A primeira etapa de alta montanha trouxe mais uma exibição de força da UAE Team Emirates-XRG e, em particular, de Tadej Pogacar. O esloveno esperou pelo momento certo para atacar no temível Tourmalet na companhia de Isaac del Toro e mais ninguém o conseguiu seguir, nem o mexicano que, depois de ter ido ao choque, quebrou e teve de encontrar o seu ritmo junto de outro grupo. No duelo de forças em solitário com Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), o campeão do mundo ganhou 2.38 minutos na estrada, mais quatro segundos nas bonificações, e voltou a saltar para a liderança com 2.42 de avanço para o dinamarquês e 3.27 face ao colega de equipa. Torstein Traeen (Uno-X Mobility) foi um dos prejudicados da jornada, acabando por cair violentamente numa altura em que Pogacar estava a ultrapassá-lo, de forma virtual, na geral. O norueguês fraturou diversas costelas e sofreu uma concussão, abandonando a Volta a França antes da sétima etapa.

A viagem pode ser difícil, mas a montanha distante é o local que aproxima Tadej dos objetivos: Pogacar volta à amarela nos Pirenéus

“Diria que está no meu top 5 de vitórias. Tive flashbacks da etapa do Tourmalet em 2023 [venceu em Cauterets após um ataque no Tourmalet], quando tinha partido a minha mão. Tive muitos flashbacks. Foi um final parecido. É uma vitória realmente incrível. É uma das melhores, certamente. Ontem [quarta-feira] no autocarro, quando saímos, em todos os rapazes havia muito entusiasmo para falar sobre a etapa de hoje [quinta-feira]. Acordei às 7 horas da manhã, a minha mente estava a mil. Estava muito empolgado para hoje. Todos os rapazes estavam muito entusiasmados. Sabia que ia ser um bom dia. Apenas fomos com tudo. Fomos como se não tivéssemos nada a perder. Se nós explodíssemos, explodíamos. Mas, no final, conseguimos. Estou super orgulhoso de todos. Hoje foi um trabalho em equipa incrível”, declarou o maillot jaune no final da etapa.

“Foi um dia muito difícil. Não foi o dia que queria, obviamente, mas por vezes é assim. Eles fizeram um grande ataque no Tourmalet e eu não consegui acompanhar. Tive que me manter no meu próprio ritmo. No topo não estavam muito atrás, mas uma descida como esta não é muito adequada para mim. Não foi o meu melhor dia, mas é assim. Obviamente estou desapontado. Tenho que estar. Mas às vezes a vida é assim e eu não posso mudar isso. Ainda acredito em mim mesmo. Ainda acredito que as minhas pernas vão melhorar ao longo da corrida. A luta não acabou”, explicou Vingegaard.

Por outro lado, saltou à tona depois da etapa a ira de Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe) contra o colega Florian Lipowitz, mesmo depois de ambos terem terminado juntos dentro dos sete primeiros da etapa. “Pedi para ele liderar o grupo e não consegui. Acho que tenho razão em ficar irritado. Na Volta à Catalunha liderei o grupo durante 30 quilómetros. Aqui simplesmente peço para ele puxar durante um quilómetro e isso não acontece. Sim, isso irritou-me. Entendo que [Sepp] Kuss e [Isaac] del Toro não estejam a ajudar, isso é normal, mas a Lidl-Trek tinha dois ciclistas presentes e eles não quiseram cooperar. O que mais tínhamos a perder? Infelizmente a ajuda não foi a ideal”, criticou o belga. Já esta sexta-feira, Ralph Denk, diretor-geral da equipa alemã, disse que Evenepoel e Lipowitz falaram durante o jantar no hotel da Red Bull, acabando por fazer as pazes.

Com os Pirenéus para trás, o pelotão saiu pela primeira vez da aldeia de Hagetmau e atravessou a Floresta das Landes — a maior floresta artificial da Europa — rumo a Bordéus, que recebeu o Tour de France pela 82.ª vez. Nas margens do rio Garona, junto à Place des Quinconces — que é uma das maiores do continente —, previa-se um final ao sprint, como manda a tradição nas chegadas àquela cidade portuária do sudoeste de França. Foi ali que ganharam nomes como Rik van Looy, André Darrigade, Walter Godefroot, Freddy Maertens, Danny van Poppel, Erik Zabel, Mark Cavendish e Jasper Philipsen, sem esquecer o recordista de vitórias na cidade: Eddy Merckx, que ganhou quatro vezes, três delas em contrarrelógio. Antes de Bordéus a única dificuldade era a Côte de Béguey (1,4 km a 4,3%), que se encontrava a 40 quilómetros da chegada. Curiosamente, esta era a etapa em linha com menos desnível (701 metros), ficando apenas atrás dos dois contrarrelógios.

Baptiste Veistroffer (Lotto Intermarché) e Jakub Otruba (Caja Rural-Seguros RGA) tentaram animar a corrida na fase inicial, mas Alpecin-Premier Tech e Soudal Quick-Step assumiram o controlo do pelotão e a dupla nunca passou da margem dos dois minutos. Lipowitz acabou por sofrer um furo a 87 quilómetros de Bordéus, sem impacto, e Mads Pedersen (Lidl) voltou a ser o primeiro dos favoritos no sprint intermédio. A fuga terminou já dentro dos últimos 20 quilómetros, altura em que a Uno-X acelerou a corrida. A entrada no último quilómetro foi feita com Alpecin na dianteira, com Mathieu van der Poel a lançar Jasper Philipsen, que fechou Fernando Gaviria (Caja Rural) junto às barreiras pela direita, o que fez com que Tim Merlier (Soudal) passasse diretamente pela esquerda e vencesse confortavelmente. Esta foi a quarta vitória do belga na Volta a França e a sétima da temporada. No segundo lugar terminou Soren Waerenskjold (Uno-X), ao passo que Biniam Girmay (NSN) foi terceiro.

Sem diferenças na geral, Tadej Pogacar vai partir para o oitavo dia desta Volta a França com 2.42 minutos de vantagem para Jonas Vingegaard e 3.27 face a Isaac del Toro. Na classificação por pontos, Mads Pedersen somou mais 20 pontos na chegada e chegou aos 204 pontos na liderança da verde, tendo mais 59 pontos que Biniam Girmay e 64 face a Max Kanter (XDS Astana). Com a vitória, Tim Merlier ganhou 70 pontos e saltou para o quarto lugar, com 134 pontos.