A BMW não está sozinha, quando se trata de lidar com a crise e atravessar um período menos bom em matéria de lucros, pois os seus colegas alemães — Grupo VW e Mercedes — também não evitaram ser beliscados pela crise, motivada pelo virar costas do mercado chinês aos veículos estrangeiros, mesmo se fabricados na China, e pelas taxas adicionais aplicadas pelo Estado norte-americano aos veículos importados da Europa. A solução preconizada pela BMW passa por despedimentos. Não pela redução de cerca de 100.000 trabalhadores do Grupo VW, mas ainda assim há cerca de 8000 funcionários da BMW que vão deixar de o ser. Mas, neste ponto, é forçoso recordar que também o Grupo VW começou por anunciar um corte de 50.000 empregados, valor que depois subiu para 100.000, não sendo improvável que também os 8000 funcionários em vias de sair da BMW venham a ser revistos em alta.
No segundo trimestre de 2026, a BMW admitiu que os lucros caíram 35%, com a marca a declarar um lucro (antes de impostos) de apenas 1,69 mil milhões de euros. Os resultados do construtor alemão no segundo trimestre têm sobretudo a ver com o mau desempenho do mercado chinês para as marcas estrangeiras, de acordo com Automotive News, tendo em conta o excedente de produção na China, onde são fabricados cerca de 50 milhões de automóveis e, em 2026, se perspectiva que as vendas não ultrapassem 24 milhões.
Na ânsia de cortar a produção e adaptá-la ao volume de vendas, a China tem de retirar modelos do mercado. E onde, potencialmente, doerá menos é se esse corte tiver lugar nas joint ventures das fábricas chinesas entre construtores locais e europeus, que originalmente e por decreto do Governo comunista, os segundos pagavam as unidades de produção e ofereciam cerca de 50% aos primeiros, sempre fabricantes controlados pelo Estado. Daí que a Mercedes tenha dificuldades em vender o CLA Longo, concebido especificamente para vender na China, o único país onde este modelo é comercializado, pois a China não é propriamente um mercado aberto, dado que não são os clientes que decidem o que comprar, mas sim o Governo.
As vendas da BMW caíram globalmente 5% na primeira metade de 2026, face ao ano anterior, impactadas principalmente pela queda da procura no mercado chinês, país onde as vendas do construtor germânico diminuíram uns impressionantes 30%. Além da redução do número de trabalhadores, Milan Nedeljkovic, o novo CEO da BMW que sucedeu a Oliver Zipse em Maio, afirmou ainda que pretende tornar a empresa mais eficiente, o que começará por avaliar as diferentes gamas de modelos que produz, dos equipados com motores de combustão — incluindo os híbridos e híbridos plug-in — aos eléctricos alimentados exclusivamente por baterias.