É um dos clubes da moda não só em Itália como na Europa. O Como subiu recentemente à elite do futebol italiano, depois da promoção à Serie A em 2024/2025, após ter ficado em segundo lugar da Serie B. Na época de estreia no primeiro escalão, os biancoblù conseguiram o décimo lugar e na última conseguiram o quarto posto, que lhes valerá uma presença na próxima edição da Liga dos Campeões. Não só esta ascensão abrupta como a gravitação de nomes bem conhecidos do futebol europeu à volta do clube poderão justificar a forte adesão de adeptos no Como desde a sua subida dos escalões inferiores: Cesc Fàbregas, Raphael Varane, Thierry Henry (acionista), Pepe Reina e, ainda dentro de campo, Nico Paz e Álvaro Morata. E esse crescente gosto de ser adepto do Como já começou a pagar a fatura, ainda antes de a época começar: o clube italiano vai tirar lugares anuais a quem falhar mais de três jogos sem justificação.
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— Como1907 (@Como_1907) October 20, 2025
Esta medida, que tem gerado polémica no futebol italiano, foi anunciada sem aviso prévio e os adeptos a quem se dirige podem perder o direito de renovação para a época seguinte. O presidente do clube, Mirwan Suwarso, esclareceu que o lugar não será revogado imediatamente durante a temporada em curso, mas a ausência persistente resultará na perda do privilégio de garantir o lugar no futuro. A única exceção prevista é a transferência do bilhete para um familiar próximo, desde que a ausência seja devidamente fundamentada.
A decisão é explicada pela reduzida capacidade do Estádio Giuseppe Sinigaglia, que conta apenas com 12 mil lugares, face à enorme procura gerada pela presença na Serie A e a estreia na Liga dos Campeões. Por isso, o clube vai precisar “do apoio de todos os adeptos do Como ao longo daquela que se prevê ser uma época extremamente exigente”, escreveu Suwarso no seu perfil de Instagram. “A procura por bilhetes ultrapassa largamente a disponibilidade e, por isso, pedi ao clube que encontrasse soluções para que os bilhetes para o Sinigaglia fossem para as mãos dos verdadeiros adeptos do Como, daqueles que querem estar no estádio para apoiar a equipa”, acrescentou.
Com os bilhetes frequentemente esgotados, a direção do Como pretende que nenhuma cadeira fique vazia enquanto outros adeptos ficam de fora por falta de disponibilidade. O objetivo central, segundo o clube, é garantir que os lugares disponíveis sejam ocupados por quem “realmente ama o Como e quer apoiar a equipa”, refere a Gazzetta dello Sport.
Outra decisão prende-se com a proibição de exibir cores de equipas adversárias nos setores destinados aos adeptos da casa. Suwarso defendeu esta norma afirmando que, no passado, foi comum ver adeptos de clubes rivais – especialmente dos vizinhos Inter e Milão – a celebrar nas bancadas do Como, ocupando o espaço de fãs da casa. “Sejamos sinceros. Nas últimas épocas, houve demasiadas ocasiões em que adeptos das equipas adversárias celebraram nos nossos setores, enquanto adeptos do Como, que teriam apoiado com orgulho a nossa equipa, não conseguiram arranjar bilhete. Esta não é a atmosfera que queremos criar e não é justo para com quem apoia este clube com paixão e constância”, defendeu. Assim, o clube passará a proibir a entrada, e reserva-se o direito de expulsar do estádio quem envergar camisolas, cachecóis ou outros adereços de adversários fora da zona especificamente reservada aos visitantes.
Apesar do rigor das novas regras, o presidente do Como assegurou que não se aplicam a crianças, sublinhando que o clube não deseja “arruinar a experiência de uma criança que quer apoiar os seus ídolos”, independentemente da equipa onde joguem. Esta política de fidelidade faz parte de uma estratégia para manter um ambiente familiar e preservar a atmosfera única do Sinigaglia. O clube prometeu continuar a esclarecer as dúvidas dos sócios nos próximos dias para garantir que o “espírito das medidas” seja compreendido por todos.
“Fazemos isto para garantir que o Sinigaglia continue a ser um local onde os avós se possam sentir tranquilos ao levar os seus netos, onde as famílias possam viver o futebol em conjunto e onde a paixão nunca ultrapasse os limites do respeito“, concluiu Mirwan Suwarso.
Esta não é a primeira decisão do Como este verão que dá que falar: o clube implementou recentemente uma política que restringe ou proíbe os cabeceamentos na formação. A iniciativa, denominada “No Heading for Children” e defendida pelo embaixador do clube Raphael Varane, foca-se na proteção da saúde cerebral dos jogadores jovens, visando prevenir impactos evitáveis durante fases críticas do desenvolvimento. As novas regras diferem por escalões: nos Sub-10, o cabeceamento é totalmente proibido tanto em treinos como em jogos, sendo os lançamentos laterais e cantos executados com os pés; nos Sub-11 e Sub-12, a técnica é introduzida de forma muito gradual e controlada, utilizando bolas de borracha leves e limitando o treino a, no máximo, cinco cabeceamentos por sessão; no escalão de Sub-13, a proibição de cabecear mantém-se em contexto de jogo, enquanto nos treinos a prática é limitada a uma única sessão semanal.