Nunca uma final feminina de Wimbledon tinha reunido duas tenistas do mesmo país fora dos Estados Unidos. Karolina Muchova e Linda Noskova mudaram isso este sábado, na relva do All England Club, numa final 100% checa que já garantia, à partida, um resultado histórico: desde 2023, é a terceira vez em quatro anos que uma tenista da República Checa ergue o troféu, depois de Markéta Vondroušová e Barbora Krejčíková. A última vez que duas compatriotas disputaram este título foi em 2009, entre as irmãs Williams.
O caminho de Muchova até aqui tem tanto de surpreendente quanto de notável. Aos 29 anos, a checa, décima cabeça de série, tinha caído na primeira ronda em quatro edições consecutivas de Wimbledon — 2022, 2023, 2024 e 2025. Este ano inverteu completamente o guião: eliminou três campeãs de Grand Slam seguidas a caminho da final — Barbora Krejčíková, Naomi Osaka e Coco Gauff —, batendo a norte-americana num tie-break decidido a 12-10 no terceiro set, depois de anular um match point. É a sua segunda final de Grand Slam, depois de ter perdido a de Roland Garros em 2023. “Foi uma montanha-russa”, resumiu Muchova, depois de bater Gauff. A própria norte-americana reconheceu, no final: “Tenho muito respeito pela forma como ela joga”.
Do outro lado da rede estava Linda Noskova, de apenas 21 anos, que chega a esta primeira final de Grand Slam depois de eliminar quatro cabeças de série, incluindo a campeã de major Madison Keys, logo na quarta ronda. Na meia-final, bateu Marta Kostyuk por 6-4, 6-4, resultado que confirmou a boa forma da nona cabeça de série, chegada a Londres depois de ter conquistado o título em Berlim. “Uma meia-final de Grand Slam nunca é fácil”, admitiu Noskova, em court. Se vencesse, tornava-se na mais jovem campeã de Wimbledon desde Petra Kvitova, em 2011. Muchova lidera o confronto direto entre as duas — venceu o único encontro, em três sets, no US Open de 2025 —, mas há uma amizade antiga a atravessar esta final: as duas já foram parceiras de pares nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
A final que prometia decidir-se ao detalhe acabou por ser, durante largos períodos, um monólogo de Linda Noskova, antes de Muchova ter uma palavra a dizer, mas já tarde. Contrariando o guião que a boa forma recente de Muchova fazia antever, a mais nova das duas checas entrou em court decidida a não dar hipóteses à compatriota — e o resultado esteve à vista: conquistou o primeiro set e construiu uma vantagem sólida no segundo.
O primeiro set foi, na prática, decidido pelo serviço de Noskova, difícil de quebrar. Muchova ainda resistiu no final, salvando quatro bolas de set consecutivas — uma delas com um ace a 40-40 —, mas a insistência da adversária acabou por prevalecer: à quinta oportunidade, Noskova fechou o parcial depois de uma troca de bolas em que Muchova não conseguiu fazer a diferença junto à rede. O 6-2 no set de abertura deixou a checa mais nova a meio caminho do título. Antes de a segunda partida começar, Muchova passou pelos vestiários para tentar reorganizar as ideias.
Noskova strikes first ????
She takes the first set 6-2 after 31 minutes. #Wimbledon pic.twitter.com/TcmbnC8c3x
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O reset não teve o efeito imediato desejado. Noskova voltou a servir como quem não sentia qualquer pressão e abriu o segundo set com um jogo em branco. Só então Muchova deu os primeiros sinais de vida: depois de ficar a perder por 15-30 nesse jogo, encadeou quatro pontos consecutivos — com o público a incentivá-la pelo caminho — para conquistar o primeiro break da final e empatar o parcial a um jogo.
Durou pouco esse fôlego. Noskova salvou três bolas de break para se manter na frente, a vencer por 2-1, e respondeu com um ponto que apanhou Muchova mal posicionada e, mesmo depois de a adversária devolver em desespero, um slice de revés cruzado e rasteiro para fazer o 3-2. A partir daí, o domínio voltou a instalar-se: mais um break — conseguido com um retorno agressivo a forçar o erro de Muchova — valeu o 4-2, e um jogo em branco, fechado com um serviço forte seguido de uma subida à rede, confirmou o 5-2. A partir daí, Noskova ficou apenas a um jogo de erguer o troféu na estreia numa final de Grand Slam.
Muchova, porém, não estava disposta a facilitar. Aproveitou os erros da adversária para confirmar o seu serviço e reduzir a diferença para 3-5 — um resultado que, a esta distância da meta, servia sobretudo para adiar o inevitável, mas que arrancou aplausos ao Centre Court. Se a generalidade da final tinha corrido do lado da checa mais nova, este acabou por ser o jogo mais tenso da tarde: a jovem de 21 anos teve o troféu à distância de um ponto por cinco vezes sem o conseguir fechar, um recorde de match points desperdiçados numa final por quem, ainda assim, viria a sagrar-se campeã.
Tennis. What a sport.
Karolina Muchova saves FIVE Championship points and we're heading to a decider. #Wimbledon pic.twitter.com/eyrh7Ovqrr
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Muchova respondeu a cada um deles como se a partida estivesse só a começar, devolvendo bolas complicadas e obrigando a compatriota a insistir, ponto atrás de ponto. Chegava o fim do segundo set e não havia decisão. Muchova virou o resultado de 2-5 para 7-5. Ambas as tenistas estavam empatadas a um em sets. Mas pouco havia a fazer por Muchova no último set, visivelmente desgastada com a recuperação que havia operado no set anterior. Noskova nunca mais permitiu o sonho de uma recuperação e rapidamente colocou-se em vantagem. Esse arranque só parou com o fim do jogo e com a derradeira decisão de qual das tenistas checas é que seria campeã: foi Noskova, que caiu de joelhos na relva, em lágrimas, assim que assinou o 6-3 final.
21 years old.
Linda Noskova is the youngest Wimbledon champion since 2011. #Wimbledon pic.twitter.com/FDwPcSSmpI
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Aos 21 anos, Noskova torna-se a mais jovem campeã de Wimbledon desde Petra Kvitova, em 2011, e garante à Rep. Checa o terceiro título em quatro anos, depois de Markéta Vondroušová e Barbora Krejčíková. Fica também resolvido, à boa maneira checa, o dilema de saber quem levantaria o troféu: fosse Muchova, fosse Noskova, a taça ficava em casa. Desde as irmãs Williams, em 2009, nenhuma final feminina em Wimbledon tinha sido decidida entre compatriotas.
Heart. Desire. Belief.
After a stunning final on Centre Court, Linda Noskova is the 2026 Ladies' Singles Champion#Wimbledon pic.twitter.com/CDk1Oi3QmS
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