Tyler James Robinson, o suspeito do homicídio do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk, mostrou-se arrependido pelo seu ato, revelou Lance Twiggs, ex-companheiro de quarto e parceiro do homem detido em setembro de 2025 após disparar fatalmente sobre Kirk num evento na universidade de Utah, nos EUA.

A informação foi transmitida durante as audiências preliminares do julgamento, que estão a decorrer esta semana em Provo, no estado de Utah. Segundo Twiggs, cujas declarações foram exibidas numa inquirição gravada em vídeo no tribunal, Robinson confessou-lhe que “gostaria de não o ter feito”, conta o jornal Washington Post.

“Perguntei-lhe pessoalmente se o que ele tinha dito na noite anterior era verdade, e ele confirmou que sim. Começou a chorar um pouco e disse que gostaria de não o ter feito”, disse Twiggs às autoridades policiais, com as quais colaborou ao longo de toda a investigação e que, por isso, não é alvo de qualquer acusação.

Ficou a andar de um lado para o outro e a fazer coisas, acho eu, para se manter ocupado”, recordou ainda Twiggs, que acrescentou que Robinson lhe disse que ia falar com os pais ou entregar-se às autoridades.

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Além da entrevista com o companheiro, foram também apresentadas como provas as mensagens trocadas entre Robinson e Twiggs acerca de Charlie Kirk, nas quais o suspeito declarou que “estava farto do ódio [de Kirk]”.

Um mês antes de disparar sobre o ativista conservador — que era visto como um elemento cada vez mais influente no movimento MAGA [Make America Great Again] do Presidente Donald Trump —, Tyler James Robinson questionou Twiggs sobre ferramentas para poder gravar mensagens nas balas.

Então, o suspeito tinha dito que planeava ir caçar com a família. Contudo, as autoridades acabariam por recuperar balas com palavras provocadoras, como “Hey, fascista! Apanha”.

Já nas mensagens de texto trocadas com Twiggs, Robinson mostrou-se sobretudo preocupado com devolver a arma da família e contou que tinha deixado um bilhete debaixo de um teclado. Twiggs revelou o conteúdo do bilhete na entrevista gravada: “Tive a oportunidade de eliminar o Charlie Kirk e vou aproveitá-la”.

O companheiro ficou atónito quando leu o bilhete e enviou uma mensagem de volta a perguntar se Robinson estava “a brincar”. O suspeito, que acabaria por se entregar às autoridades, ainda não se declarou como culpado ou inocente das acusações que o visam neste processo.

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Nestas audiências preliminares está também em debate a extensão das provas a divulgar no futuro julgamento, com os representantes legais da família de Kirk a defenderem a revelação de todas as informações e provas, a fim de travarem “especulações e as teorias da conspiração”, enquanto a defesa do suspeito procura manter parte das provas longe do conhecimento público.

Os procuradores querem que Robinson venha a ser condenado com a pena de morte. O suspeito do homicídio de Charlie Kirk está acusado de homicídio qualificado e de outros crimes, como manipulação de uma testemunha, por pedir a Twiggs para apagar mensagens de texto que tinham trocado e que o podiam incriminar pela morte do mediático ativista político norte-americano. Na base da tese da acusação estará um homicídio com motivações políticas, devido a posições de Charlie Kirk sobre os direitos LGBTQ+.

A ronda de audiências preliminares deverá terminar esta sexta-feira com mais informações sobre o processo e o futuro julgamento.