O objetivo era que, no 250.º aniversário dos Estados Unidos da América (EUA), o fundo do espelho de água no centro da capital norte-americana estivesse do mesmo tom de azul que a bandeira. Dias depois de o fundo do lago ter sido pintado de azul, o revestimento começou a levantar-se. Esta quinta-feira, um tribunal de Washington D.C. acusou David Hearn, antigo canoísta olímpico de 67 anos, de ter danificado o monumento ao arrancar parte da pintura.
“[O suspeito] danificou, partiu e destruiu maliciosamente determinados bens, nomeadamente o material de revestimento do espelho de água do Lincoln Memorial”, pode ler-se na acusação, decidida por um júri e citada pela CNN. A pena máxima, se condenado por destruição de propriedade, é de dez anos de prisão.
Segundo o relato da procuradora do distrito de Columbia, Jeanine Pirro, Hearn arrancou “com as duas mãos” e com “força e violência” um pedaço de dois pés quadrados (1800 centímetros quadrados) de revestimento — equivalente a pouco menos que duas folhas de papel A4. O antigo atleta é ainda acusado de ter tido uma atitude agressiva depois de um funcionário do monumento lhe ter dito para parar. Os danos causados ascendem a mil dólares.
Autoridades patrulham espelho de água do Lincoln Memorial alvo de reparações
Questionada sobre se o Ministério Público escolheu avançar com a acusação devido à posição do Presidente Donald Trump, que tem falado de forma depreciativa sobre o facto de o espelho de água não estar ainda da cor desejada, Pirro recusou qualquer pressão política. “Este é um caso com provas contundentes e são essas provas que determinam a nossa decisão”, declarou.
Ainda antes de a acusação ter sido anunciada, David Hearn já tinha relatado à Associated Press os acontecimentos, que decorreram no dia 19 de junho. O antigo canoísta de slalom — múltiplas vezes campeão nacional e atleta olímpico pela terceira e última vez em Sydney, em 2000 — parou no Lincoln Memorial durante um longo passeio de bicicleta e tocou num pedaço de revestimento que estava a soltar-se, mas ainda preso no espelho de água.
“Sou um cidadão curioso. Estiquei a mão para ver qual era a sensação. Era muito elástico”, descreveu, justificando a curiosidade com o facto de ele mesmo ter uma empresa de materiais para equipamentos náuticos. Mas Hearn garantiu ter largado o revestimento assim que foi chamado à atenção pelos funcionários. O ex-atleta foi, ainda assim, detido pela Guarda Nacional durante cinco horas.