A imprensa internacional e várias lendas do futebol mundial não tardaram a reagir à noite de redenção de Cristiano Ronaldo frente ao Uzbequistão. No jogo contra a RD Congo, o jogador foi criticado pela sua falta de rendimento. Agora, o capitão português silenciou os céticos com dois golos.
“Não deviam tê-lo irritado”, destacou o L’Equipe: “Após uma estreia dececionante contra a República Democrática do Congo, Portugal recuperou com uma vitória convincente. (…) Jogando com foco e determinação, a seleção portuguesa iniciou oficialmente sua campanha no Mundial e permitiu que Cristiano Ronaldo se tornasse o maior marcador da História de Portugal no torneio“.
Wayne Rooney, antigo colega de equipa de Ronaldo no Manchester United, aplaudiu a sua capacidade de superação. “Ele levou algumas críticas e é assim que ele responde. Fez isso a carreira inteira. (…) Ele é egoísta no sentido em que quer ser sempre o melhor e estar no topo da lista de goleadores, mas também é um jogador de equipa”, comentou na BBC.
No The Athletic, Nancy Froston destacou a faceta de solidariedade do avançado, questionando se este jogo representa uma evolução no seu estilo: “Houve progresso? Quando ele se afastou para deixar Nuno Mendes marcar o livre que deu o segundo golo, funcionou maravilhosamente. Não foi uma exibição totalmente altruísta, mas foi um passo na direção certa”.
Já em jeito de ironia, o antigo jogador inglês Chris Sutton, na BBC, respondeu à declaração de Cristiano no final do jogo: “Acho que o Ronaldo disse ‘Estou de volta’. Bem, eu nem sabia que ele alguma vez tinha ido embora”.
Por sua vez, o The Telegraph destacou que a qualidade do camisola 7 é imune às críticas momentâneas: “Pensavam mesmo que ele ia ser corrido da festa? Pode ter-se um jogo mau ou uma fase menos boa, mas, no fim, a qualidade perdura, e foi por isso que Cristiano Ronaldo voltou ao centro do palco”. O meio de comunicação acrescentou ainda que a exibição histórica de Lionel Messi, em Dallas, serviu de combustível para o português: “Seria ingénuo não pensar que isso lhe ateou um fogo interior. Enquanto o argentino detém o recorde de mais golos em Mundiais, Ronaldo garantiu o feito de marcar em mais edições: este é o torneio número seis. Verdadeiramente impressionante”.
Na Espanha, a Marca frisou que, apesar de a idade já pesar ao avançado, a sua eficácia continua intocável. “Os seus instintos permanecem afiados. O ruído em torno de Cristiano Ronaldo desapareceu com uma chuva de golos. É mais ou menos assim que um jogador de futebol cuja idade o limita de muitas maneiras, mas certamente não na mais importante, sempre respondeu às críticas”. O jornal espanhol sublinhou ainda que, em apenas 40 minutos, Ronaldo provou continuar a ser “a melhor arma ofensiva de Portugal” — ridicularizando o facto de o Uzbequistão ser treinado por Fábio Cannavaro, “um dos melhores defesas da era moderna”, e ainda assim, apresentar uma defesa “péssima”.