A BMW figurou entre os construtores alemães que mais reclamaram em relação à decisão da União Europeia (UE) de cessar a comercialização de veículos com motores a combustão em 2035 — uma posição com peso, ou não fosse a Alemanha o maior mercado europeu e, simultaneamente, o maior contribuidor da UE. Com esta abordagem, a marca bávara tentava fazer esquecer que não tinha investido em fábricas para produzir as células para baterias — a peça mais cara de um veículo eléctrico, logo determinante para potenciar o lucro —, da mesma forma que não apostou no desenvolvimento de arquitecturas específicas para modelos eléctricos, que maximizam a sua eficiência, optando antes por recorrer a plataformas multienergia, que simultaneamente servem para veículos eléctricos e a combustão, mas não são o ideal para nenhum deles.
Este construtor germânico vai lançar quase em simultâneo o novo M3 100% eléctrico, bem como o M3 na versão a combustão, potencialmente ajudado por uma solução híbrida (não recarregável). Mas o M3 eléctrico não vai ser “impingido” aos clientes da marca, com o responsável pela BMW M Division, Frank Meel, a avançar que o M3 eléctrico não será fabricado porque é necessário para o construtor, mas sim porque os clientes fazem questão de o possuir.
O BMW M3 foi concebido sobre a plataforma Neue Klasse, que permite lidar com mecânicas a combustão e eléctricas, no caso do M3 EV montando quatro motores (dois à frente e outros tantos atrás), o que permite ao desportivo da BMW alimentado por bateria usufruir de vectorização de binário, nos eixos dianteiro e traseiro. O M3 eléctrico usufrui ainda de um controlo central e respectivo software, para que o familiar desportivo transmita um feeling característico de um BMW M.
Os quatro motores do BMW M3 eléctrico fornecem, em conjunto, entre 700 cv e 1000 cv, consoante a versão, pelo que é possível esperar pelo menos 1000 cv para a versão eléctrica mais “puxada”, que obviamente ultrapassará com larga folga a potência do M3 a combustão. Frank Meel fez ainda questão de realçar que “não é a BMW que vai determinar qual o modelo que o cliente deve adquirir”, se a gasolina ou eléctrico, acrescentando que haverá diversas versões do modelo alemão que prometem surpreender o mercado.
Este BMW M concept antecipa o próximo M3 eléctrico
De acordo com a imprensa germânica, a nova plataforma da BMW recuperará a filosofia multienergia da sua antecessora, que prevê a construção de vários modelos movidos por unidades eléctricas ou motores a combustão sobre a mesma base. Tudo em conjunto com a estratégia da marca em fabricar os modelos que os clientes necessitam ou desejam adquirir, independentemente do combustível utilizado.