Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, e Luís Filipe Menezes, autarca de Gaia, assinaram esta terça-feira um memorando de entendimento de um concurso para a construção de uma nova ponte sobre o Douro entre as duas cidades. “Poderá ser um ícone que tenha a capacidade de captação de visibilidade para a região”, destacou aos jornalistas o presidente de Gaia, à saída do evento na Casa do Infante.
Antes, Pedro Duarte explicou que a obra com custo de 25 milhões de euros (dividido em partes iguais pelas autarquias) reflete a aposta das duas cidades na promoção dos “modos suaves de mobilidade”. “Ao longo dos últimos anos, palavras como sustentabilidade foram-se desgastanto um pouco. Foram usadas para quase tudo e quase nada. Nós aqui estamos a dar um exemplo em concreto de que estamos a promover políticas de sustentabilidade e que priveligam a qualidade de vida das pessoas”.
O autarca de Gaia foi mais longe e detalhou as ligações que serão feitas das ciclovias na cidade à nova ponte. “Temos previsto duas ciclovias a ligar à putativa ponte. Uma delas ligará à circular do centro histórico, que está construída. E no fim da circular desse centro histórico nasce a VL1, que liga até à praia de Canidelo”, disse.
“Podemos ter eventualmente a possibilidade de ter o Porto ligado ao mar [em Gaia] através da ciclovia”, projetou Luís Filipe Menezes.
A expectativa dos autarcas é lançar o concurso até ao final deste ano e ter a obra concluída “até ao final de 2029”. Todavia, Pedro Duarte reconhece que “há procedimentos” a seguir, cujos timings os municípios não controlam.
A infraestrutura, com um vão de 250 metros, ficará numa das zonas mais turísticas das duas cidades — a 350 metros a jusante da Ponte Luiz I. O projeto foi explicado por Bento Aires, Presidente da Ordem dos Engenheiros – Norte, que destacou uma nova construção sobre o Douro e a coexistência de pontes com diferentes tipologias -— rodoviária, ferroviária e pedonal.
O projeto está dividido em duas fases. Esta terça-feira foi formalizado o lançamento do procedimento por prévia qualificação, que corresponde à primeira fase, na qual serão selecionados os candidatos. Só na segunda-fase é que os escolhidos poderão apresentar as propostas.
“A ponte, por si só, vai acrescentar muita imagem de marca a uma cidade que já tem várias pontes”, reforçou o autarca de Gaia. Pedro Duarte completou que a arquitetura da futura ponte terá que respeitar a “paisagem urbana” e esta nova alternativa pode libertar a “saturada” Ponte Luiz I.
O autarca do Porto defende uma “visão ampla” para “toda a região” e assume a “responsabilidade” que a cidade tem nesse projeto. “A área metropolitana tem que ganhar escala, tem que ganhar dimensão para dessa maneira ter mais peso em termos nacionais, europeus e globais. Isso é bom para o país. Tem que começar aqui uma segunda grande centralidade no país. Isto não é contra Lisboa, é até a favor de Lisboa. Lisboa beneficia se não tiver um excesso de concentração unipolar em termos nacionais“.
O autarca do Porto terminou as declarações aos jornalistas reconhecendo que, como tinha prometido, estarão menos estaleiros de obras da Metro do Porto na cidade durante os festejos do S. João.
“As informações que vou tendo é que desde as últimas horas houve mais um progresso significativo. Tem havido grandes avanços nos últimos dias. Julgo que agora vai estar tudo resolvido ao ponto de na festa de logo à noite já não termos os estaleiros que tínhamos”, garantiu.
Por sua vez, Luis Fílipe Menezes confirmou que os dois autarcas não se vão cumprimentar a meio da ponte Luíz I, como tinha sido instituído pelos autarcas anteriores, Rui Moreira e Eduardo Vítor Rodrigues, no S.João. “Não nos vamos cumprimentar a meio da ponte, porque essas parolices acabaram com estes mandatos. Vamos estar aqui os dois juntos, cada um vai ter os seus convidados, mas fizemos um esforço os dois para que este S. João já fosse um bocadinho diferente”, disse o presidente de Gaia, que assumiu a continuação da música e da animação mesmo depois do fogo de artifício.