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Restavam oito seleções numa competição que cada vez mais se tem tornado numa espécie de Europeu dentro do Mundial. Afinal, seis dessas oito equipas pertenciam ao continente europeu, o que fazia com que estivessem reservados dois duelos entre formações da UEFA. O primeiro aconteceu esta sexta-feira e colocou frente a frente Espanha e Bélgica, naquele que era para ser mais um duelo em que Portugal ia estar em ação, não fosse Mikel Merino ter faturado na reta final do tempo regulamentar. De um lado estava o país e do outro o antigo trabalho de Roberto Martínez que, devido a essa eliminação precoce, se despediu do comando técnico da Seleção Nacional nos últimos dias. A roja chegou a este jogo sem qualquer golo sofrido neste Campeonato do Mundo, ao passo que os diabos vermelhos eliminaram os EUA no polémico jogo dos oitavos de final e pareciam ter encontrado a melhor forma sem Kevin de Bruyne, Jérémy Doku e Romelu Lukaku.

Depois de fazer o mais difícil, Martínez inventou. E perdeu (a crónica do Portugal-Espanha)

“Não pensamos em mais nada senão na Bélgica. Se ganharmos, então falaremos de França. Como profissionais, posso garantir que estamos totalmente focados no jogo de amanhã [sexta-feira]. França foi a melhor equipa [frente a Marrocos]. Sabemos do que são capazes. Temos um enorme respeito pela Bélgica, que venceu um dos organizadores do campeonato, os EUA, nos oitavos de final e fê-lo de forma muito convincente. A Bélgica é uma equipa muito forte com jogadores que estão habituados a ganhar. Será um desafio. Percebo o que posso controlar e, quando o faço, controlo-o muito bem. Tudo o resto que acontece está fora do nosso controlo. Isso dá-me muita tranquilidade. Uma coisa é estar nervoso, outra é ter medo. Não há dúvida de que o encontro com a Bélgica será o mais difícil até agora. Temos jogadores que podem marcar um golo e um golo decisivo”, assumiu Luis de la Fuente.

“Claro que são um dos favoritos, conhecemos um por um. É uma força de seleção de alta qualidade. São os primeiros na posse de bola e estão mais preparados, mais sólidos. Não se deixam amedrontar em nenhum momento. Vamos procurar marcar e não vamos apenas defender. Vamos tentar marcar golos. Contamos com as nossas próprias qualidades. Queremos estar na meia-final. Vocês estão a descobrir a equipa, mas eu conheço o dia a dia da seleção. Têm resistência e resiliência. A qualidade não se vê quando as coisas estão bem, mas sim quando estão mal. Temos muito talento. Jogamos ofensivamente e temos uma boa forma física. Acreditamos que estamos a defrontar uma seleção mais forte, mas vamos defender com a alma, a vida e o coração”, detalhou Rudi Garcia.

Para este jogo, a roja voltou a apresentar-se com apenas a contrariedade física de Yéremy Pino e, quando se perspetivava a entrada de Merino no onze, De la Fuente surpreendeu e mexeu no meio-campo, retirando Pedri para colocar Fabián Ruiz. Essa foi a última mexida do selecionador espanhol, que continua a contar com Álex Baena em detrimento de Nico Williams, que ainda não deverá estar totalmente recuperado das lesões. Por outro lado, o ex-Sporting Pedro Porro continua a ganhar o lugar a Marcos Llorente. Sem Amadou Onana, que se lesionou com gravidade no ligamento cruzado anterior frente aos norte-americanos e se juntou ao sportinguista Zeno Debast no lote de ausentes, Garcia fez duas mexidas, voltando a lançar no seu onze De Bruyne e Doku, que entraram para os lugares do médio e de Dodi Lukebakio, extremo do Benfica. Essa mudança relegou Leandro Trossard para o lado direito do ataque, onde o avançado do Arsenal tende a perder influência. No aquecimento, Youri Tielemans também se lesionou, saiu da ficha de jogo e Hans Vanaken saltou para a titularidade.

Como seria de esperar, Espanha ditou o rumo do jogo desde o apito inicial, assumindo o controlo com bola e pressionando alto na tentativa de evitar as transições rápidas da Bélgica, que tentou lançar Doku e Trossard em velocidade, bem como aproveitar o jogo aéreo com Charles de Ketelaere. A primeira ocasião de perigo pertenceu a Rodri Hernández, que desferiu um remate forte para um corte determinante de Nathan Ngoy (10′). A pausa para hidratação mudou a pressão dos diabos vermelhos, que subiram as linhas para tentar deixar a roja desconfortável. Contudo, Lamine Yamal também começou a entrar no jogo e desbloqueou o nulo com um grande passe para Porro, que cruzou atrasado para o remate de primeira de Dani Olmo, Thibaut Courtois fez uma grande defesa para a frente e, na recarga, Fabián completou para o fundo da baliza (30′). 

