perfil “explosivo, dinâmico e perigoso” que permitiu à Austrália garantir pontos cruciais na fase de grupos da competição.

Tony Popovic lançou o onze inicial mais jovem de sempre da Austrália, com uma média de idades de apenas 24,6 anos, promovendo a estreia de 10 jogadores na competição. O treinador reconhece o choque que isto pode causar, mas está confiante na sua escolha: “Como trabalhamos juntos todos os dias, conseguimos ver a qualidade destes jovens rapazes. Temos o Mohamed Touré, o Nestory, o Junior Okon, o Patrick Beach e muitos outros. É uma equipa selecionada para render ao mais alto nível”, explicou, citado pela ESPN.

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