Com a “caça aos óculos” desta quarta-feira, numa última réstia de esperança de conseguir ver o eclipse solar total em segurança, o toque do telefone tornou-se, de manhã, na banda sonora das farmácias.

O Observador ligou para 17 estabelecimentos, um em cada capital de distrito (com exceção de Lisboa, onde fizemos reportagem presencialmente), que unanimemente confirmaram duas coisas: não têm óculos em stock e não receberam qualquer reforço durante esta manhã.

Quando o/a farmacêutico/a atende o telefone, adivinha de imediato a pergunta que se avizinha e, por várias vezes, antecipa a resposta.

“Bom dia, ligou para a farmácia, não temos óculos para o eclipse. Tem mais alguma questão?”

“Tenho passado a manhã toda nisto”, explica a farmacêutica da Farmácia Silveira, em Beja. Também no sul do país, em Faro, na Farmácia Almeida, repete-se o discurso para reiterar que os óculos “estão esgotados” e, segundo o funcionário, “nenhuma farmácia em Faro recebeu reforço hoje”.

Stock de óculos nas farmácias ainda vai ser reforçado antes do eclipse. Mas “um par pode dar para várias pessoas”

Outra resposta dada com frequência, quando questionados sobre o reforço anunciado pela Associação Nacional de Farmácias, é a de que se trata de “uma notícia enganadora”, como garante prontamente a Farmácia Fórum, em Coimbra, que acrescenta ter “quase a certeza de que grande parte das farmácias não deve ter recebido”.

Ideia partilhada pela colega da Farmácia S. João, no Porto, que embora não pertença à ANF, diz que a “informação espalhada na comunicação social não é verdade”, porque “o feedback que temos das pessoas que ligam” é de que em praticamente todas as farmácias da cidade Invicta, “não há sinal de óculos”.

Em Viseu, o funcionário da Farmácia Gama lembra que a ANF “nunca enviou óculos diretamente para as farmácias” e considera que as declarações de Ema Paulino, presidente da associação, “podem ter dado essa ideia”.

Também na zona Centro, em Leiria, a Farmácia Avenida diz de imediato não ter nada e lamenta que, embora faça parte da ANF, “não devemos ser das que vão receber”. “Pelo menos ninguém nos disse nada”, explica.

Mais a norte, em Bragança, na “Capital do eclipse” em Portugal, a Farmácia Atlântico lamenta que mesmo fazendo parte da ANF não tenha recebido qualquer reforço enquanto ainda “há bastante procura”.