O construtor de luxo alemão BMW, que lidera com 2,17 milhões de veículos à frente da Mercedes e da Audi, pretende incrementar a margem de lucro, que actualmente se cifra em 3%, elevando-a para 5%. Para isso, delineou uma estratégia que não passa por vender mais carros ou incrementar o respectivo preço, mas sim por despedir funcionários, pagando mesmo mais do que a média do sector para reduzir os custos do trabalho.

O objectivo do construtor alemão é chegar ao fim de 2027 com menos 8.000 trabalhadores, para o que criou uma indemnização por despedimento superior a 650.000€ por funcionário. E este valor pode ainda ser mais elevado, caso o empregado abandone a empresa até 31 de Maio do próximo ano, condição em que receberá o que a marca denomina um “Turbo Bónus”. Para os que saiam após esta data e até 31 de Outubro, não está previsto qualquer bónus adicional, sendo que os trabalhadores que cumpram 55 anos até final de Outubro podem ser abrangidos por descontos caso desejem adquirir veículos da marca.

As propostas avançadas são consideradas pela publicação alemã Handelsblatt como mais competitivas do que a média do sector automóvel alemão, ultrapassando a VW, que em média propõe cerca de 400.000€, e até a Mercedes, que se fica pelos 500.000€. Daí que não seja de espantar que a receptividade tenha sido muito elevada, com dezenas de milhar de empregados a tentar entrar no portal criado para o efeito, a ponto de mandar abaixo o site.

Como não podia deixar de ser, o valor de indemnização tem presente o salário do funcionário, a sua idade e a antiguidade na empresa. O novo CEO da BMW, o sérvio Milan Nedeljkovic, de 57 anos, que entrou no construtor alemão em 1993, tendo sido responsável pela produção da empresa antes de suceder a Oliver Zipse em Maio de 2026, espera poupar mil milhões de euros a partir de 2028, enquanto anuncia que antecipa margens de lucro entre 8% e 10% após 2030.