Uma exposição dedicada à pintora Menez (1926-1995), considerada uma das figuras mais marcantes da arte portuguesa do século XX, é inaugurada no sábado, no Centro de Arte Manuel de Brito, em Lisboa, para assinalar o centenário do nascimento da artista.

Intitulada “Menez na Coleção Manuel de Brito”, a mostra reúne obras pertencentes à coleção do galerista Manuel de Brito e ficará patente no Centro de Arte Manuel de Brito (CAMB), no Campo Grande, segundo informação divulgada pela galeria.

Contactada pela agência Lusa, fonte da galeria acrescentou que a exposição tem por objetivo homenagear a artista revisitando quatro décadas da sua produção, entre os anos de 1950 e 1990, através de um conjunto de pinturas e trabalhos sobre papel representativos das diferentes fases do seu percurso.

A seleção apresentada inclui 15 pinturas em óleo e acrílico, na sua maioria sem título, e 31 obras sobre papel, quase todas executadas em guache, além de dois desenhos.

Autodidata, Menez começou a pintar aos 26 anos, sem ter frequentado escolas de arte nem trabalhado com mestres, desenvolvendo uma linguagem própria construída através da prática artística.

A artista recusava habitualmente atribuir títulos às suas obras e evitava comentar o seu trabalho, defendendo que a pintura deveria comunicar por si mesma, sem necessidade de explicações exteriores, indicam os dados biográficos da criadora nascida em Lisboa, em 1926.

Segundo informação divulgada pelo CAMB, “a sua produção conheceu uma transformação significativa após a morte dos dois filhos mais velhos, passando de uma fase inicial marcada pela abstração para uma abordagem mais figurativa, frequentemente inspirada por temas bíblicos e pela representação da condição humana”.

Nos últimos anos da sua vida, dedicou-se sobretudo à pintura de interiores, ateliês, figuras femininas, livros e jardins, criando composições luminosas e intimistas que se tornaram uma das imagens de marca da sua obra.

Menez viveu parte da infância em várias cidades estrangeiras antes de iniciar o seu percurso artístico. A sua primeira exposição individual realizou-se em 1954, na Galeria de Março, em Lisboa, com o apoio da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004).

Ao longo da carreira, desenvolveu uma obra que transitou entre o abstracionismo lírico e uma figuração marcada por ambientes cénicos e misteriosos, povoados por personagens e espaços interiores de forte carga poética.

Além da pintura, produziu gravuras e azulejos, conquistando um amplo reconhecimento crítico em Portugal e afirmando-se como uma das artistas mais influentes da sua geração.

Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian em Londres, viu o seu trabalho integrado em importantes coleções públicas e privadas portuguesas, tendo sido distinguida com o Prémio Pessoa, uma das mais relevantes distinções culturais atribuídas no país, em 1990, o mesmo ano em que a Fundação Calouste Gulbenkian lhe dedicou uma exposição antológica no Centro de Arte Moderna.