Logo a seguir, na cobrança de um livre em zona frontal, o prodígio do Barcelona atirou colocado para mais uma defesa do guarda-redes do Real Madrid (35′). Depois, Lamine recebeu na direita, bailou para o meio e desferiu um remate de pé esquerdo na direção do primeiro poste, mas a bola saiu à malha lateral. Contra a corrente do jogo, os diabos vermelhos aproveitaram uma jogada de insistência para fazer o empate, com De Bruyne a abrir na direita em Timothy Castagne, que cruzou para o coração da área, onde De Ketelaere apareceu a cabecear para o golo, depois de ter ganhado o duelo a Pau Cubarsí (41′). Este foi o primeiro toque na área dos belgas e o primeiro golo sofrido por Unai Simón no Mundial-2026. Assim, o empate continuava a persistir ao intervalo, o que, de certa forma, era surpreendente (1-1).

A etapa complementar arrancou a todo o gás, com as duas seleções a criarem perigo junto das duas balizas. Ainda assim, destaque para a primeira incursão da Bélgica, que começou numa tabela entre Jérémy Doku e Kevin de Bruyne e acabou com um cruzamento do extremo para uma zona em que Maxim de Cuyper apareceu a finalizar para fora (55′). Luis de la Fuente respondeu com as entradas de Pedri e Ferran Torres, ao passo que Rudi Garcia colocou Axel Witsel, Joaquin Seys e Romelu Lukaku, antes de Lamine Yamal desferir mais um aviso com um cruzamento-remate que obrigou Thibaut Courtois a mais uma intervenção (61′). Na resposta, a roja tremeu no contra-ataque, com Aymeric Laporte a cortar contra o braço de Rodri Hernández e, na sequência do lance, De Bruyne a atirar à meia-volta para as mãos de Unai Simón (62′). No lance seguinte, Dani Olmo encontrou Yamal na direita com um grande passe, o “menino” bailou e serviu Mikel Oyarzabal, que atirou para defesa de Courtois (62′).

Depois da pausa para hidratação, o guarda-redes merengue deixou o campo em lágrimas por lesão, tendo cedido o seu lugar a Senne Lammens. Para a reta final do tempo regulamentar, Nico Williams saiu do banco, ao passo que De Bruyne também saiu por cansaço e o joker Merino foi lançado em campo, tendo sido decisivo em apenas dois minutos: Pau Cubarsí ganhou metros e atirou de longe para defesa incompleta de Lammens, apesar de a bola ter saído para o meio da baliza, com o médio do Arsenal a completar para o golo na recarga (88′). Na reta final, a Bélgica apostou tudo em busca do empate e quase foi feliz depois de uma má saída de Simón, mas Laporte impediu o golo de Lukaku com um grande corte (90+2′). Pouco depois, Marc Cucurella ainda desferiu um remate forte para as mãos do guarda-redes do Man. United, com a vitória espanhola a persistir até ao fim (2-1).

A estrela

  • Ainda não é o verdadeiro Lamine Yamal, mas já começa a aparecer. Frente à Bélgica, o jovem extremo voltou a ser a principal figura de Espanha, apesar de não ter marcado nem assistido. Na primeira parte, todas as jogadas de perigo passaram pelos seus pés, a começar pela jogada do golo de Fabián Ruiz, que nasce num grande passe do blaugrana para Pedro Porro. Depois, na segunda parte, perdeu espaço com a saída de Álex Baena e quebrou com o passar dos minutos, mostrando que ainda não está pronto para jogar toda a partida.

O joker

  • Se na direita há Lamine, no banco há… Mikel Merino. Depois de uma época em que foi o joker do Arsenal quando a equipa de Mikel Arteta mais precisava, o médio de Pamplona ameaça tornar-se numa das figuras deste Campeonato do Mundo, apesar de ter poucos minutos em campo. Decidiu o jogo frente a Portugal, na eliminatória passada e, frente aos belgas, só precisou de dois minutos em campo para colocar a roja nas meias-finais, num lance em que mostrou faro de golo, acreditou e voltou a ser feliz.

A sentença

  • Espanha está de volta às meias-finais do Mundial 16 anos depois e vai agora enfrentar França em mais um grande embate entre seleções europeias. Curiosamente, os espanhóis ainda só defrontaram equipas do seu continente na fase a eliminar. O encontro frente aos bleus está marcado para as 20 horas (de Lisboa) da próxima terça-feira e disputa-se em Arlington, no AT&T Stadium. Já a Bélgica cai nos quartos de final oito anos depois, melhorando em relação à eliminação na fase de grupos no Qatar, em 2022.

A mentira

  • Incontornavelmente, a saída de Thibaut Courtois acabou por mudar o jogo. Apesar de a Bélgica pouco ter contestado o domínio espanhol antes e depois da mudança na baliza, Courtois estava a ser um dos melhores em campo até à última pausa para hidratação, segurando a sua equipa com defesas importantes e sem arriscar nas defesas e quando tinha a bola na sua posse. Depois, os problemas musculares acabaram por traí-lo. Senne Lammens não entrou bem no jogo e fica ligado ao golo que decide o jogo com uma defesa para a frente em que podia claramente ter feito mais.