Fez um comunicado nas redes sociais, mas não respondeu a perguntas. Foi a Tomar conversar com os árbitros, mas não respondeu a perguntas. Este sábado, Pedro Proença teve mesmo de responder a perguntas — e falou pela primeira vez, pelo menos para toda a gente ouvir e sem o Instagram pelo meio, sobre os polémicos áudios que foram divulgados ao longo dos últimos dias.
Em declarações à RTP e à margem da Supertaça Cândido de Oliveira, que decorreu no Estádio Municipal de Coimbra, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) foi questionado sobre se sente que estão reunidas as condições para uma nova temporada sem sobressaltos. “Todas as condições. Iniciamos hoje aqui a nova temporada, numa grande festa, entre equipas que representam comunidades e onde o talento dos jogadores, de todos aqueles que são os seus verdadeiros intervenientes do futebol, interessa. Uma época preparada, teremos 10 meses muitíssimo intensos onde, obviamente, os grandes interesses desportivos estarão à frente de tudo isto. E, portanto, o futebol português com grandes desafios”, começou por dizer, horas depois de os árbitros terem falhado uma ação de formação em protesto.
Logo a seguir, Pedro Proença foi confrontado com o facto de, num dos áudios divulgados, referir-se à qualidade da arbitragem portuguesa como “muito fraca” — para esta sexta-feira ter divulgado um comunicado onde defende que é “inquestionável” o nível dos árbitros nacionais. “Já fiz um comunicado relativamente àquilo que foram as situações que aconteceram na semana passada. Mas permitam-me aproveitar esta oportunidade para aqui deixar duas ou três coisas que me parecem muitíssimo importantes. Em momento algum as opiniões do cidadão Pedro Proença, ditas num determinado momento, numa determinada circunstância, se podem confundir com aquilo que é o papel atual e as suas opiniões formais do presidente da FPF”, explicou.
“Depois, dizer que manipulações, conversas truncadas, retiradas, associadas a alguém… Antes de mais direi que são alguns atos considerados quase de cobardia, já para não dizer que são absolutamente ilegais. E permitam-me dizer também isto: não permitirei em momento nenhum que seja posta em causa a dignidade do cidadão Pedro Proença. E estas eram as notas que eu gostaria de dizer. Além de tudo mais, queria dizer que ainda ontem, relativamente a alguns temas que foram levantados, foi clara a conversa que foi tida com os árbitros e aquilo que é a vontade e a visão que a FPF tem no investimento das boas condições para os árbitros. Aquilo que queremos é criar condições para que tenhamos uma época muitíssimo boa, para que tenhamos melhores performances, melhores árbitros, para que as competições sejam mais saudáveis e seja defendida a integridade. Da parte da FPF tudo faremos para que isso aconteça, é esse o nosso papel”, vincou.
Mais à frente, voltou a ser questionado sobre o conteúdo do áudio em que coloca em causa a qualidade da arbitragem. “Teria de ver toda a conversa, volto a dizer, não sei se essa conversa… Se ela é localizada e se é associada a uma pessoa que não sou eu, é truncada, não sei se é dita fora de um contexto completamente dissociado. A opinião do cidadão Pedro Proença fora de um determinado contexto nada tem a ver com aquela que é a posição institucional do presidente da FPF que, obviamente, tem uma função muitíssimo importante, que é criar condições para a estabilidade do futebol português. E é isso que vai acontecer”, repetiu.
Já perto do fim da entrevista, o presidente da FPF falou sobre a polémica que também envolve Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, que está a ser investigado pelo Ministério Público devido a suspeitas de corrupção e tráfico de influências na nomeação de árbitros para jogos da Primeira Liga. “O Conselho de Arbitragem da FPF tem autonomia própria, foi eleito de forma autónoma. Dito isto, foi o próprio Conselho de Arbitragem que disponibilizou determinadas circunstâncias ao Conselho de Justiça [da FPF], que tomou uma decisão completamente independente. Portanto, no âmbito desportivo, tudo neste momento estará sanado”, começou por referir.
“Aquilo que nós pretendemos, o que a FPF quer, é que a arbitragem, o presidente do Conselho de Arbitragem, todos os membros do Conselho de Arbitragem, tenham todas as condições para ter uma época positiva, desportivamente boa e que confira a todos, todos aqueles que obviamente se envolvem no setor da arbitragem, uma grande tranquilidade por parte da direção. Tudo faremos para que isso seja uma realidade. O futebol português tem desafios imensos pela frente, estamos na antecâmara da organização de um Campeonato do Mundo, onde tenho a certeza de que aquilo que é a positividade do futebol português vai ficar definida”, acrescentou.
Por fim, Pedro Proença recusou-se a comentar o cenário possível de Luciano Gonçalves ser constituído arguido. “Eu não falo de cenários hipotéticos. Acreditamos muito na independência de todos os órgãos. Portanto, neste momento, foi uma decisão que obviamente fez o arquivamento daquilo que foram os factos [por parte do Conselho de Justiça da FPF]. Portanto, o Conselho de Arbitragem tem todas as condições para poder fazer atuar a sua atividade”, terminou.